A minha paixão pelo vinho: Syrah! – por John Stimpfig

decanter

Depois de lermos este texto em inglês, que nos foi indicado pelo amigo Paulo Pimenta, a quem desde já agradecemos, achámos que valia a pena fazermos a sua tradução integral para português. O director do site Decanter explica porque coloca os vinhos produzidos a partir da casta Syrah num pedestal acima dos outros todos.
Este é o nosso texto de hoje, com a devida permissão.


“Recentemente pediram-me para escolher uma casta – dominante ou em vinho blend – para beber o resto da minha vida. A minha resposta foi imediata e sem hesitação: Syrah/Shiraz. Para mim é a casta maior de todas.

Porquê Syrah? Porque não? Para mim, um Syrah tem o perfume e a frescura de um Pinot Noir sem os entulhos da adega. É também mais suave e generoso que um Cabernet. Com efeito, ocupa um lugar abençoado entre esses dois rivais.

Estou disposto a confessar que o meu coração prefere as variantes ao estilo do norte do Rhône. Mas não recuso um grande Syrah Australiano, particularmente se for confeccionado por alguém como Ben Glaetzer. O seu Amon Ra ou The Bishop são sempre bem-vindos à minha mesa sempre que quiserem.

Claro, actualmente é um erro referir apenas os Syrah da Austrália. Principalmente quando preferimos alguns do meus Syrah favoritos como Penfolds St. Henri, Clonakilla, Jim Barry’s Armagh e muitos outros. Como Huon Hooke já disse, pelo menos 25 regiões vinícolas Australianas produzem excelente Syrah, desde Hunter até Swan Valleys, de tal forma que nenhum outro país produz tal vastidão de Syrah em terroirs tão diversificados. Mais, há também magníficos Syrah na Tasmânia. E há uma boa razão pela qual a casta Syrah ocupa grande parte da vinha por estas terras: é uma casta quase infinitamente deliciosa de se beber.

Na terra da grande nuvem branca, o Syrah kiwi é quase tão bom como os seus parentes do Norte do Rhône. De facto, segundo Bob Campbell, até a Nova Zelândia possui Syrah com a mesma similitude floral, pimenta e frutos vermelhos como muitos do seus parceiros do hemisfério norte. Enquanto a Africa do Sul continua a fazer alguns Shiraz estupendos, muitos produtores começam a colocar Syrah na etiqueta seguindo a tradição do Rhône. Nos Estados Unidos, Califórnia e adegas em Washington começa a seguir-se a rota ao estilo Syrah. O mesmo acontece no Chile e Argentina, onde os vinhos são mais elaborados e redondos. Como diz Peter Richard: o Chile consegue fazer Syrah Rhoniano com uma agudeza difícil de igualar.

E não podemos esquecer o Syrah que nasce nas suas origens. Com toda a felicidade, o Rhône permanece como a meca indisputável do Syrah. Aí, numa faixa de 65km ficam as super estrelas Cote Rotie, Crozes-Hermitage, Hermitage, St. Joseph and Cornas. Todas juntas, produzem sem sombra de dúvida vinhos maravilhosos, que oferecem sublime qualidade e carácter a preços inacreditáveis, comparados com os Burgundy ou Bordeaux.

Claro, sendo um confesso fanático por Syrah, eu teria que dizer isto, claro.”


Nós aqui no Blogue dos Syrah portugueses só lamentamos que Stimpfig não tenha mencionado Portugal, talvez por desconhecimento… vamos arranjar maneira de lhe dar a conhecer algum do melhor Syrah do mundo, que brota em terras lusitanas, ele não haverá de discordar!


 

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