Vidigueira Reserva, Adega Cooperativa da Vidigueira, 100% Syrah, Alentejo, 2014

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Foi com muita alegria que recebemos a notícia deste novo Syrah porque, de alguma maneira, veio colmatar uma lacuna na quantidade de Syrah que nos chega do Baixo Alentejo. Quantidade essa que tinha vindo a baixar com alguma regularidade, ao contrário dos irmãos do norte, sempre a aumentar e com grande pujança. Desta maneira o Baixo Alentejo pode, a partir de agora, contar com mais um Syrah.
E podemos desde já dizer: é um Syrah de qualidade, mesmo!

100% Syrah, 12 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês, cor ruby, quase opaco, cheio de brilho, é um néctar aromático, com fruta preta muito madura, notas de madeira e especiarias, com um toque balsâmico. Um tinto muito encorpado, concentrado, cheio de fruta, intenso e amplo… puro deleite!

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A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo.

A história da Adega vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria vila, «a villa da Vidigueira, cuja etymologia querem derivar de Videira, em razão de abundarem nos seus  férteis terrenos as vinhas, está situada n’uma collina distante a vinte e dois kilometros de Beja e vinte e cinco da cidade de Évora.» (Augusto Carlos Teixeira Aragão, 1871). Em 1519, a Vidigueira foi cedida a Vasco da Gama pelo duque D. Jaime, Duque de Bragança, com escritura ratificada por carta régia de D. Manuel I, começando assim a profunda relação da vila com os Gamas. A vinha e o vinho sulcam o perfil económico e cultural da Vidigueira. Envolvidas num rendilhado de cepas, Vidigueira, Cuba e Alvito  integram a paisagem a que Fialho de Almeida chamou «O País das Uvas».

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É neste quadro que surge pela primeira vez este nosso aqui de hoje em destaque Syrah!
São várias as castas que contribuem para a especificidade dos  vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

E já que falamos do poeta d’Os Lusíadas, que seja dele a citação que escolhemos para apresentar este Syrah, que assim dizia falando de um “Ardente licor que dá alegria!”
É exactamente o que pensamos a propósito deste sublime néctar da Vidigueira, que será nas próximas semanas o nosso companheiro dos longos serões de Inverno que se aproximam. Façam-nos companhia!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 17,50€


 

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