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Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Desta vez em Setúbal, para falar de um syrah que tem vindo paulatinamente a melhorar ao longo dos anos. O melhor é mesmo este de 2013. Estamos a falar do Ameias da Sivipa – Sociedade Vinícola de Palmela, S.A.

Um syrah que bebemos ciclicamente, com uma boa relação qualidade-preço, e que de ano para ano nos tem agradado cada vez mais.

É um syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com 12 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal.

Podemos caracterizar este syrah em termos visuais como possuindo grande intensidade corante de tons rubi escuro e as notas de prova dizem-nos que tem “aroma a frutos vermelhos maduros, e é macio, redondo e equilibrado.”

Tem ganho vários prémios nacionais e internacionais e foi produzido em 2009, 2010 e a presente safra de 2013.

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA têm sido premiados em todo o mundo. Nesta nova colheita de 2013 destaca-se o Syrah, que acaba de obter também 90 pontos da AEP – Associação de Escanções de Portugal, recebendo a prestigiada Tambuladeira de Ouro. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis.

Nós aqui no blogue do syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta bebida…  e nada mais do que isso!

E agora é relevante dar aos nossos leitores falarmos sobre alguns dados sobre a Sivipa.

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A SIVIPA – Sociedade Vinícola de Palmela, SA foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado.

O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril.

Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade.

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Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis.

Somente três dados importantes a considerar e a reter:

Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.

Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.

Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

Alexandre Santucci disse que “Abrir um bom syrah e saborear a vida é tão bom quanto sempre encontrar um motivo para sorrir, e isso é tão parecido com o amor! “

Ora aí está! O Ameias syrah pode ser o primeiro passo para isso mesmo!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 6,50€

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Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2012

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Novo syrah, de qualidade, como sempre, agora de Setúbal, mais precisamente de Pegões.

A Cooperativa de Pegões é um verdadeiro colosso no panorama vitivinícola português!
Produz 12 milhões de garrafas de vinho por ano, distribuídas por 48 referências, que é assimilado em 75% pelo mercado nacional. Os outros 25% são para exportar, praticamente para todo o lado. Apresentar aqui a lista de países nos diversos continentes em que os vinhos da  Cooperativa de Pegões estão representados seria fastidioso, mas interessante, porque são algumas dezenas!

Mas o nosso interesse está todo canalizado para o syrah da Adega de Pegões!
Existe desde 2004, ano da primeira safra. Daí para cá tem havido syrah  novo todos os anos. O último, que é aquele que o consumidor consegue encontrar com alguma facilidade nos hipermercados em Portugal, é de 2012. Para nós é o melhor. Superior às duas safras anteriores que também conhecemos bem!

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Em conversa com a Eva Figueira, secretária da Cooperativa e pessoa muito bem informada sobre tudo aquilo que ao syrah diz respeito, para além duma grande simpatia, ficamos a saber que a produção do syrah de 2004 até 2010 foi de 10000 garrafas por safras. Em 2011 e 2012 o volume de garrafas produzidas duplicou, fixando-se nas 20000. É um bom indicativo, quer da qualidade do produto em relação ao preço, quer da reacção positiva do consumidor português em relação ao syrah. Reacção esta que por nós haverá de ser cada vez mais entusiasta e total. Estamos aqui para isso!

O enólogo deste syrah é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento foi de 12 Meses em pipas de carvalho americano e francês, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado.

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A Península de Setúbal, região onde estão situadas as vinhas da Cooperativa de Pegões, assim como outras grandes herdades de que já aqui falámos e continuaremos a falar, é caracterizada por um microclima com óptimas condições climáticas, únicas onde se destaca os solos arenosos ricos em água e o clima Mediterrâneo com influência marítima devido à proximidade do mar. A perfeita harmonia destes elementos favorecem o desenvolvimento de castas nobres perfeitamente adaptadas originando vinhos de qualidade.

Agora precisamos de um pouco de história para percebermos o porquê de chamarmos colosso à Cooperativa de Pegões.

Foi o grande proprietário rural e industrial de cerveja José Rovisco Pais quem doou as suas herdades de Pegões aos Hospitais Civis de Lisboa. Nelas viria a ser executado o maior projecto de colonização interna com a fixação de centenas de casais agrícolas e a plantação de 830 hectares de vinha. A Cooperativa Agrícola constituída por Alvará de 7 de Março de 1958 veio fornecer o apoio técnico e logístico à elaboração dos primeiros vinhos de Pegões.

Numa primeira fase da sua existência a Cooperativa beneficiou de substanciais apoios financeiros e tecnológicos do sector estatal. Nos últimos 15 anos a Cooperativa empreendeu uma estratégia sistemática de modernização e estabilização financeira com o objectivo de melhorar e valorizar os vinhos da sua marca.

Neste período a Cooperativa investiu cerca de 7 milhões de Euros para dotar a Adega com sistemas de vinificação e estabilização a frio, revestimento a “EPOXY” dos primitivos depósitos de cimento, complexo de cubas de INOX para fermentação com controle de temperatura, prensas de vácuo e pneumáticas, modernas linhas de enchimento e rotulagem, ETAR, caves para estágio de vinhos com mais de 1.000 barricas, obras de beneficiação e conservação geral de edifícios e pavimentação dos acessos fabris. No plano da organização interna, avançou-se na informatização da empresa que, neste momento, já está certificada.

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Se, como dizia o filósofo alemão do século XIX Ludwig Feurbach, Der Mensch ist, was er ißt – O homem é o que come”, nós aqui no Blogue do Syrah dizemos que “O homem é o Syrah que bebe”. Eventualmente o mesmo se pode aplicar à mulher, cada um, ou uma, que o diga. Certo é: quem beber syrah da Adega de Pegões faz uma óptima escolha, com uma qualidade acrescida de ano para ano… temos dito!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 4,99€

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Cascalheira, ASL Tomé, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Hoje vamos conhecer um Syrah feito em Pinhal Novo desde 2008, e com grande sucesso. Todo ele comercializado na zona e arredores, em termos de restauração, sem nunca considerar o resto do país ou a exportação.

O Cascalheira Syrah é um vinho de taninos envolventes, macios e maduros, com fruta bem madura, de que resulta um vinho suave e encorpado.

A vinificação foi feita em cubas de inox após um desengace completo, onde terminou a fermentação alcoólica com temperatura controlada, depois de maceração prolongada.

Seguiu-se um curto estágio de 3 meses em Carvalho Francês. Apresenta cor intensa, notas de fruta preta, acidez marcante e final longo. Aroma limpo. Na boca apresenta boa estrutura e boa persistência. Possui uma graduação alcoólica de 14,5%.

É um Syrah novíssimo. Foi engarrafado já este mês de Fevereiro. E foi graças à gentileza do produtor, que ao enviar-nos duas garrafas para serem por serem por nós degustadas nos permitiu estar aqui a falar desta novidade em primeira mão.

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Desde 2008, data da primeira safra, a A.S.L. Tomé, iniciais de Américo Sousa Lopes, já fez 5 safras que variam entre os 4000 litros e os 5000. No ano de 2010 atingiu-se o pico de 6000 litros de Syrah. Esta última safra tem 3000 litros. Apesar desta diminuição o produtor Carlos Branco garantiu-nos que o monocasta Syrah é para continuar. E isso é sempre uma boa notícia. Cada garrafa é vendida à porta da adega a 3,5 euros, preço que sobe quando o syrah é vendido na restauração da zona. A este tema disse-nos Carlos Branco: “A nossa preocupação sempre foi a de produzir um Syrah ao nível dos Syrah de topo que se fazem na Península de Setúbal, mas a um preço muito mais contido, com o intuito de obter uma relação Qualidade/Preço benéfica para o consumidor. Conseguimos fixar o preço final em 3,50€ cada garrafa e não pensamos alterar o preço nos próximos anos.”

A Firma ASL-Tomé, Sociedade Vinícola, Lda. é uma das empresas mais antigas de Pinhal Novo.

A propriedade onde se encontra situada a sede da A.S.L.-Tomé, Sociedade Vinícola, Lda., foi pertença dos antepassados dos actuais proprietários e vem sendo herdada sucessivamente há, pelo menos, cinco gerações da mesma família.

Contudo, foi dividida ao meio há cerca de 60 anos, por ocasião de partilhas feitas na altura. Na outra metade situa-se agora um conhecido hipermercado.

É composta por uma parte agrícola (vinha e outras plantações, nomeadamente três pomares e uma horta) e por uma parte composta por escritórios, adegas, lagares e cubas de vinificação, etc.

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A firma possui ainda mais sete propriedades situadas no concelho de Palmela, estas destinadas exclusivamente à cultura de vinhas.

A propriedade em Pinhal Novo onde está instalada a sede ocupa, na totalidade, cerca de 5,5 hectares, sendo o espaço ocupado pela vinha de cerca de 4,5 hectares. A adega actual foi construída em 1947, substituindo uma outra que já existia no local desde fins do século XIX. A firma A S L – Tomé, Sociedade Vinícola, Lda. foi constituída em 1992, embora esta constituição tenha sido apenas uma mudança de nome e uma actualização do capital social e das partes integrantes da sociedade, da qual passaram a fazer parte a última geração da família. A designação anterior era Américo de Sousa Lopes & Herdeiros e começou a funcionar em 1953, produzindo vinho e fazendo a sua distribuição, principalmente na região da Grande Lisboa, distrito de Setúbal , Alentejo e Algarve. Na altura, imperava a venda a barril, além da venda directa, a quem se deslocasse à adega. Havia ainda criação de gado, o que deixou de acontecer há cerca de 20 anos atrás.

Hoje, a venda traduz-se principalmente em vinho engarrafado, embora ainda subsista a venda de vinho em barril (a granel) em muitas das tabernas do distrito de Setúbal.

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Recentemente, a firma passou a fazer parte da Rota das Adegas da Península de Setúbal, tendo para o efeito recuperado uma casa de lagares antiga, onde decorrem com frequência eventos de cariz cultural (concertos, workshops), provas de vinhos, festas temáticas e conferências, havendo ainda uma galeria para exposição de pintura e fotografia.

Se é verdade que “Enólogo é aquele que, diante do vinho, toma decisões. Enófilo é aquele que, diante de decisões, toma vinho” confidenciemos a seguinte decisão:
o aspecto mais positivo que podemos destacar em relação ao Cascalheira Syrah 2013 é que tem muitas potencialidades para evoluir no tempo.
Como o preço é bastante acessível talvez seja uma boa solução comprá-lo agora em quantidade para o beber daqui a mais uns anos.
Que tal?

Classificação: 15/20                                           Preço: 3,50€

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Cascalheira, 100% syrah, Setúbal 2013

Acaba de ser lançado noo mercado nacional o Cascalheira Syrah 2013 do Pinhal Novo.
Já tivemos oportunidade de o degustar e muito brevemente será objecto de apreciação crítica!

Só Syrah, Quinta da Bacalhôa, 100% Syrah, Setúbal, 2008

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Voltamos mais uma vez a Setúbal para vos apresentar o Syrah,que pertence à Quinta da Bacalhôa, a terceira grande empresa vitivinícola cuja sede se encontra na Península de Setúbal. As outras duas grandes empresas vitivinícolas sediadas na Península de Setúbal são a Ermelinda Freitas, de que já apresentamos aqui o respectivo syrah, e a José Maria da Fonseca cujo syrah foi também aqui apresentado.

Chegou hoje a vez da Quinta da Bacalhôa, um autêntico império no mundo da uva e do vinho em termos nacionais. Mas já lá vamos.

Falemos agora do que importa que é do Syrah. A primeira safra é de 1999 ( guardamos religiosamente duas garrafas desse ano) a que demos uma classificação de 18/20. Houve safras em 2003, 2004, 2007 e 2008. Esses são os anos que conhecemos. Da empresa ninguém falou connosco de modo que não sabemos de outras safras. Mas podemos dizer que em relação às notas de prova “tem fruta madura, ameixa preta e bagas silvestres, junto com notas de especiarias e hortelã-pimenta. Muito bom equilíbrio, com corpo cheio a envolver os taninos sedosos, sumarento e sedutor.” A graduação alcoólica do ano de 2008 é de 14,5%.

Agora a notícia triste. Apesar de se tratar de um potentado vitivinícola e de ter um monocasta Syrah desde 1999, e prosseguiu até 2008, ou seja, 9 anos de Syrah, e de qualidade, a Bacalhôa decidiu acabar não com a casta, que continuará a ser utilizada nos respectivos “blends”, mas com o vinho monocasta. Deu como justificação, que o Blogue do Syrah não aceita como plausível: “questões de ordem financeira”! Assim mesmo nos foi dito o ano passado na Feira dos vinhos 2014, que aconteceu na antiga FIL.

Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A., é uma das maiores empresas vinícolas de Portugal, e desenvolveu ao longo dos anos uma vasta gama de vinhos que lhe granjeou uma sólida reputação e a preferência de consumidores nacionais e internacionais. Presente em 7 regiões vitícolas portuguesas, com um total de 1200ha de vinhas, 40 quintas, 40 castas diferentes e 4 centros vínicos (adegas), a empresa distingue-se no mercado pela sua dimensão e pela autonomia em 70% na produção própria. A cada uma das entidades que constituem a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. – Aliança Vinhos de Portugal, Quinta do Carmo e Quinta dos Loridos – corresponde um centro de produção com características próprias e um património com intrínseco valor cultural. É à dinâmica gerada pelo cruzamento destas várias identidades, explorada com recurso à tecnologia mais actual que a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. deve a sua capacidade única no competitivo mercado português de oferecer um vinho de qualidade.

Em 1998, José Berardo tornou-se o principal accionista e prosseguiu a missão da empresa, investindo no plantio de novas vinhas, na modernização das adegas e na aquisição de novas propriedades, iniciando ainda uma parceria com o Grupo Lafitte Rothschild na Quinta do Carmo.
Em 2007 a Bacalhôa tornou-se a maior accionista na Aliança, um dos produtores mais prestigiados nas categorias de espumantes de alta qualidade, aguardentes e vinhos de mesa. No ano seguinte, a empresa comprou a Quinta do Carmo, aumentando assim para 1200ha de vinhas a sua exploração agrícola.

A Bacalhôa dispõe de adegas nas regiões mais importantes de Portugal: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro. Com uma capacidade total de 20 milhões de litros, 15.000 barricas de carvalho e uma área de vinhas em produção de cerca de 1.200 hectares, a Bacalhôa Vinhos de Portugal prossegue a sua aposta na inovação no sector, tendo em vista a criação de vinhos que proporcionem experiências únicas e surpreendentes, com uma elevada qualidade e consistência. Para a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A., empresa de tradição familiar que remonta aos anos de 1920, a memória das origens é uma questão de honra.

Na Quinta da Bassaqueira, anexa à vinha da propriedade, localiza-se a sede da empresa, Bacalhôa Vinhos de Portugal. Inclui a adega central, a Loja de Vinho e os magníficos jardins onde sobressaiem as suas oliveiras milenares. A Bacalhôa Vinhos de Portugal instalou-se, desde 1997, na zona vitivinícola de Azeitão, no “coração” da Península de Setúbal, num edifício emblemático, símbolo da modernidade ancorada na tradição.

A vinha que rodeia o lago é plantada com as castas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. O centro de vinificação vinifica as uvas da Quinta e as de todas as propriedades localizadas na Península de Setúbal. Aqui está centralizada a operação de engarrafamento e armazenamento de produtos já acabados. Este centro muito extenso distribui-se por diferentes edifícios, com os sectores de recepção das uvas e vinificação clássica, fermentação em barris, armazenamento, preparação para engarrafamento, linhas de engarrafamento, estágio de vinhos generosos, estágio de garrafas.

Em 1997, a Bacalhôa Vinhos de Portugal, então designada JP Vinhos, transfere-se de Pinhal Novo para a zona vitivinícola de Azeitão no “coração” da Península de Setúbal e instala-se num edifício igualmente emblemático, projectado e construído por António d’Avillez, símbolo da modernidade ancorada na tradição.

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Junto ao Palácio e Quinta da Bacalhôa, a vinha tem 14ha e foi plantada em 1972. A pedido de Thomas Scoville, então dono da Quinta, António Avillez instalou aqui uma vinha a fim de produzir um vinho com um encepamento semelhante ao utilizado em Bordéus, nomeadamente no Médoc. Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot são as castas tintas aqui produzidas. A vinha plantada na Quinta da Bacalhôa encontra o terroir ideal para a produção de excelentes vinhos: solos argilo-calcários bem drenados e clima ameno devido à forte influência atlântica.

Aqui se produz, em anos excepcionais, o vinho Palácio da Bacalhoa.

As outras quintas são:

– A Quinta da Catarina

– A vinha dos Frades

– A Vinha Casais da Serra

– Quinta dos Quatro Ventos

– Quinta da Garrida

– Quinta da Terrugem

– Quinta D´Aguiar

Voltemos ao syrah… Que acabou, dizem as más línguas, devido ao êxito alcançado pelo syrah de 2005 da Ermelinda Freitas como relatámos aqui. Devido a isso, ou não, a verdade é que já há poucas garrafas disponíveis no mercado. Seguramente ainda existe na garrafeira Estado d’ Alma e também, por exemplo, na Loja do Vinho no Bacalhôa Buddha Eden.

É uma pena porque, como dizia alguém que ficou anónimo para a História:
“Quem bebe syrah vive menos…menos stressado, menos tenso, menos deprimido, menos frustrado, menos doente do coração!”

Os amantes do sumo de uva terão que encontrar alternativas e felizmente elas existem e em quantidade… A Bacalhôa com o passar do tempo irá ver o erro grosseiro que acabou de cometer!

Classificação: 16/20                                           Preço: 12,50€

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Colecção Privada, Domingo Soares Franco, José Maria da Fonseca, 95% Syrah, 5% Touriga Francesa, Península de Setúbal, 2011

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Hoje estamos de novo na Península de Setúbal, para falarmos de um syrah de 2011, da José Maria da Fonseca, e de outro da mesma herdade, hoje esgotado, de 2004. Porquê o marcar desta distinção? Porque apesar de nascerem na mesma casa, são na verdade dois syrah diferentes.

Enquanto que o primeiro, além de syrah, tem 5% de Touriga Francesa, o segundo é 100% syrah.

Ambos fazem parte da chamada colecção privada do enólogo Domingos Soares Franco. Chama-se privada porque é unicamente o enólogo, a cada ano, e em total liberdade, que decide o que vai fazer… e como o vai fazer!

Estamos a falar do representante mais novo da sexta geração da família que, desde a fundação, preside aos destinos da José Maria da Fonseca. Domingos Soares Franco é, para além de vice-presidente, o enólogo desta casa, e por isso referência destacada no panorama vitivinícola da região de Setúbal, e do país. Embora assine todos os vinhos da José Maria da Fonseca, existem os que reserva para si como especiais. Chamou-lhes Domingos Soares Franco, como já ficou dito, Colecção Privada. Estes vinhos resultam da combinação de três factores: a sua formação, em Davis, na Califórnia; a influência do seu tio e por último a disponibilidade dos 650 hectares de vinhas da José Maria da Fonseca e a colecção, única em Portugal, de castas nelas plantadas.

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Foi em conversa telefónica que a Dra. Sofia Soares Franco, sobrinha de Domingos Soares Franco, muito simpaticamente se dispôs a responder às nossas questões sobre o syrah ou melhor, sobre os syrah em causa.

Assim ficamos a saber que o syrah de 2004 já vinha sendo feito desde 1999, com safras intermédias em 2000, 2002 e 2003, ou seja, 5 safras de syrah seguidas a 100%. Depois segue-se um hiato de vários anos onde a colecção privada parece “esquecer” o syrah até que em 2011 Domingos Soares Franco volta ao syrah com a pequena, mas importante para nós, particularidade de acrescentar 5% de Touriga Francesa, que como se sabe é o outro nome dado à Touriga Franca que é somente uma das castas mais plantadas no Douro e que faz parte do grupo das chamadas “cinco grandes” castas recomendadas para os vinhos do Porto. Nós que somos apologistas de que um syrah que se preze, um syrah a “sério” deve ser a 100%, devo no entanto reconhecer que a “solução” apresentada pelo nosso enólogo não desmerece, de modo algum, o produto final. E ainda bem porque assim o nome José Maria da Fonseca engrandece-se ainda mais e o consumidor de syrah fica ainda mais satisfeito!

Fizeram-se 4300 litros que deu a módica quantia, pelas nossas contas, de 5375 garrafas de syrah. Em relação às notas de prova o produtor diz-nos que a cor é de um vermelho carregado. O aroma é a cassis, violetas, amoras e especiarias. O paladar é jovem, mas com taninos a suavizar, frutado e com boa acidez. Final de prova é “médio”. Pessoalmente discordamos deste último tópico. Não nos parece que o final possa ser chamado de “médio”.  Diríamos “longo”. Sendo um syrah intenso o final tem que ser longo como todos os syrah de qualidade superior. Provem-no e digam-nos o que pensam sobre isto!

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Se é verdade que a José Maria da Fonseca tem na Península de Setúbal a sua maior área de vinha, a verdade é que também possui ramificações vinícolas no Alentejo e no Douro!

Vejamos resumidamente cada uma das vinhas.

A Vinha Grande de Algeruz é considerada um marco na história da empresa. Com esta vinha, a José Maria da Fonseca assume uma opção estratégica que passa pela necessidade de ser da sua responsabilidade a produção da matéria-prima, por forma a garantir a diversidade e qualidade da mesma. Em 1989 é adquirida a propriedade e no ano seguinte tem início um processo de reestruturação faseado em cinco etapas, o qual culminou em 1998 com o início da produção.
O potencial desta vinha é elevadíssimo. Até ao momento, as uvas aqui produzidas têm sido destinadas para vinhos como Periquita, BSE, Albis e para o Alambre Moscatel de Setúbal. É também nesta vinha que se iniciou parte da marca Colecção Privada Domingos Soares Franco e um importante campo clonal de várias variedades.

Na mesma linha estratégica que levou à aquisição em 1989 da Herdade da Vinha Grande de Algeruz – a necessidade de garantir uma produção própria capaz de manter um alto padrão de qualidade nos vinhos – surgiu em 1997 a Quinta das Faias.
Situada nas Faias, localidade próxima do Montijo, para além da área de vinha também tem uma parte de floresta.
A Quinta das Faias apresentava vinha, embora muito heterogénea e longe do padrão que a empresa mantém na generalidade das vinhas. Desde 1997 vem sendo corrigida e hoje a vinha das Faias encontra-se já completamente reestruturada.

A Quinta de Camarate tem como particularidade o facto de nela viver a Família Soares Franco. Cerca de 39 hectares, dos 120 totais, são atualmente ocupados por vinha. A restante área distribui-se entre matas, pastagens, jardins e terrenos baldios. As pastagens têm uma importância acrescida, a par das vinhas, em virtude de aqui se produzir o afamado queijo de Azeitão. Os solos variam, de argilo-calcários a arenosos. A Quinta de Camarate acolhe uma colecção ampelográfica iniciada na década de 20 do século passado e que actualmente ronda as 560 castas. Esta colecção tem-se mostrado preciosa para a empresa pelas múltiplas opções enológicas que proporciona.
A principal vocação é o Quinta de Camarate (branco seco, branco doce e tinto), contribuindo também para alguns componentes dos vinhos da Coleção Privada Domingos Soares Franco.

Estar na Quinta dos Pasmados é estar em plena Serra da Arrábida, num cenário de rara beleza onde a vegetação luxuriante só é quebrada pela vinha de aproximadamente 18 hectares. As uvas produzidas nesta vinha destinam-se exclusivamente à produção dos vinhos Pasmados.

Localizada entre Azeitão e Setúbal, no sopé da Serra da Arrábida, a Quinta dos Cistus deve toda a sua beleza à forma como a vinha se estende, paralelamente à estrada nacional, e à imponência da serra, pelo maciço que a constitui e pela vegetação. Os solos são argilo-calcários. As uvas da Quinta dos Cistus, depois de vinificadas, dão forma a alguns vinhos brancos da José Maria da Fonseca. Pertença de Isabel Menezes, acionista da José Maria da Fonseca, esta pequena quinta, localizada em Azeitão, compreende desde 1991 uma vinha de 2,2 hectares de Moscatel Roxo. Apesar de pequena, foi o renascimento desta casta após a sua quase extinção.

Após a aquisição, em 1986, da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, da qual faz parte a Herdade do Monte da Ribeira, a José Maria da Fonseca concretiza o sonho antigo de poder produzir vinho no Alentejo, numa propriedade carregada de prestígio e história (pelo menos desde 1878 que aqui se produz vinho), utilizando técnicas tradicionais de vinificação.
As uvas, provenientes da Herdade do Monte da Ribeira, localizado em pleno coração Alentejano, em Reguengos de Monsaraz, recebem do sol a luminosidade e o calor intenso que imprimem um carácter único aos vinhos da região.
Nos atuais 72 hectares plantados com vinha em 1952, 1984, 1986, 1995, 1998, 2000 e 2002, as castas tintas dominam o encepamento tradicional da região (Trincadeira, Aragonez e Grand-Noir). No Inverno, a parcela plantada em 1952 torna-se ainda mais bela, em virtude da ausência de folhagem permitir visualizar os esteios de granito e a imponência das cepas muito antigas.
A reconversão da vinha, terminada em 2002, incluiu a completa separação por castas, às quais se acrescentou a mais-valia técnica de, em 20 hectares reconvertidos, terem sido os últimos talhões de clones dentro do talhão de uma mesma casta. Esta seleção clonal, uma raridade na viticultura alentejana foi feita em duas das três castas plantadas na vinha (Trincadeira e Aragonez).
Estas vinhas dão origem aos vinhos alentejanos da José Maria da Fonseca: José de Sousa, José de Sousa Mayor e J de José de Sousa.

Com o objectivo de ultrapassar a imagem de uma empresa produtora de âmbito regional (Península de Setúbal e Alentejo), à José Maria da Fonseca não se apresentavam muitas soluções alternativas: o vale do Douro era, de facto, a única das regiões vitivinícolas portuguesas capaz de gerar valor acrescentado em conformidade com os projetos de crescimento da companhia.
Os objectivos passam por optimizar a excelência das castas e dos vinhos do Douro, e associá-los à imagem e credibilidade da José Maria da Fonseca. A concretização destes objectivos passa pela produção de dois vinhos tintos daquela região, Domini e Domini Plus.
As prioridades imediatas da José Maria da Fonseca centram-se na terra, através da aquisição da Quinta de Mós, num total de 15 hectares de vinhas com cerca de 30 anos, plantadas com Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinta Roriz.

O Centro de Vinificação Fernando Soares Franco é considerado um dos 50 melhores do mundo. A sua construção teve início em 1999, e foi oficialmente inaugurado no dia 14 de Setembro de 2001, com a presença do então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

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Numa área coberta de 9000 m2, com capacidade para 6.5 milhões de litros distribuídos por 513 cubas de diversas capacidades e uma operação quase totalmente computorizada, coexiste a mais avançada tecnologia com métodos tradicionais, casos dos lagares e prensas verticais, estas do início do século XX.
É neste local que todo o esforço desenvolvido nas vinhas se materializa, dando origem aos vinhos da José Maria da Fonseca.

Apesar desta dimensão a empresa é um negócio de família com quase dois séculos de história que nunca se deixa a si própria repousar sobre as glórias conquistadas. A José Maria da Fonseca exerce a actividade vinícola desde 1834, fruto da paixão partilhada de uma família que tem sabido preservar e projectar a memória e o prestígio do seu fundador. Consciente da responsabilidade de ser, na actualidade, o mais antigo produtor de vinho de mesa e de Moscatel de Setúbal em Portugal, a José Maria da Fonseca obedece a uma filosofia de permanente desenvolvimento, o que a leva a investir sempre mais em suportes de investigação e de produção, aliando as mais modernas técnicas ao saber tradicional. Exemplo disso mesmo é a Adega José de Sousa Rosado Fernandes, em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, onde a tradição romana de fermentar em potes de barro se mantém a par da última tecnologia.

Segundo os dados de 2013, é uma empresa 100% familiar gerida pela 6ª geração, contando já com 3 membros da 7ª geração no activo. Exporta 80% da produção. Os seus vinhos estão presentes em mais de 70 países. Mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes. Periquita é a maior marca, seguida do Lancers, Alambre Moscatel de Setúbal e BSE. Área de vinha: 650 hectares. O número de trabalhadores é de 131 em todo o grupo.

Ao beber o syrah da José Maria da Fonseca recordamos o grande sábio Galileu, aquele que ousou desafiar a lei divina do seu tempo, que dizia:
“O syrah é composto de humor líquido e luz”.
É o que se sente quando se bebe este néctar feito de cor, aroma e luz…

Partam em sua demanda!

Syrah de 2011
Classificação: 17/20                                             Preço: 14,50€

Syrah de 2004
Classificação: 16/20                                             Preço: 18,50€

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