Tag Archives: syrah

Pinga Tinto, Syrah, 2012

Fomos informados pelo próprio produtor e enólogo, Pedro Marques, que acabou de sair o Syrah Pinga Tinto, de 2012.

Trata-se de um Syrah de Torres Vedras, Vale da Capucha.

Na primeira oportunidade falaremos dele!


 

Confraria, Adega Cooperativa do Cadaval, 100% Syrah, Lisboa, 2012

confraria_garrafa

Hoje vamos deambular pela zona de Lisboa, mais exactamente para os lados de Cadaval e sua Adega Cooperativa, para conhecer o Syrah Confraria. O ano é 2012. O preço é bastante acessível mas a qualidade deste Syrah pode ser considerada abaixo da média, embora se beba bem. Trata-se de um Syrah a 100%, mas, infelizmente, não possui chama nem garra.

Tem graduação alcoólica de 13,5%, e o produtor diz que foi “Elaborado cuidadosamente a partir de uvas vindimadas no seu ponto óptimo de maturação, orgulhamo-nos de apresentar este vinho, complexo, equilibrado e aromático, onde a madeira se casa de forma harmoniosa como taninos, proporcionando um longo prazer a quem o consome.” Isto pode ou não ser verdade, logo, como rapidamente entramos no campo da subjectividade, convidamos o leitor a fazer o seu próprio julgamento, e depois venha aqui fazer os comentários que forem devidos da sua parte!

O objectivo supremo do Blogue do Syrah, desde a primeira hora, é dar a conhecer todos os Syrah portugueses,  independentemente da qualidade ou de estarem ou não ainda disponíveis. Claro que temos de os ter provado e degustado, só assim podemos falar em primeira mão. Se já demos notas de 18, 19 e até 20, isso não quer dizer que todos os Syrah sejam de qualidade superior só pelo simples facto de serem Syrah, para nosso grande pesar!

Este Confraria Syrah é o terceiro de uma série, felizmente pequena, de Syrahs que não merecem grandes qualificativos para além do que já ficou dito. Vale 14, porque é um Syrah, até se bebe sem grande pretensiosismo, e o preço é muito interessante. Mas não podemos esperar mais do que isso. Não impressiona mesmo. Não o recomendamos para quem quer dar a conhecer a casta Syrah, porque assim quem o beber não ficará minimamente impressionado.

confraria_adega

É um Syrah produzido pela Adega Cooperativa do Cadaval, que fica na região vitivinícola de Lisboa. Ora as adegas cooperativas da região de Lisboa não sabem fazer Syrah de qualidade, é a conclusão que tiramos até agora. Este é mais um a juntar à lista!

A Adega Cooperativa do Cadaval, existente desde 1969, dedica-se à recepção e transformação por vinificação de uvas dos seus associados, criadas nos vinhedos que cobrem as encostas soalheiras da Serra do Montejunto e que, em declive suave, se estendem pelo vale.

A Adega Cooperativa do Cadaval comercializa vinhos por grosso e embalado.

As marcas já implantadas no mercado são: os regionais AGUIEIRA e CONFRARIA, e os vinhos correntes com a marca DACEPA.

Situada na costa Atlântica de Portugal, e inserida na Região Vitivinícola de Lisboa, esta Adega é uma cooperativa de produtores com 40 anos de história na produção de vinhos. Os associados da Adega no activo ultrapassam o meio milhar e distribuem-se por uma área de influência que vai desde zonas mais próximas do Litoral até às encostas da Serra do Montejunto.

O terroir da região e a sua componente Atlântica, aliados aos conceitos aplicados na criação de vinhos, proporcionam condições de excelência para a produção de espumantes e vinhos brancos de qualidade, frescos, intensos e aromáticos.

Saliente-se a natural aptidão da região para a produção de vinhos de teor alcoólico moderado “Vinho Branco Leve” e “Vinho Rosé Leve”, num bom estilo internacional e adequados à actual procura dos mercados, mas de qualidade duvidosa, dizemos nós…

A sua produção é portanto maioritariamente dedicada aos vinhos brancos, numa percentagem de 65%, tendo a produção de tintos, devido à reestruturação da vinha, vindo a aumentar percentualmente para um valor de 27%. Os vinhos rosados, também em crescimento, ainda não ultrapassam os 8%.

A Adega Cooperativa do Cadaval, tem vindo a desenvolver progressivamente a sua implantação no mercado nacional, onde abastece algumas das principais cadeias de supermercados. Os mercados externos são o seu grande objectivo actual, razão pela qual se encontra neste momento a reformular a sua gama de produtos, com a introdução de novas marcas, imagens de rótulos e caixas.

Vem, para terminarmos, a propósito citar Eurípedes, o grande poeta grego, que dizia
“Onde não há vinho, não há amor.”
 Como este não é um grande vinho, a paixão só pode ser fugidia!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 3,80€


 

Paciência, Casa Agrícola Paciência, 100% Syrah, Tejo, 2003

paciencia_garrafa

Até ao Ribatejo viemos hoje para travar conhecimento com o Syrah da casa Paciência. Um Syrah que até hoje conheceu duas safras. Apesar de praticamente impossíveis de encontrar, conseguimos arranjar uma garrafa da safra de 2003 e outra da safra de 2007. Infelizmente a garrafa que nos coube em sortes de 2007 estava avinagrada, completamente intragável, mesmo estando a rolha aparentemente em bom estado. Logo o nosso comentário recai totalmente sobre a safra de 2003. Teoricamente o mais natural teria sido a garrafa de 2003 a dar sinais  clara degenerescência e não a de 2007. Mas o que aconteceu foi exactamente o contrário. Adiante.

As notas de prova falam de “média concentração na cor, vegetal seco e resina, falta mais fruta no aroma. Balsâmico na boca, rebuçado, fruto doce, falta alguma elegância, simples no conjunto.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5%. O enólogo foi Leonel Cruz.

paciencia_vinha

A Casa Paciência é uma empresa vitivinícola, em Alpiarça, produtora de vinhos ribatejanos há mais de 100 anos. De cariz familiar, tem sede em Alpiarça, no Ribatejo, onde conta já quatro gerações de lavradores ligados à vinha e ao vinho, portanto com mais de 100 anos de história, sendo o seu fundador Manoel Paciência Gaspar.

A adega actual que serve a Casa foi construída em 1962; mantém os moldes tradicionais de produção de vinho com equipamentos e depósitos originais a funcionarem em pleno. Em paralelo foram implementados novas tecnologias como o sistema de frio para arrefecimento dos mostos em fermentação. Em alguns casos ainda se faz a “pisa-a-pés” quando a qualidade da matéria-prima assim o justifica.

Nos últimos anos, a Casa Paciência assumiu também uma vertente de enoturismo, abrindo as portas da adega ao público em geral, com visitas às caves e prova de vinhos.

paciencia_casa

A adega encontra-se instalada num pátio rodeada de limoeiros. As vinhas estendem-se por 16 hectares. As castas dividem-se em brancas Fernão Pires e Tálias e as pretas como Periquita e Cabernet Sauvignon.

O papa João XXIII, de boa memória, disse um dia que: “Os homens são como o Syrah – alguns viram vinagre, mas outros melhoram com a idade.” Das mulheres o mesmo se pode dizer, acrescentamos nós.

O Syrah Paciência 2007 virou vinagre bem antes do tempo. O de 2003 é um Syrah ignavo, sem garra, de aromas pouco presentes, e por isso tem a nota mais baixa que o Blogue do Syrah pode dar a um monocasta Syrah!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,00€


 

Planura, Unicer Vinhos S.A., 100% Syrah, Alentejo, 2010

planura_garrafa

Hoje apresentamos o Syrah Planura, produzido pela Unicer Vinhos, que é simplesmente a maior empresa portuguesa de bebidas, com uma estratégia multimarca e multimercado, cuja actividade assenta sobretudo nos negócios das Cervejas e das Águas engarrafadas. Estão, igualmente, presentes nos segmentos dos refrigerantes, dos vinhos, e bem, como aqui se vai perceber, na produção e comercialização de malte e no negócio do turismo, detendo dois activos de referência na região de Trás-os-Montes: os Parques Lúdico-Termais de Vidago e Pedras Salgadas.

A Unicer está presente de Norte a Sul do país, conta com 1350 colaboradores, possui 13 estabelecimentos que incluem centros de produção de cerveja, de sumos e refrigerantes, e de vinhos, assim como centros de captação e engarrafamento de água, além de vendas e operações. A Unicer exporta 150 milhões de litros, tem 90.000 camiões de transporte para 50 países.

planura_hist

Planura é um vinho Regional Alentejano que resulta de um rigoroso controlo de qualidade vitícola e enológico, dando origem a vinhos harmoniosos e equilibrados. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5%. As notas de prova dizem que tem “aroma frutos negros maduros e notas ligeiras de especiarias. Madeira ligeira. Na boca alguma acidez e taninos ainda presentes. Fruta negra madura, quase em compota. Especiarias ligeiras e madeira intensa de sabor mas equilibrada em proporção. Enche meia boca. Final médio.”

O Syrah veio encontrar no clima quente e seco da região alentejana, condições óptimas para o desenvolvimento de vinhos de perfil ímpar, simultaneamente maduros e frescos, muito diferentes nas suas características dos obtidos desta mesma casta noutros locais como na região francesa do Ródano, onde inicialmente teve maior expansão. Apresenta cor intensa, grande distinção aromática, com predominância de aromas a chocolate, compotas e algumas notas fumadas. A sua estrutura de taninos confere uma prova cheia, frutada e elegante.

Região de ondulantes planícies, o Alentejo apresenta uma paisagem relativamente suave e plana que se estende por quase um terço de Portugal continental.

Só a Serra de São Mamede, a norte da denominação, se diferencia do padrão. Os solos alternam entre o xisto, argila, mármore, granito e calcário, numa diversidade pouco comum. O clima é claramente mediterrânico, quente e seco, com forte influência continental.

O Alentejo encontra-se dividido em oito sub-regiões, Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira, agrupadas em três grupos distintos. Portalegre é a sub-região mais original, com solos predominantemente graníticos, influenciada pela frescura da Serra de São Mamede. A paisagem oferece inúmeras parcelas de vinhas velhas, plantadas nas encostas íngremes da serra, beneficiando de um microclima único que confere frescura e complexidade.

Borba, Évora, Redondo e Reguengos personificam a identidade alentejana, terra de equilíbrio e harmonia, na proporção certa entre frescura e fruta, energia e suavidade. As sub-regiões de Granja-Amareleja, Moura e Vidigueira, no Sul da denominação, oferecem vinhos mais quentes e suaves, com terras pobres e secas, onde a vinha sofre com a dureza do clima e a pobreza dos solos.

Terminamos citando o grande poeta, dramaturgo, novelista, cientista, homem de estado e encenador, considerado a maior figura literária da cultura alemã, Johann Wolfgang von Goethe:
“O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes.”

O Syrah nomeado Planura pode muito bem conduzir por esse alegre caminho de probidade!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,99€

planura_ft


 

Vale dos Barris, Adega Cooperativa de Palmela, 100% Syrah, Setúbal, 2011

barris_garrafa

Estamos em Setúbal uma vez mais para conhecer o Syrah da Adega Cooperativa de Palmela, denominado Vale dos Barris.

Vamos ser claros e objectivos: durante muito tempo o Blogue do Syrah considerou este Syrah como o mais fraco Syrah feito em terras lusitanas! No entanto ganhou uma medalha de ouro no concurso internacional Syrah du Monde, onde apenas são avaliados vinhos feitos a partir da casta Syrah. É claro que podíamos avançar com várias teses para justificar esta medalha de ouro. O júri não estava nos seus melhores dias quando atribui esta medalha, ou isto é prova de que os Syrah portugueses são de facto espectaculares, pois basta ir um Syrah “fraquinho” a um concurso internacional para ganhar logo uma medalha de ouro. E outras teses se poderiam aqui apresentar. Mas isso não é o mais importante. O que é importante dizer é que apesar da qualidade de gama mais baixa, em nosso entender, deste Syrah, assim mesmo tem uma boa relação qualidade-preço. Infelizmente depois de o Blogue do Syrah considerar durante algum tempo este Syrah como o menos conseguido dos Syrah portugueses, descobrimos outros bem mais fracos que o Vale dos Barris, alguns dos quais mesmo intragáveis, que não merecem a designação de “monovarietal Syrah”. Falaremos deles a seu tempo.

barris_logo

Regressando ao Barris, as notas de prova referem que “Apresenta uma cor granada intenso, um aroma a frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira. O sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados, termina com um final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” Assim seja.

Situado em plena área metropolitana de Lisboa, o concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, ficando uma parte do território concelhio inserido na Reserva Natural do Estuário do Sado e, uma outra, no Parque Natural da Arrábida.

O concelho de Palmela está situado numa zona de clima temperado, embora com influências mediterrânicas e atlânticas. As temperaturas médias oscilam entre os 11º, em Janeiro, e os 30º, em Agosto. Fundada em 1955 com a designação de Adega Cooperativa da Região do Moscatel de Setúbal, iniciou a sua actividade em 1958.

palmela

A Adega Cooperativa de Palmela é um dos principais pólos de desenvolvimento do Concelho que é marcadamente agrícola e onde a vinha e o vinho têm por razões históricas um peso bastante grande. A principal zona vitícola situa-se na planície arenosa que constitui grande parte do Concelho de Palmela.

A Adega Cooperativa de Palmela iniciou a sua actividade com 50 associados e com uma produção que não excedia os 1,5 milhões de litros. Nos dias de hoje a produção ultrapassa os 8 milhões de litros, e a Adega dispõe de capacidade para atingir os 10 milhões , sendo 75% Vinho Tinto, 15% Vinho Branco e 10% Moscatel de Setúbal.

Tem actualmente 300 associados que possuem uma área combinada de 1000 hectares. Uma parte substancial da sua produção é engarrafada através de 5 linhas automáticas com capacidade para 10.000 garrafas/hora. A Adega Cooperativa de Palmela tem vindo ao longo dos anos a actualizar a sua tecnologia, quer de fabrico quer de engarrafamento e hoje é uma unidade certificada desde 2003.

A história deixou-nos esta máxima de um anónimo – só podia ser- que diz: “Vinho é a vingança masculina em relação ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!“

Essa garrafa pode bem ser ciclicamente o Syrah do Vale dos Barris, apesar de tudo!

 

Classificação: 14/20                                                  Preço: 3,84€

barris_ft


 

Quinta dos Penegrais, Reserva, 100% Syrah, Tejo, 2011

penegrais_garrafa

No Tejo, Quinta dos Penegrais, para apresentar mais um Syrah! Este difícil de encontrar em Lisboa mas não impossível! O respectivo site é muito básico, com muito pouca informação, infelizmente. Esta Quinta enquadra-se na região dos Vinhos do Tejo e na sub-região de Santarém.

penegrais_adega

A safra provada é a de 2011, e possui uma graduação alcoólica de 14%, sendo produzido a partir de uvas cuidadosamente selecionadas, vindimadas manualmente durante a primeira semana de Setembro. Fermentação e curtimenta clássicos à temperatura de 26ºC em pequenas cubas de inox, com maceração prolongada. Segui-se um ligeiro estágio em madeira de carvalho francês durante quatro meses, resultando assim este Syrah, que segundo as notas de prova se apresenta “de cor rubi escuro com tons violáceos, aroma com frutos negros nomeadamente amoras e toque fresco de eucalipto e menta, complexadas com notas de frutos secos e especiarias oriunda do estágio de madeira. Boca volumosa e cheia, redonda, com taninos de qualidade e final longo.”

Há mais de 50 anos que a família Machado, proprietária desta quinta, se dedica à actividade vinícola. A Quinta dos Penegrais e os seus vinhos são fruto do empenho das várias gerações desta família que se dedicam com paixão ao seu trabalho para partilhar consigo os prazeres que um bom vinho pode oferecer.

penegrais_vinha

Em 1998 decide-se pela conversão de uma extensa área de pomares em vinha, marcando-se assim o início de uma nova fase desta quinta do sector dos vinhos.

Em 2004 entra no mercado o primeiro vinho regional produzido por António Carvalho Machado com a marca Quinta dos Penegrais.

penegrais_adega_2

Actualmente, contam com cerca de 38 hectares de vinha distribuída por 2 propriedades, uma em Arruda dos Pisões – Rio Maior e outra em Manique do Intendente – Azambuja. Nestas vinhas cultivam-se as castas tintas Alicant Bouschet, Castelão, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Caladoc, e a nossa Syrah, naturalmente, mas também as castas brancas Moscatel, Arinto e Fernão Pires.

Há uma frase que os enófilos costumam referir e que é a seguinte: “Colecciono vinhos ruins…porque os bons bebo todos!…”

Este Syrah da Quinta dos Penegrais, com uma garrafa de desenho muito bem conseguido e sedutor, é daqueles que não ficará na garrafeira para além do tempo devido. Vamos pois em sua demanda!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50€

penegrais_ft