Monthly Archives: July 2016

Quinta de São João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2008

s_joao_garrafa

Este é um dos grandes Syrah de Alpiarça e do Tejo.
aqui tínhamos apresentado a colheita de 2007 e também já conhecíamos a de 2009. Mas esta de 2008 que acabamos de sorver em toda a sua dimensão voltou a superar as expectativas.
Evoluiu de tal maneira que hoje, passados oito anos, estamos perante um topo de gama. Assim mesmo, com todas as letras!

A Pinhal da Torre não surpreende de todo! É deles o célebre Syrah da Quinta do Alqueve, de 2001, que apresentamos aqui e infelizmente esgotado!

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.” A graduação alcoólica é de 14,5%. O enólogo deste Syrah é António Saramago.

Os vinhos da Pinhal da Torre foram distinguidos com 90 pontos (em 100) por Mark Squires, um dos mais influentes críticos mundiais, numa apreciação publicada no site do grande especialista Robert Parker. Isto explica porque os Estados Unidos já valem 10% da produção da Pinhal da Torre.
Actualmente, os vinhos produzidos pela Pinhal da Torre podem ser encontrados em 18 países: Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, China,Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça.
A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

s_joao_adega

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.

O enólogo Luís Sottomayor disse:
“Os grandes vinhos revelam-se logo à nascença, mas os vinhos superiores, aqueles que ficam para escrever e contar histórias, esses precisam de provar que merecem um lugar na garrafeira e passar o teste do tempo”.
Pode muito bem ser neste caso o Syrah da Quinta de S. João.
Atirem-se a ele sem reservas!

Classificação: 18/20                            Preço: 24,90€


Curso sobre Vinhos – Jancis Robinson Wine Course – Syrah /Shiraz

 

O Jancis Robinson Wine Course é um curso sobre vinhos, ministrado por Jancis Robinson, uma das mais famosas e respeitadas Master of Wine da actualidade.

Este é o episódio que nos interessa, por estar aqui em destaque a nossa bem amada Syrah/Shiraz.

No vídeo poderá ver nomes conhecidos do mundo do vinho e muito particularmente do mundo que nos interessa: Syrah!

 


 

Herdade dos Pimenteis, 100% Syrah, Algarve, 2013

pimenteis_garrafa

É com desmesurado prazer e costumeira alegria que damos a conhecer um novo Syrah, desta vez do meridional Algarve.
Não se trata de uma nova colheita.
É um Syrah novo de raiz!

A Herdade dos Pimenteis fazia tempo que andava a ameaçar.
A proprietária, Ana Pimentel, tinha no final do ano passado avisado o Blogue do Syrah de que algo iria acontecer do nosso agrado! Até o nosso comparsa Jorge Cipriano, do Clube de Vinhos Portugueses, e que regularmente anda pelo reino dos Algarves em visitas vinícolas, nos avisara: “Preparem-se para o Syrah da Herdade dos Pimenteis!”

pimenteis_herdade

A expectativa era portanto naturalmente alta e por dois motivos bem presentes. Primeiro porque já tínhamos boas memórias sobre a qualidade dos vinhos que se produziam nesta herdade! Segundo, porque os Syrah algarvios, apesar de não existirem em quantidade, sempre deram boa conta de si no conjunto dos Syrah portugueses. É um Syrah que ainda tem muito que evoluir, o que é sempre um dado interessante, porque como se sabe o Syrah evoluiu muito favoravelmente, pelo menos até sete a nove anos.

As notas de prova do produtor e enólogo Paulo Fonseca dizem-nos que tem “um aspecto límpido, com uma cor rubi intensa. O aroma é fino, elegante, sugerindo frutos vermelhos bem maduros e algumas especiarias. Equilibrado de taninos suaves mas estruturados.” Final prolongado, acrescentamos nós, e com o tempo esse alongamento irá sendo mais acentuado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Foram feitas cerca de 7000 garrafas!

A Herdade dos Pimenteis é um projecto com mais ou menos uma dúzia de anos, situa-se em Portimão, a 5 km do centro da cidade e ocupa 40 hectares do Morgado da Torre, na Penina. Os solos argilo-calcários têm grande tradição na cultura da vinha que se faz aqui há várias gerações. Os vinhos que produz apresentam-se aos seus consumidores sob o slogan “Após gerações perdidas renascem as vinhas do Algarve!”. É verdade que os vinhos do Algarve durante muito tempo, demasiado tempo diríamos nós, andaram um tanto ou quanto perdidos e a qualidade deixava a desejar. Hoje a realidade é totalmente diferente e em relação aos Syrah, que é o que nos interessa, o consumidor não deve ter qualquer receio no confronto de qualidade entre um Syrah algarvio e o de uma outra qualquer região do país!

pimenteis_vinha

Os hectares de vinha existentes agora encontram-se em produção integrada compondo-se de castas seleccionadas tais como: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Tinto Cão e Moscatel Branco e claro Syrah que dão o vinho de excelência que aqui se produz. Os vinhos Herdade dos Pimenteis são o resultado de uma vindima manual. Na adega a fermentação ocorre mediante um controle de temperatura rigoroso, que cria os vinhos finais concebidos actualmente por Paulo Fonseca.

Kimmi Raikonen o homem do desporto automóvel disse:
“Não se deve deitar fora aquilo que foi feito para se beber.”
Eis uma verdade insofismável em relação ao Syrah da Herdade dos Pimenteis.

Aprovado com distinção, vamos por ele, acompanhem-nos!

 

Classificação:17/20                                           Preço: 9,00€


 

O vinho e o Paradoxo Francês

french_paradox_2

Não, ao contrário do que muitos leitores que começaram a ler este texto podem pensar, o chamado Paradoxo Francês não tem nada a ver com o facto da selecção francesa ter perdido a final do campeonato europeu de futebol a favor da selecção das quinas!

Aquilo que fica para a história com a designação de “Paradoxo Francês” prende-se com o facto de a população francesa, que consome uma alimentação muito rica em gorduras saturadas, por exemplo queijo e carne em grande quantidade, ter uma quantidade de doenças cardiovasculares muito inferior à dos outros países do norte da Europa ou dos EUA. Isto seria, dito assim, incompreensível, pois só as populações que habitualmente consomem muito pouca gordura saturada apresentam uma incidência igualmente baixa de doenças cardiovasculares.

french_paradox

A razão para este paradoxo reside, afinal, no consumo regular de vinho tinto. O vinho tinto é muito rico em resveratrol e outros polifenóis que são antioxidantes muito eficazes na prevenção do desenvolvimento da aterosclerose e, portanto, de todas as doenças cardiovasculares. A população dos países do norte da Europa consume preferencialmente cerveja e logo não tem esta capacidade protectora antioxidante.

O Blogue do Syrah já fez variadas referências à importância do resveratrol e dos outros polifenóis para a saúde, que podem ser lidas nos artigos que referenciamos a seguir.

As virtudes benéficas do vinho, e do Syrah, sobretudo, vêm sendo discutidas em diversos meios científicos, e foi a divulgação do Paradoxo Francês, em 1991, que despertou a atenção sobre o assunto. Esta expressão ficou famosa a partir de 17 de novembro de 1991, devido ao programa “60 Minutos”, da Rede CBS. Durante esse programa de televisão dos Estados Unidos, o cientista francês Serge Renaud (1927-2012), mostrou que estudos epidemiológicos à escala mundial demonstravam que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronárias que os americanos, sendo que os franceses são mais sedentários, fumavam mais e consumiam mais gorduras saturadas.

Diante dessa constatação, observou-se que o consumo moderado de vinho poderia ser a explicação para esse facto. O paradoxo foi posteriormente publicado na revista The Lancet, uma das revistas médicas mais bem conceituadas no mundo, o que contribuiu para o aumento do consumo de vinhos tintos, principalmente nos Estados Unidos e que deu origem a uma série de estudos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde humana. Essa informação causou grande impacto. Até então, o que a ciência nos ensinava é que ingerir bebidas alcoólicas era tão prejudicial quanto fumar. Com esses dados o conceito científico teria que ser mudado!

french_paradox_3

Passados mais de 20 anos, milhares de pesquisas confirmaram os dados do Dr. Renaud. Inúmeros estudos explicam os mecanismos pelos quais essa protecção acontece e evidenciam outros efeitos favoráveis do vinho, como a longevidade e a protecção neurológica. Nos vinhos já foram identificados aproximadamente de 200 polifenóis e cerca de 95% tem origem nas cascas e sementes das uvas.  E é por isso que os vinhos tintos são considerados melhores para a saúde, pois são fermentados em contacto com a casca, o que permite maior extracção de substâncias benéficas ao organismo humano. De qualquer modo todas as bebidas alcoólicas, se consumidas em excesso, aumentam a exposição a uma vasta gama de factores de risco. Nesse sentido, o vinho também causa problemas quando consumido além dos limites. O Blogue do Syrah já o tinha explicitamente referido, por exemplo, aqui.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de uma taça diária de vinho (em torno de 100 ml). Porém não existe uma regra fixa que estabeleça o limite de consumo de álcool por pessoa, pois isso depende de uma série de factores inerentes ao indivíduo, como idade, sexo, estado emocional, e o próprio limite de tolerância ao álcool. Estudos feitos a partir do Paradoxo Francês mostram que é possível juntar ao prazer de beber Syrah muitos benefícios para a saúde. Mas para isso é necessário que se faça junto com as refeições, de maneira regular e moderada, e somente se não houver contra indicação ao consumo de bebidas alcoólicas.

Temos dito!


 

Quinta de Arcossó, 100% Syrah, Trás-os-Montes, 2012

arcosso_garrafa_2012

A colheita 2012 do Syrah da Quinta de Arcossó chegou recentemente ao mercado e, claro, logo que disso tivemos conhecimento partimos em sua demanda. Cá está ele.
E cumpriu inteiramente as nossas expectativas.

Este é um Syrah com características muito especiais, diríamos mesmo únicas!
A quinta, do produtor Amílcar Salgado, homem de uma grande disponibilidade comunicativa, possui doze hectares de vinha, produz diversos vinhos desde 2005, e está situada naquele que é considerado o local mais rico da Europa em águas minerais. Basta pensarmos nas águas Campilho, nas águas Vidago ou nas conhecidíssimas Pedras Salgadas, para além de outras que povoam toda esta região. Isto faz com que o Syrah seja muito mineral, sobretudo no primeiro envolvimento na boca, sobressaindo de seguida toda a complexidade da casta. É por isso que podemos dizer que se trata de um Syrah único, possuidor de características que não encontramos em mais nenhum Syrah em Portugal, quiçá no mundo.

arcosso_vinha

A Quinta de Arcossó está situada numa região de tradições vitícolas já muito antigas, anterior aos romanos, com um solo de origem granítica onde crescem castas adaptadas à região. Quem diria que a casta Syrah se poderia adaptar tão bem a este “terroir”! Diz-nos o produtor que “todos os vinhos tintos são transformados com pisa a pé” e por isso recorre à enologia de Francisco Montenegro, técnico com vasta experiência.

O Syrah tem 14,5 de graduação alcoólica, e estagiou durante dezasseis meses em barricas de carvalho francês. Diz-nos o produtor que tem “cor ruby profunda, com intensidade aromática, onde predominam bagas maceradas e especiarias com baunilha da madeira. Na boca evidencia corpo, boa acidez, sabores a fruta, taninos densos e elegantes e saboroso final.”

A pequena produção de apenas duas mil garrafas, faz com que seja difícil de encontrar! Na grande Lisboa existiam dois sítios onde isso é possível: Oeiras, Néctares d`Aldeia no número 7 do Largo 5 de Outubro; Lisboa, Prazeres da Terra no número 6ª do Largo da Estefânia. Agora também na garrafeira Estado d’Alma quer na Alexandre Herculano quer em Alcântara!

É um Syrah que impressiona pela qualidade mas também pela especificidade! Quem gosta de Syrah não poderá ficar insensível a esta Quinta de Arcossó!
Como disse Pierre Leroi:
“Os Vinhos de Portugal? É todo o sol, a luz, a cor e a vida inteira deste maravilhoso País!”
E isso inclui seguramente este Syrah de Trás os Montes!

 

Classificação: 17/20                            Preço: 9,95€


 

São os Europeus quem mais consome o vinho português!

Os Europeus consomem mais de metade de todo o vinho português exportado!

As exportações de vinho em Portugal mostraram um desempenho favorável nos últimos anos, com as vendas para os mercados externos a alcançar cerca de 740 milhões de euros em 2015, mais 2% do que em 2014 e um aumento superior a 25% face ao valor contabilizado em 2009, segundo o estudo sobre o sector vinícola.
Em 2015, as importações mantiveram-se nos 126 milhões de euros, o que resulta num superavit comercial do sector superior a 600 milhões.
Cerca de 65% das exportações totais em valor correspondem a vinhos com denominação de origem, destacando-se o vinho do Porto, com uma participação sobre o total superior a 40%.

wines_pt

Os países da União Europeia são o destino de cerca de 55% das exportações, com a França e o Reino Unido à frente da lista de países europeus a consumirem vinho português.
Em relação ao volume de produção, a campanha 2014-2015 situou-se nos 6,2 milhões de hectolitros, 0,6% menos do que na campanha anterior.

O número de empresas com actividade no sector manteve nos últimos anos uma tendência de alta, até se situar em 1.070 no fim de 2014. O volume de emprego sectorial também aumentou ligeiramente entre 2012 e 2014, passando de 8 573 para 8 827 trabalhadores.

Os operadores de pequena dimensão predominam no sector, com o número médio de colaboradores por empresa a situar-se abaixo das 10 pessoas. Só 25 empresas empregam mais de 50 trabalhadores.