Monthly Archives: July 2016

Taça Syrah

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Pois não é que deambulando por este território quase infinito de informação, curiosidades e muito mais que é a Internet, encontrámos uma taça denominada especificamente para conter o nosso bem amado Syrah?!

Exactamente como se pode ver, e ser adquirida a partir de um lugar na rede com localização no Brasil dos nossos irmãos, logo para eles será muito mais fácil o processo de aquisição… e que depois nos venham aqui contar!

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Citando directamente a Ficha Técnica, podemos ler:

Cristallerie Strauss
Volume: 570ml
Altura: 230mm
Composição: 24% PbO

 O chumbo dá mais leveza, delicadeza e sonoridade, além de fazer com que a espessura da taça seja mais fina. As taças de cristal também são mais porosas. Esse factor também é positivo, pois, ao girarmos um vinho enquanto o degustamos, forçamos as moléculas contra a parede áspera, quebrando-as e, desse modo, obtendo grande concentração de aromas.

 O vinho tinto precisa de espaço para respirar, pois tem aromas e sabores muito intensos. Por isso, a taça tem corpo grande, fazendo com que se libere toda a sua potência. O formato também é ideal para que a bebida possa “dançar”. Por esse motivo, também é importante lembrar que ela deve apenas ser preenchida até um terço de sua capacidade.

 Possuem o bojo grande, mas têm a borda mais fechada para evitar a dispersão de aromas, concentrando-os. A aba fina direcciona o vinho para a ponta da língua, permitindo que a untuosidade e os sabores frutados dominem antes que os taninos sejam direccionados para a parte de trás da boca.

Aqui fica então a ideia de hoje, e quem sabe se neste nosso Portugal alguém se lembra de fazer semelhante, para podermos dizer como Ludwig Van, esse mesmo, o grande Beethoven:
“Depois de um árduo dia de trabalho, uma taça Syrah com Syrah é um conforto!”

Assim nos vamos, até ao nosso regresso!


 

Serras de Azeitão Rosé, Bacalhoa, 85% Syrah/15% de Moscatel Roxo, Setúbal, 2015

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Da Bacalhoa, Setúbal, descobrimos este Syrah Rosé a 85%, logo com 15% de Moscatel Roxo. Parece que existe desde 2005. Há outro Syrah Rosé, também da Bacalhoa, que brevemente iremos apresentar.

Não deixa de ser estranho…
O Só Syrah, produzido de 1999 até 2008, foi descontinuado, segundo responsáveis da Bacalhoa, por “motivos financeiros” apesar de ser um belíssimo Syrah e se vender razoavelmente bem!
Em Rosé, os mesmos responsáveis têm dois Syrah e por aí parece que não há qualquer problema! É caso para dizer como o filósofo Blaise Pascal “…que há razões que a própria razão desconhece!” Adiante.

Vamos atentar neste primeiro Rosé. O produtor fala “de cor rosada pálida o Serras de Azeitão Rosé 2015 é muito marcado por aromas florais, como rosas e cravos, provenientes da casta Moscatel roxo; na boca estas sensações aromáticas são ainda mais intensas, que em conjunto com uma boa acidez, originam um vinho com um final seco, cheio, muito mineral e fresco.” Tem 12% de graduação alcoólica. Não teve estágio em madeira e a temperatura ideal situa-se entre os 10 e os 12 ºC.

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A enóloga de serviço é Filipa Tomaz da Costa. Como já foi dito é produzido a partir das castas Syrah e Moscatel Roxo, provenientes de vinhas localizadas na Península de Setúbal. Após uma cuidadosa amostragem da uva na vinha as datas de vindima são marcadas para cada casta. Estas variedades foram vinificadas separadamente, usando-se métodos suaves na prensagem, fermentações do mosto a baixa temperatura visando a conservação dos aromas primários da uva. A uva entra na adega é refrigerada e suavemente prensada; o mosto obtido, depois de defecado fermenta a baixas temperaturas (10–12ºC) conseguindo-se assim uma fermentação muito lenta visando a preservação dos aromas das castas. Os vinhos varietais são então loteados, contribuindo aqui o Moscatel Roxo para os aromas florais como o de rosas. Após o loteamento, procede-se à estabilização proteica e tartárica, seguida de filtração. Acompanha bem sopas e pratos de peixe, e mesmo pratos leves de carne ou de cozinhas mais condimentadas dado o seu corpo e complexidade aromática. Recomenda-se também queijo nomeadamente o queijo de Azeitão. Culinária Vegetariana então nem se fala: combinação perfeita!

O escritor Juan Sorapán de Rieros disse:
“O vinho é uma das coisas mais antigas que se conhecem desde o dilúvio universal até ao nosso tempo”
Boa deixa para quem gostar de Rosé poder aproveitar o tempo quente que atravessamos com este Syrah da Bacalhoa!

 

Classificação: 15/20                                                      Preço: 2,99€

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Um Syrah mau é sempre um mau Syrah!

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Um mau Syrah será sempre um mau Syrah!
Pensamos que esta máxima, se é totalmente verdadeira para um Syrah, é também verdadeira para um qualquer vinho!
Um vinho mau é sempre um mau vinho. Falamos aqui em termos de envelhecimento em garrafa, pois novas safras da mesma marca e terroir obviamente serão diferentes, para melhor, ou pior!

Nós gostamos de falar daquilo que sabemos e é por isso que aqui no Blogue do Syrah não fazemos política mas tratamos de questões culturais. No princípio deste mês, no Porto, em conversa com o amigo Carlos Ramos, do grupo Cegos por Provas, falávamos naturalmente de futebol… (o leitor mais atento já percebeu que é mentira)… falávamos, claro está, de Syrah, e vinho também, quando a dado momento o Carlos Ramos dizia que o Blogue do Syrah dava notas muito altas. Defendemos a nossa posição, por um lado com a alta qualidade dos Syrah portugueses, e também explicando que  já tínhamos dado notas muito baixas a alguns Syrah.

Em relação às notas altas gostamos de argumentar citando Robert Parker, que é muito provavelmente o mais conhecido e o mais influente crítico de vinhos da actualidade, que disse, há algum tempo, numa recente entrevista à publicação “The Drinks Business“: os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Concordamos neste aspecto com Robert Parker, e é por isso que não nos eximimos a dar a nota máxima a Syrahs que a merecem.

Mas também existe a outra face da moeda, ou seja, as  várias notações baixas que o Blogue do Syrah já deu! Aquele Syrah que embora seja bebível, é de qualidade fraca, mas não envergonha totalmente a casta que diz representar! E também existe Syrah muito fraco ou mesmo intragável, ou aqueles que não são bebíveis, mais, nem são dignos de serem considerados vinho, quanto mais Syrah! Percorrem tranquilamente o Blogue que os vão encontrar…

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Mas devemos confessar que que do Porto regressámos a pensar se em relação a certos Syrah não teremos sido demasiado exigentes! Então, na semana seguinte partimos à procura de um desses Syrah que tinha sido muito mal classificado! A nossa escolha recaiu sobre o Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha, 100% Syrah, Lisboa, 2012! Há um ano custou-nos 4,50 euros. Desta vez um pouco mais barato, 3,95 euros, mas a questão não era essa! Tudo o que dissemos há um ano se mantém integralmente:
“Infelizmente não é o primeiro Syrah a merecer uma crítica tão negativa por parte do Blogue do Syrah. E mais uma vez não o fazemos de ânimo leve. Mais uma vez insistimos na nossa isenção, estando apenas ao serviço do grupo dos consumidores ao qual pertencemos. Já o dissemos e repetimos: se um Syrah nos espanta e encontramos características extraordinárias não temos problema nenhum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo com isso algo que ganhar a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico, e se for possível em primeira mão. Mas o que nunca desejamos que aconteça voltou a acontecer, pela segunda vez.
O Syrah Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha só tem uma coisa a seu favor, o nome, Mundus, uma designação forte do ponto de vista do marketing, mas isso só não chega! OSyrah Mundus é elaborado sem brio, de Syrah como o entendemos nada tem, e como tal é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola 14 a 20, e portanto nada mais nos resta que atribuir-lhe, não sem tristeza, um 0!
Segundo as notas de prova este Syrah “é um vinho estruturado, com aromas a frutos vermelhos sobremaduros conjugados com a madeira. Na boca apresenta-se macio e estruturado.” Ao beber este Syrah tudo isto se revela falso! É uma coisa de mau gosto, no sentido literal, que chega a dar engulhos de estômago. Não fomos capazes de beber mais do que uma taça em dois dias distintos.”

Passado praticamente um ano somos capazes de afirmar exactamente o mesmo, o que nos leva ao ponto de partida!
Se um vinho mau é sempre um mau vinho, um Syrah mau é sempre um mau Syrah, ou seja, não melhora com o tempo!

Como dizia o grande Aquilino Ribeiro:
“O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos.”

Nós aqui no Blogue do Syrah não produzimos Syrah, também não o engarrafamos, apenas o amamos, e quando o servimos aos amigos escolhemos sempre o melhor,  servido com paixão!!!


 

Caroline Frey: Uma mulher que dá cartas no mundo dos vinhos franceses

“Dans le vin, pas obligé d’être une multinationale pour exister”

Caroline Frey é a proprietária e enóloga do Chateau La Lagune no Haut-Médoc e da casa Jaboulet Elder na Côtes-du-Rhône. Conversão orgânica , conquista de mercados estrangeiros, e por aí adiante, ela vai detalhando os projectos que tem em curso, nesta entrevista que vale a pena ouvir!


 

Salira, Adega Cooperativa de Lagoa, 100% Syrah, Algarve, 2005

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O Blogue do Syrah, com a ajuda sempre inestimável da Garrafeira Estado de Alma, lá descobriu um novo Syrah, neste caso do Algarve: Adega Cooperativa de Lagoa, de nome Salira, e do ano de 2005.

Basicamente trata-se de uma curiosidade histórica, visto que está esgotado faz muitos anos, como não é difícil de perceber!

Há uma pequena confidência que é necessário fazer. Durante muitos e muitos anos sempre pensámos que o mundo vitivinícola em Portugal acabava no Alentejo, na fronteira com o Algarve. Para chegar a esta conclusão bastou na altura ter bebido dois ou três vinhos em momentos diferentes, todos eles da Adega Cooperativa de Lagoa, para chegar a esta conclusão tenebrosa: o Algarve não tinha préstimos em termos vitivinícolas. Hoje as coisas são muito diferentes. Há trinta anos, por exemplo, não havia Syrah, e nos outros vinhos fizeram-se mudanças incríveis. Já nem sequer  a Adega Cooperativa de Lagoa existe! A Única, Adega Cooperativa do Algarve, resultou da fusão, em 2008, das Cooperativas de Lagoa e Lagos, visando potenciar o melhor dos vinhos algarvios e manter viva a tradição vinícola da região. Apesar dos seus 64 anos, a Adega Cooperativa do Algarve continua a fazer história.

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O Salira Syrah é, tanto quanto foi possível apurar, a única colheita de monocasta Syrah feita pela Adega. A prova disso é que por exemplo o Salira 2009 é um blend com Aragonez, Crato Preto, Syrah e Touriga Nacional.

Este Syrah tem 13% de graduação alcoólica e percebe-se que o tempo passou por ele com amplitude. Na cor, assim como no nariz e obviamente na boca, percebe-se que tem bem os 11 anos que o rótulo diz ter. Está muito interessante para um Syrah geriátrico. Não sabemos quanto tempo mais demorará a começar uma evolução descendente.

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Por isso é melhor não hesitar. Se este Syrah despertou interesse ao leitor, o Blogue do Syrah dá-lhe uma dica: a garrafeira Estado de Alma tem lá ainda umas três ou quatro garrafas. É de aproveitar!

Platão escreveu, colocando na boca de Sócrates, o seguinte:
“O Syrah molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente… Syrah reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga… Bebido moderadamente em pequenos goles de cada vez, Syrah beijará os pulmões como o mais doce orvalho da manhã… Syrah não viola a razão, convida-nos gentilmente a uma agradável alegria.”
Aproveitem e façam o dito com este Salira Syrah… enquanto houver!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 8,50€


 

Da colina do Hermitage … até à mesa de Michel Chapoutier!

O Norte do Vale do Rhône não chega a ter 100 Kms, e vai desde Vienne a Valence, por baixo de Lyon.
É onde se situa o reino de uma casta intensa e muito aromática: a casta Syrah, por nós tanto amada, que tem aqui o seu território de eleição!
E é mais precisamente em Tain l`Hermitage, que o nome de Michel Chapoutier predomina e ecoa por todo o lado (como bem comprovou o Blogue do Syrah quando lá esteve), ultrapassando fronteiras e chegando ao outro lado do mundo.

Neste vídeo que hoje apresentamos, Michel Chapoutier quer mostrar como se pode compreender a terra, ou melhor, o terroir do qual pretende ser um intérprete fiel. Nesta colina do Hermitage, vamos descobrir como algumas parcelas podem expressar a mesma casta de forma diferente.
A vinificação, como é entendida por Michel Chapoutier , é uma filosofia em si. O amor à terra e o respeito pelos homens que a trabalham levaram-no naturalmente a evoluir para a biodinâmica desde 1991. A riqueza e a eloquência do viticultor fazem o resto. É uma paixão desmedida e que partilhamos.

Um lição de 20 minutos que vale mais que 1000 aulas de enologia!