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ACL – Syrah, 2009

Nas nossas deambulações pelo país, a tentar perceber o estado de maturação das uvas tendo em conta a vindima que já se desenrola em várias regiões do país, neste caso pela região vitivinícola de Lisboa, mais precisamente no Turcifal, calhou darmos um salto a Torres Vedras onde fomos aconselhados a visitar uma charcutaria antiga, com 58 anos de idade, não pelos enchidos, vade-retro, ou frutas, bem-vindas, que abundam à porta da dita, mas pela grande e preciosa garrafeira que possui. Ficámos deslumbrados!

E não é que descobrimos mais um Syrah da região de Lisboa, mais precisamente da Adega Cooperativa da Labrugeira, C.R.L.

Trata-se de um Syrah a 100% com uma graduação alcoólica de 13% e do ano de 2009.

Brevemente a análise detalhada que se impõe!


 

Arruda dos Vinhos, Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, hoje em destaque, fez uma única safra de monocasta Syrah, no ano de 2009, que se encontra já esgotada. Ao Blogue do Syrah foi muito gentilmente cedida pelo produtor uma garrafa, quando soube que não conhecíamos o seu Syrah. Ficámos muito agradecidos.

A fermentação deu-se em cuba de inox com sistema de pisa automático e controlo de temperatura de fermentação. Estagiou durante 5 meses em barricas de carvalho francês e carvalho americano e 2 meses em garrafa na cave. As notas de prova dizem que tem uma “cor granada intensa e aroma a frutos vermelhos, sendo na boca equilibrado e suave devido à excelência da qualidade da casta.”

Começado o embate, imediatamente entrámos em discordância com o supra dito, não podemos deixar de o afirmar. Nem a cor granada é intensa, nem nos parece ser equilibrado e suave. A excelência da casta não se discute, tal como a pátria ou a autoridade, mas é preciso saber urdir com sabedoria as suas subtilezas. Foi safra única e francamente não vai deixar saudades. Em nosso parecer é preferível a Adega de Arruda dos Vinhos utilizar a uva Syrah para fazer os famosos blends de agrado geral, como aliás tem feito desde essa altura. Ou então que parta de novo para uma aventura Syrahniana, mas com um espírito completamente diferente, de modo a conseguir alcançar novos de subtileza. Cá estaremos para o avaliar, se for o caso.

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A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos foi fundada em 1954, numa altura em que se assistiu em Portugal ao aparecimento de muitas adegas que foram criadas como ferramentas imprescindíveis para garantir o escoamento da uva, a qualidade do vinho e a estabilidade do preço conseguido pelos produtores das várias regiões. Foram 25 os produtores agricultores que, na altura, se resolveram organizar, levando a cabo a constituição da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos.

Em Arruda dos Vinhos a qualidade da produção vitivinícola foi, desde sempre, uma imagem de marca da região. Quando a Adega é criada, agregando vários produtores da região, torna-se no maior produtor de vinho de Arruda, realidade, aliás, que se mantém até hoje.

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Actualmente a Adega de Arruda tem cerca de 300 associados ativos e uma área de vinha com várias centenas de hectares. Destas vinhas, predominantemente implantadas em terrenos argilo-calcários, provêm os melhores vinhos da região. As instalações ocupam uma área total de mais ou menos 32 mil m2, sendo 4.760 m2 de área coberta, onde se encontram os serviços administrativos, os laboratórios, as linhas de engarrafamento, os armazéns de material subsidiário, matéria-prima e material acabado, bem como a loja da Adega de Arruda.

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A Adega dispõe de todo o equipamento de recepção das uvas, vinificação, estabilização e armazenagem e possui uma capacidade de engarrafamento que permite dar resposta aos compromissos comerciais e expectativas de mercado, bem como cumprir os requisitos exigidos pelas normas de Higiene e Segurança Alimentar.

O escritor romântico Stendhal, que nos deixou para ler eternamente A Cartuxa de Parma e o O Vermelho e o Negro, escreveu:
“Os homens que encontro nas estradas, perto de Dijon, são pequenos, secos, alegres, coloridos, é claro que o bom vinho governa todas esses temperamentos”

Quando o vinho não é bom… subentenda-se o restante que por hoje terminámos!

 

Classificação: 14/20                                                    Preço: 4,80€


 

Pactus, Quinta do Carneiro, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Sob o calor ameno deste Verão luminoso, deleitados ante a paisagem serena da Extremadura a escorregar para o Tejo, temos ante nós o Pactus, Syrah da Quinta do Carneiro, situada em Alenquer. Há grandes Syrah em Alenquer, como o nosso leitor assíduo haverá de recordar, mas este Pactus, apesar do nome sonante que possui não é mais que um Syrah razoável, que pode muito bem cumprir a sua missão no dia a dia mas nada mais que isso. Bebe-se, é um Syrah, mas falta-lhe a tenacidade que encontramos em outros “irmãos” da mesma região.

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As terras de Alenquer estendem-se entre a linha sinuosa das elevações argilo-calcárias da cadeia montanhosa de Montejunto e os campos aluviais da margem direita do rio Tejo. Quase um quadrilátero, medindo ligeiramente mais de 300 quilómetros quadrados, desdobrando-se numa paisagem inconstante de montanhas, montes, vales e passagens estreitas, coberta em grande extensão por uma carpete de vinhas, que todos os anos regressa à vida numa mistura fresca de mil e uma cores de verde primaveril e se tinge com a melancolia dos amarelos e vermelhos durante a estação outonal da apanha da uva. É nesta paisagem, olhando o enorme maciço do Montejunto e a calma das águas do Tejo, que está situada a Quinta do Carneiro, trabalho de muitas gerações dedicadas à administração avisada das generosas ofertas da natureza.

De acordo com Guilherme Carlos Henriques em “In Alenquer e o seu Concelho”, 1873, “Quinta do Carneiro deriva do sobrenome do seu actual proprietário, Sua Excelência o Conde de Lumiares; Carneiro e Sousa”.

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A Sociedade Agrícola do Carneiro desenvolve a sua actividade no sector da vinha e do vinho, assumindo a condição de produtor e engarrafador. Possui uma área de cerca de 50 hectares de terrenos argilo-calcários, dispostos em encostas de declive suave, com exposição a Sul, que anualmente produzem, em média, 3.000 hectolitros de vinho das várias castas. A adega está equipada com a mais recente tecnologia sendo possível efectuar todas as operações desde o cacho até à garrafa. Faz parte da adega um pequeno laboratório para análises básicas de forma a se obterem rápidas respostas quanto ao estado dos vinhos/mostos.

A Quinta do Carneiro é beneficiada por um clima influenciado pela transição de um Atlântico temperado para um Mediterrâneo árido. De uma forma lata, o clima da Quinta, decisivamente condicionado pela barreira montanhosa que se estende desde a Serra de Montejunto (600 m), que rodeia a região de Alenquer a Norte e Leste, e que da aos seus vinhos a sua característica única. Estas montanhas constituem uma barreira natural que quebra a influência dos ventos atlânticos dominantes, carregados de humidade e transportando baixas temperaturas. Por outro lado, permitem a penetração do clima mediterrânico, caracterizado por altas temperaturas, baixa humidade e acumulação rápida de calor de verão.

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Voltando ao nosso Syrah, sabemos que estagiou em barricas de carvalho Francês e/ou Americano durante 6 meses, tem uma graduação de 14%, e o enólogo de serviço é Ricardo Santos. As notas de prova dizem que “apresenta uma cor rubi de concentração média e um nariz bem preenchido por aromas de fruta vermelha madura aliados a delicadas notas florais e um leve toque especiado e tostado, na boca é um vinho suave e equilibrado, com taninos polidos e um paladar agradável, cheio de fruta e delicadas notas de especiarias, o final de boca é mediano.”

O grande Aubert de Villaine, erudito proprietário do Domaine de Romaneé-Conti na Borgonha, que produz um dos vinhos mais caros do mundo, disse: “Não fico surpreso que as pessoas não identifiquem estes aromas todos nos vinhos que compram. Eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho isso muito fastidioso. Não estou interessado nisso, e sim na personalidade do vinho.”

Até podemos concordar com Aubert de Villaine, mas este Pactus também não tem uma personalidade que se possa destacar, mesmo que os aromas sejam os que cada um consiga identificar!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,50€

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A Quinta do Gradil tem um novo Syrah!!!

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Já sabíamos que a Quinta do Gradil tinha um Syrah, e de qualidade, que oportunamente foi apresentado aqui, produzido em condições especiais e fazendo apelo a uma comunidade de amigos. Foi uma história que nos deu muito prazer contar e que convidamos todos a relerem.

Hoje damos em primeira mão a informação de que a Quinta do Gradil está neste momento a lançar no mercado um novo Syrah, que irá substituir o anterior, e feito em moldes diferentes, com uma produção de 4200 garrafas, ano 2013.

Os enólogos são os da casa, António Ventura e Vera Moreira.

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Estas e outras informações foram gentilmente fornecidas pelo responsável na Quinta do Gradil para o mercado interno, Joaquim Coelho, que, através de um discurso muito claro, nos fez compreender que apesar de este Syrah ser da mesma vinha de 120 hectares existente na Quinta, os processos utilizados não são exactamente os mesmos, nomeadamente o tempo de estágio, que no caso anterior era de 8 meses e neste syrah de 2013 é de 14 meses, e isso faz muita diferença.

A graduação alcoólica é também distinta. O Syrah de 2012 tem 14,5% e o presente tem 14%!

Isto leva-nos a concluir que estamos perante dois Syrah diferenciados, o que leva o texto do rótulo a dizer que se trata de “Um syrah muito expressivo, de cor retinta e aromas intensos de bagas do bosque, pontuados com notas químicas e um toque de mineralidade. Elegante na boca, revela harmonia entre a fruta e os taninos evidentes mas bem integrados, num conjunto enriquecido por 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês. O seu final é prolongado e distinto.”

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Vamos ainda referir um aspecto importante para o consumidor, a que geralmente aqui no Blogue do Syrah damos muita importância: a relação qualidade/preço. E aqui temos mais uma novidade fantástica! O Syrah de 2012 custa 11,50 euros nos poucos sítios onde ainda é possível encontrá-lo, mas claro, na garrafeira Estado d`Alma, sempre à procura do melhor preço, o seu preço é de 9,95 euros. Pois bem, este novo Syrah, que hoje aqui nos traz, vai estar à venda por 5,72 euros, o que representa uma diminuição muito significativa a que não podemos deixar de ser sensíveis.

A Quinta do Gradil está pois de parabéns por esta óptima notícia, agora que o Verão está de vento em popa!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 7,00€


 

Novo Syrah Quinta do Gradil, 2013!

Hoje damos em primeira mão a informação de que a Quinta do Gradil está neste momento a lançar no mercado um novo Syrah, que irá substituir o anterior, e feito em moldes diferentes, com uma produção de 4200 garrafas, ano 2013.


 

Quinta de S. Jerónimo, Sartal, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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A Quinta de S. Jerónimo, por onde perambulamos hoje, é uma quinta na região de Alenquer, situada às portas de Lisboa, que tem por detrás de si uma longa história, da qual iremos dar um pequeno resumo, mas que está nas nossas bocas devido ao facto de ter um monocasta Syrah, de 2013, e que já ganhou alguns prémios. Vamos pois saber mais.

As notas de prova dizem que é um vinho “muito concentrado, austero e químico, fechado, a precisar de tempo. Boa textura, quase se mastiga, o álcool é evidente mas o vinho mostra garra. Com contenção, pode ser bom parceiro de mesa.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.

Conhecem-se quatro safras, 2007, 2009, 2011 e esta aqui em destaque, de 2013. Apesar da simpatia, quer do produtor, José Aniceto, quer do enólogo, Julião Baptista, que possibilitaram a chegada ao Blogue do Syrah de uma garrafa de cada uma das safras mencionadas, não podemos deixar de lamentar o facto de estarmos em presença de mais uma empresa vitivinícola que descura totalmente o mundo digital e respectivo marketing. A Quinta de S. Jerónimo não tem site, não tem blogue, não tem página de facebook, ou de qualquer outra presença nas ditas redes sociais, ou seja, apesar deste ser um Syrah bastante interessante e ser produzido às portas da capital, o consumidor não tem acesso a qualquer informação relevante. O nosso papel como divulgadores dos Syrah portugueses também sai muito dificultado e a informação recolhida é sempre escassa, apesar de ser a possível. Avancemos pois.

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A Quinta de S. Jerónimo, anteriormente conhecida por Quinta do Mato, deve o seu nome ao antigo Convento de São Jerónimo. Na obra ‘Alenquer e o Seu Concelho’, de 1873, Guilherme João Carlos Henriques informa que a Casa que pertenceu à Ordem de S. Jerónimo foi fundada por Frei Vasco, em 1354. Com o terramoto de 1755 o Convento sofreu danos consideráveis, em especial a capela.

Com a extinção das Ordens Religiosas, os conventos e bens patrimoniais dos mosteiros foram confiscados pelo Estado, que depois foram vendidos e leiloados a entidades particulares. O Convento de S.Jerónimo, integrado numa imensa quinta, foi reconvertido em residência particular e a sua exploração agrícola passou a reger-se pela lógica da iniciativa privada dos meios de produção. Esta Quinta foi em 1876 distinguida, na pessoa dos seus proprietários, com um prémio na exposição de Filadelfia, como produtor de cereja, considerada a maior produtora em Portugal nessa época. Em 1934 era seu proprietário José António Tavares.

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As festas anuais, em honra de São Jerónimo, realizam-se no último fim de semana de junho. São atualmente organizadas pelo Rancho Folclórico “Primavera em Flor” do Mato, fundado em 1985.

E já que esta quinta tem uma história tão ligada a uma ordem religiosa, vem a propósito relembrar o que Frei Rafael dizia com sabedoria:

“O Vinho é a chave que, sem dar a volta, abre o coração e solta os pensamentos.”

Era bom que o atual proprietário soltasse o pensamento e se abrisse aos novos tempos, que de abrir o coração para este Syrah tratámos nos aqui, divulgando a sua quinta de modo a que o consumidor tivesse um conhecimento mais preciso e informado sobre a sua produção vinícola!

Classificação: 15/20                                                  Preço: 7,50€