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Bento dos Santos, o prolífero do Syrah!

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Bento dos Santos é simplesmente um dos grandes senhores do Syrah em Portugal.

Para além da enorme qualidade que se percebe em cada Syrah que sai da sua Quinta, o que o distingue sobremaneira é a diversidade que, nestes vinte anos de Syrah, já lhe conhecemos. Trouxe a casta directamente de França, do Vale du Rhône, para Alenquer, para a sua Quinta do Monte d´Oiro. A importância deste enólogo é de tal ordem que ainda hoje é demasiado cedo para sabermos com precisão o alcance de toda a sua influência nos demais produtores de Syrah em Portugal.

São seis os Syrah da sua responsabilidade que foram criados na Quinta de Alenquer:

Homenagem a António Carqueijeiro, Syrah (94%) e Viognier (6%) (esgotado)

Reserva d´Oiro,  Syrah (94%) e Viognier (6%)

Lybra, Syrah (100%)

Vinha da Nora, Syrah (100%) (esgotado)

Syrah 24, Syrah (100%)

Syrah Rosé, Syrah (100%)

Claro que preferimos os Syrah a 100%, como sempre dizemos, e é nessa direcção que nos batemos, mas nenhum deles pode, ou deve, ser ignorado. Na devida altura falaremos mais em pormenor destes Syrah e da Quinta que os produz.

José Manuel Bento dos Santos é engenheiro Químico Industrial pelo Instituto Superior Técnico desde 1970. Iniciou a sua carreira profissional no Barreiro, como quadro da CUF, essa grande escola de engenharia e gestão. De Chefe de Produção da Metalurgia do Cobre passou, ao fim de poucos anos, para Director do Marketing de Metais tendo, nessas funções, corrido mundo. Foi docente universitário regendo as cadeiras de Metalurgia e de Gestão de Empresas. Fez parte do Conselho de Administração de várias empresas e, em 1981, fundou a Quimibro, uma empresa broker de metais única no género em Portugal e líder de mercado.

A partir de 1990, deu início ao ambicioso projecto vitivinícola da sua Quinta do Monte d’Oiro, em Alenquer, de onde, logo desde a primeira colheita (1997), têm saído vinhos de grande gabarito e prestígio não só nacional como internacional.

Desde muito cedo que foi notório o seu profundo interesse pelo sentido do gosto, dedicando toda a vida ao culto da gastronomia na sua forma mais pura, e da própria culinária, onde aplicou os seus conhecimentos à descoberta das harmonias perfeitas entre vinho e comida. Nas suas contínuas viagens teve a oportunidade de frequentar os mais famosos restaurantes e de contactar e praticar com grandes cozinheiros de todo o mundo. Ao mesmo tempo teve o privilégio de conhecer e provar os vinhos mais requintados. Iniciou a sua colecção de vinhos há mais de 30 anos, participando activamente nos leilões do Christhie’s ou da Sotheby’s e ainda através do contacto directo com alguns dos mais reconhecidos produtores mundiais.

É Vice-Presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Conselheiro Gastronómico da Chaîne des Rôtisseurs, Cavaleiro da Confraria do Vinho Porto, membro da Académie des Psycologues du Goût , Chevalier des Entonneurs Rabelaisiens e Chevalier du Tastevin. Recebeu da Presidência da República Portuguesa o grau de Comendador da Ordem de Mérito Agrícola (2006) e foi condecorado pelo Ministro francês para a Agricultura e Pescas (2007). Em 2008, recebe o mais elevado reconhecimento da Chaîne des Rôtisseurs (a Medaille d’Or ) e ainda, do Ministério da Economia e Inovação, a Medalha de Mérito Turístico.

É autor dos livros “Subtilezas Gastronómicas – receitas à volta de um vinho” (Assírio & Alvim, 2005) – inspirado no primeiro vinho branco da Quinta do Monte d’Oiro –, “O Sentido do Gosto” (Livros d’Hoje, 2008) e “Allgarve Gourmet ” (Prime Books, 2008), publicando ainda artigos regulares sobre gastronomia e vinhos em revistas da especial idade e outros meios de comunicação. Profere diversas conferências sobre estas temáticas no país e no estrangeiro e foi o docente responsável pelo seminário “O Sentido do Gosto” destinado aos alunos do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST.

É igualmente autor e apresentador de duas séries televisivas, de larga audiência, em vários episódios sobre os temas do vinho e da gastronomia: “Segredos do Vinho” (SIC, 2004) e “O Sentido do Gosto” (RTP, 2007-2009).

Voltamos ao ponto de partida: no que diz respeito ao Syrah, José Manuel Bento dos Santos conjuga qualidade e diversidade. É um dos maiores especialistas (a par de António Saramago, de que já falámos anteriormente) a fazer Syrah em Portugal!

Não é a primeira vez que dizemos isso e não será certamente a última: se o Syrah português é tão bom e de reconhecida qualidade superior, isso deve-se em primeiro lugar aos homens que o fizeram e depois, naturalmente ao “terroir” onde ele é feito! Exactamente e por esta ordem!


 

Vale Zias, Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, 100% Syrah, Lisboa, 2011

Do Alentejo para a região vinícola de Lisboa é um pulinho. O “terroir” é diferenciado mas mantém-se algo em comum: syrah de qualidade inolvidável. E o syrah que temos hoje para vos apresentar (os leitores do Blogue do Syrah merecem os melhores vinhos) é de excelência. Mais: o que também impressiona é a relação qualidade/preço, sempre muito importante para nós, constantes bebedores deste néctar dos deuses. Trata-se de um syrah cujo preço está claramente abaixo dos 5 euros, e em essência acima da média em termos de apreciação.

Reparem nas notas de prova: “cor rubi violácea, aromas com boa definição onde predominam frutos vermelhos e bagas, assim como aroma a frutos maduros e de grande estrutura, boca elegante de taninos redondos e maduros, final harmonioso e de boa persistência”. É preciso dizer mais?

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A vinificação é feita à boa maneira dos antigos. As uvas são fermentadas em lagar de forma tradicional.

Em conversa com o produtor e enólogo, Manuel Arsénio, que já o ano passado gentilmente se tinha encontrado connosco (e generosamente nos tinha dado a provar duas garrafas do Vale Zias que ainda se encontrava nas pipas, mostrando já toda a sua pujança!) ficamos a saber que o Vale Zias syrah conheceu 4 safras. Desde 2005, a primeira, com 5000 garrafas. A segunda em 2007 com uma subida brutal para 16000 garrafas. A terceira safra em 2009 com 18000 garrafas (situação não muito habitual para um monocasta syrah em Portugal) e finalmente a safra que hoje apresentamos, a de 2011, com 8500 garrafas, justificadas com o ajustamento ao mercado nacional tendo em conta o facto de que 85 a 90% de toda a produção se destinar ao mercado nacional.

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A empresa Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda foi fundada em 2005, no entanto as suas origens têm por base um cariz familiar, que já desenvolve a sua actividade agrícola na região vinícola de Lisboa há várias décadas, tendo procedido ao primeiro enchimento de vinho nos anos 30. E tem como principais actividades a produção e comércio de vinho engarrafado, produção de pêra rocha e consultoria técnica em Enologia.

Em frente de uma taça de Vale Zias, um melancólico dia destes, encontrámos alguns textos do poeta, matemático e astrónomo persa dos séculos XI e XII, Omar Khayyām, entre eles o poema RUBAIYAT, que nos diz o seguinte:

“Vinho faz perdoar a pena de viver.
Bebe vinho! Vinho cor de rubi, vinho cor-de-rosa, vinho cor de sangue!
Bebe vinho!
Tens muitos séculos para dormir.
Vinho é amargo? Não importa! Tem o gosto da vida!
Todos os reinos por uma taça de vinho precioso.
Todos os livros e toda a ciência dos homens por um perfume suave de vinho.
Todos os hinos de amor pela canção do vinho que corre.
Toda a glória de Feridoum pelos reflexos do vinho na ânfora.
Bebo o vinho que me oferece uma linda rapariga e não cuido de minha salvação.
Sempre ouço dissertar sobre os gozos reservados aos eleitos, limitando-me a dizer:
Só tenho confiança no vinho.
Bebe vinho!
Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.
Bebe um pouco de vinho porque dormirás muito tempo,
debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
Nosso amigo mais velho é o vinho mais novo.
O vinho destrói os cuidados que nos atormentam e nos dá a quietude perfeita.
Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno.
Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno o paraíso deve estar vazio.
Vinho! Eis o remédio que carece o meu coração doente.
Vinho com perfume almiscarado! Vinho cor-de-rosa!
Dá-me vinho para apagar o incêndio da minha tristeza.
Bebe e esquece que o punho da tristeza breve te derrubará.
Vinho! Vinho em torrentes! Que ele palpite em minha veias.
Que ele borbulhe em minha cabeça!
Quando bebo, ouço mesmo o que não me pode dizer a minha bem amada!
Mais vale uma ânfora de vinho do que o poder, a glória e as riquezas.
O vinho libertar-te-á das névoas do passado e das brumas do futuro.
O vinho inundar-te-á de luz, livrando-te dos grilhões de prisioneiro.
Quando Deus me criou sabia que eu beberia vinho.
Se me tornasse abstémio, sua ciência estaria errada.
Trazei-me todo o vinho do Universo!
Meu coração tem tantas feridas!…
O vinho proporciona aos sábios uma embriaguez semelhante à dos eleitos.
Dá-nos a mocidade, restitui-nos o que perdêramos, põe ao nosso alcance tudo o que desejamos.
O vinho queima como torrente de fogo,
mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca”.

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Agora uma pequena dica: guardem este syrah durante uns anos, apostamos, para já, em 4 anos, e depois vejam a evolução! Este é um syrah capaz de aguentar e melhorar com o tempo. Até apostamos, se for caso disso!

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E terminamos dizendo: se quiserem fazer um brilharete junto de amigos e familiares e não despender muito dinheiro, eis uma óptima opção: Vale Zias syrah!

 

Classificação: 16/20                                              Preço: 4,54€

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Vale Zias, 100% syrah, Lisboa, 2011

No ano passado, depois de uma conversa com o produtor e enólogo Manuel Arsénio, tínhamos sido muito gentilmente premiados com duas garrafas deste syrah ainda em fase de conclusão, que muito agradecemos.

Finalmente acaba de sair para o mercado e ainda bem!

Ainda esta semana faremos uma análise a este syrah do Tejo.


 

cepa pura, 100% syrah, Lisboa, reserva 2013

Acabamos de tomar contacto com esta novidade, um syrah medalhado, com certificação biológica, da Quinta do Montalto, e que ainda não conhecíamos. Foi assim uma dupla novidade. Em breve será por nós degustado e disso daremos notícia destacada.

Em Lisboa, pode ser adquirido aqui.

Vale de Lobos, 100% syrah, Lisboa 2013

Em conversa com a Quinta da Ribeirinha ficámos a saber que foi lançado faz um mês o novo Vale de Lobos de 2013. Nos próximos dias iremos falar sobre este syrah e esta Quinta.