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Castas D´Ervideira, Ervideira, 100% Syrah, Alentejo, 2006

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Apesar da Ervideira ser uma empresa com algum impacto não só em termos de Alentejo mas também de toda a região sul, somente fez uma safra de Syrah, no já longínquo ano de 2006. O produtor, Duarte Leal da Costa, homem de grande simpatia e boa disposição, quando em 2013 o abordamos por causa da impossibilidade de encontrar o Syrah Ervideira no mercado, rapidamente se disponibilizou para nos conseguir umas quantas garrafas.

É um Syrah diferente, a nosso ver, em termos do que consideramos o paradigma para o Alentejo. As notas de prova escritas pelo produtor no contra rótulo da garrafa dizem-nos que é “de cor intensa e aromas de compota de frutas negras, especiarias e algum fumo. Na boca é aveludado e bem estruturado, elegante e persistente, deixando uma agradável sensação de prazer.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. No entanto, a nossa opinião é que é ligeiro de cor, o aroma é bastante neutro, com muito pouca expressão, e é bastante diluído na boca, o que faz sobressair os taninos e certa acidez que não apreciámos.

Apesar de ser um Syrah correcto, está longe de expressar o que a casta pode dar, embora mostre alguma personalidade. Nos tempos que correm, isso é uma característica a ter em conta. Como já foi dito é safra única de 2006, o produtor tem ainda algumas caixas, mas em termos práticos podemos considerar que se trata de um Syrah esgotado, pois já foi retirado do mercado.

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As propriedades de Monte da Ribeira e Herdadinha ambos pertencem à família Leal da Costa, que pode ser rastreada até ao Conde de Ervideira, um fazendeiro bem sucedido que viveu entre séculos 19 e 20. O conde, que recebeu seu título do Rei D. Carlos, em reconhecimento por seu trabalho social na região, começou a produzir vinho em 1880, como se pode ver nas garrafas que a empresa exibe com orgulho na sua sala de degustação de vinhos. Com 160 hectares de vinhedos, divididos entre as fazendas Vidigueira e Reguengos, a administração da Ervideira é realizada pela matriarca da família D. Maria Isabel e seus seis filhos, sendo Duarte Leal da Costa o director executivo. A enologia está sob direcção de Nelson Rolo.

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A nossa citação de hoje é do actor e escritor americano W.C. Fields, que dizia com característica graça “Eu cozinho com Syrah, às vezes até o adiciono à comida.”

Apesar de tudo este Castas não chegou a tanto!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50


 

D´Arada, Sociedade Agrícola Quinta Margem D´Arada, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Até à região vitivinícola de Lisboa rumamos hoje e mais uma vez para conhecer um Syrah de Alenquer, Quinta Margem D´Arada.

É mais um Syrah que enquadramos na categoria de “fraquinhos”, no sentido de caminharem para o exangue, combalido, sem chama, de aromas pouco pautados, pouco encorpados, aguados mesmo, e por aí adiante. É um Syrah com graduação alcoólica de 13,5%, do qual conhecemos esta safra de 2007, tendo já havido uma anterior em 2005, que já não conhecemos e por isso não falamos. Dá para beber no dia a dia, desde que não se tenha o pretensiosismo de querer algo acima da média, e com uma razoável relação qualidade-preço.

Apenas pelas directorias que falam dos percursos pela Rota da Vinha e do Vinho do Oeste se ouve falar desta Sociedade Agrícola Quinta Margem d’Arada, que integra três propriedades – Quinta da Margem D’Arada, Quinta da Bichinha e Quinta da Boavista. Propriedade muito antiga, com existência comprovada na época romana, a Quinta da Margem D’Arada recebe os visitantes que a ela se dirigem numa visita guiada, numa magnífica sala decorada com elementos que não deixam esquecer que se está numa propriedade agrícola dedicada à produção vinícola.

Fernanda Filipe faz as «honras da casa» e não deixa de recordar a antiguidade da propriedade explicando que está documentada nos inúmeros objectos arqueológicos ali encontrados. Outros documentos ancestrais ligam-na ao episódio da morte de D. Inês de Castro: pertenceu a Lopo de Pacheco, pai do «carrasco» da aia da rainha.

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Actualmente tem 50 hectares em produção plena, a Sociedade Agrícola Quinta Margem d’Arada aposta ainda maioritariamente no mercado nacional. Entretanto, 20 por cento da sua produção já é destinada ao estrangeiro, nomeadamente a Alemanha, França, Suécia, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe, Estados Unidos, Goa e China.

Mas os responsáveis da Sociedade não se ficaram pelos vinhos, apesar dessa ser a sua actividade primordial. A estes, junta-se a produção de doces e compotas caseiros, de que o «Doce de Vinho» é o ex-libris. “Esta é uma das poucas especialidades gastronómicas da região e caiu de laboração”, explica Fernanda Filipe, recordando ainda que a iguaria era conhecida como «Doce dos Pobres». Feito a partir do mosto da uva, antes da fermentação, e com uma larga variedade de frutas, é um doce «natural», já que o único açúcar que apresenta é o das frutas.

A história rica que esta propriedade documenta não retira uma vírgula ao que dissemos anteriormente em relação ao Syrah que produz!

Numa expressão curta e de tipo popular poderíamos dizer que se trata de um Syrah que não aquece nem arrefece. É no entanto, como já ficou sublinhado, bebível, ao contrário de outros do mesmo calibre!

O mestre português da casta baga, típica da Bairrada, o engenheiro Luís Pato, disse uma vez: “Não se pode fazer vinho ao acaso – a Qualidade é o que o consumidor gosta e paga.”


Neste caso paga-se e não se gosta por aí além… e por vezes é assim!

Classificação: 14/20                                                    Preço: 4,80€


 

ACL – Syrah, 2009

Nas nossas deambulações pelo país, a tentar perceber o estado de maturação das uvas tendo em conta a vindima que já se desenrola em várias regiões do país, neste caso pela região vitivinícola de Lisboa, mais precisamente no Turcifal, calhou darmos um salto a Torres Vedras onde fomos aconselhados a visitar uma charcutaria antiga, com 58 anos de idade, não pelos enchidos, vade-retro, ou frutas, bem-vindas, que abundam à porta da dita, mas pela grande e preciosa garrafeira que possui. Ficámos deslumbrados!

E não é que descobrimos mais um Syrah da região de Lisboa, mais precisamente da Adega Cooperativa da Labrugeira, C.R.L.

Trata-se de um Syrah a 100% com uma graduação alcoólica de 13% e do ano de 2009.

Brevemente a análise detalhada que se impõe!


 

Encosta de Mouros, Adega Cooperativa da Mealhada, 100% Syrah, Bairrada, 2009

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Hoje começamos o dia por dizer da nossa isenção, enfatizando mais uma vez que o Blogue do Syrah não está ao serviço de quem seja, a não ser do grupo de consumidores exigentes ao qual pertencemos.

Por isso se um Syrah nos espanta, e nele encontramos características extraordinárias, não temos problema algum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo nada a ganhar com esse facto a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico e, se for possível, em primeira mão. Mas o que nunca esperámos foi que o contrário também iria de acontecer. E este é o primeiro caso. Infelizmente não é o único, mas é o primeiro de que falamos, ou seja, um monocasta Syrah a 100% que é um Syrah deplorável e mal amanhado, que de Syrah como nós o entendemos nada tem e, como tal, é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola de 14 a 20, portanto nada mais nos resta senão atribuir-lhe um 0!

Outra coisa lamentável, e esta crítica não é feita pela primeira vez, infelizmente, é em relação ao tipo de divulgação que a Adega Cooperativa da Mealhada utiliza. E qual é? Nenhuma. Absolutamente nenhuma! Esta sociedade detentora do Syrah Encosta dos Mouros não tem site, não tem blogue, não tem sequer Facebook, não está presente em nenhuma outra rede social. Não há nada em discurso directo sobre esta sociedade e este Syrah. O que há é em sítios informativos, o nome da sociedade, a morada nº de telefone e nº de fax. Mais nada!

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Mas bem vistas as coisas ainda bem que é assim, porque em relação a este Syrah é preferível que o público consumidor nem sequer saiba que existe, porque assim não é tentado a ser ludibriado.

As notas de prova presente no contra rótulo da garrafa dizem que possui “aroma muito complexo a fruta madura de bagos vermelhos e ameixa, com notas de chocolate e especiarias. Apresenta intensidade corante muito persistente. No palato é equilibrado com boa estrutura e final de boca longo.”

Durante a nossa prova e degustação, tudo isto se revelou falso! Este Syrah é uma bebida de mau gosto, no sentido literal do termo, que chega a dar arranco de entranhas. Tem uma graduação alcoólica de 13,5%. Foram produzidas 7243 garrafas, cabendo à que foi bebida parcialmente pelo Blogue do Syrah, a muito custo, o número 5006.

O grande orador, filósofo e político romano, Cícero, já dizia que “Os vinhos são como os homens: com o tempo os maus azedam e os bons apuram.”

O Syrah da Adega Cooperativa da Mealhada nem precisa de tempo para azedar. É um vinho que nunca devia ter sido lançado no mercado. Os consumidores merecem mais e melhor.

Felizmente que o mundo do Syrah vai muito para além deste sobressalto!

 

Classificação: 0                         Preço: 6,00€


 

Arruda dos Vinhos, Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, hoje em destaque, fez uma única safra de monocasta Syrah, no ano de 2009, que se encontra já esgotada. Ao Blogue do Syrah foi muito gentilmente cedida pelo produtor uma garrafa, quando soube que não conhecíamos o seu Syrah. Ficámos muito agradecidos.

A fermentação deu-se em cuba de inox com sistema de pisa automático e controlo de temperatura de fermentação. Estagiou durante 5 meses em barricas de carvalho francês e carvalho americano e 2 meses em garrafa na cave. As notas de prova dizem que tem uma “cor granada intensa e aroma a frutos vermelhos, sendo na boca equilibrado e suave devido à excelência da qualidade da casta.”

Começado o embate, imediatamente entrámos em discordância com o supra dito, não podemos deixar de o afirmar. Nem a cor granada é intensa, nem nos parece ser equilibrado e suave. A excelência da casta não se discute, tal como a pátria ou a autoridade, mas é preciso saber urdir com sabedoria as suas subtilezas. Foi safra única e francamente não vai deixar saudades. Em nosso parecer é preferível a Adega de Arruda dos Vinhos utilizar a uva Syrah para fazer os famosos blends de agrado geral, como aliás tem feito desde essa altura. Ou então que parta de novo para uma aventura Syrahniana, mas com um espírito completamente diferente, de modo a conseguir alcançar novos de subtileza. Cá estaremos para o avaliar, se for o caso.

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A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos foi fundada em 1954, numa altura em que se assistiu em Portugal ao aparecimento de muitas adegas que foram criadas como ferramentas imprescindíveis para garantir o escoamento da uva, a qualidade do vinho e a estabilidade do preço conseguido pelos produtores das várias regiões. Foram 25 os produtores agricultores que, na altura, se resolveram organizar, levando a cabo a constituição da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos.

Em Arruda dos Vinhos a qualidade da produção vitivinícola foi, desde sempre, uma imagem de marca da região. Quando a Adega é criada, agregando vários produtores da região, torna-se no maior produtor de vinho de Arruda, realidade, aliás, que se mantém até hoje.

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Actualmente a Adega de Arruda tem cerca de 300 associados ativos e uma área de vinha com várias centenas de hectares. Destas vinhas, predominantemente implantadas em terrenos argilo-calcários, provêm os melhores vinhos da região. As instalações ocupam uma área total de mais ou menos 32 mil m2, sendo 4.760 m2 de área coberta, onde se encontram os serviços administrativos, os laboratórios, as linhas de engarrafamento, os armazéns de material subsidiário, matéria-prima e material acabado, bem como a loja da Adega de Arruda.

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A Adega dispõe de todo o equipamento de recepção das uvas, vinificação, estabilização e armazenagem e possui uma capacidade de engarrafamento que permite dar resposta aos compromissos comerciais e expectativas de mercado, bem como cumprir os requisitos exigidos pelas normas de Higiene e Segurança Alimentar.

O escritor romântico Stendhal, que nos deixou para ler eternamente A Cartuxa de Parma e o O Vermelho e o Negro, escreveu:
“Os homens que encontro nas estradas, perto de Dijon, são pequenos, secos, alegres, coloridos, é claro que o bom vinho governa todas esses temperamentos”

Quando o vinho não é bom… subentenda-se o restante que por hoje terminámos!

 

Classificação: 14/20                                                    Preço: 4,80€


 

Lobo Novo, Casa Agrícola Assis Lobo, Lda, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Em Setúbal temos hoje este Syrah Lobo Novo, da Casa Agrícola Assis Lobo Lda, safra única de 2013, avisando desde já que não vale a pena procurar de sua existência porque foi uma encomenda exclusivamente para o mercado externo, e nem sequer está mencionado no site da empresa.

Por intermédio da Garrafeira d´Estado de Alma, quem mais, tivemos oportunidade de degustar este Syrah mais do que uma vez, e, como tal, estamos em condições de emitir um parecer sobre este Lobo Novo.

As notas de prova dizem este Syrah “Com aromas a groselhas, mirtilhos, amoras, algumas notas florais de violetas envoltos num paladar aveludado e com um toque de especiarias.” Graduação alcoólica de 13%. A vindima foi realizada na terceira semana de Setembro, em clima seco. Colheita manual. A vinificação foi feita com desengaçe e esmagamento total, seguido de fermentação com temperatura controlada em cuba-lagares e com macerações longas. Estágio de 4 meses em madeira de carvalho francês e americano.

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A Casa Agrícola Assis Lobo, Lda, foi estabelecida recentemente, em Maio de 2002. No entanto, a vitivinicultura está profundamente enraizada na nossa família desde tempos muito recuados. De geração em geração, esta tão nobre arte tem sido aperfeiçoada e adaptada às exigências daqueles que a apreciam e julgam. Tendo como máxima prioridade a elevada qualidade dos nossos vinhos, apenas uvas provenientes dos nossos vinhedos, situados nas zonas mais privilegiadas da região de Palmela (como são o Lau, Fonte da Barreira, Poceirão e Fernando Pó) são utilizadas.

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Sede e escritório funcionam na adega antiga, situada no centro histórico da vila de Palmela, onde são armazenados e promovidos os vinhos. O centro de vinificação (adega nova) fica em Fernando Pó, uma área privilegiada para a produção de vinhos da Península de Setúbal.

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O romancista francês Claude Tillier escreveu:
“Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”

Se tivéssemos Lobo Novo como bebida, essa seria uma boa solução, tanto para a alma como para carteira, tendo presente aqui a relação preço/qualidade.
Como não está disponível no mercado interno teremos sempre possibilidade de o substituir por outro Syrah da mesma classe!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 5,50€

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