Monthly Archives: July 2015

Paciência, Casa Agrícola Paciência, 100% Syrah, Tejo, 2003

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Até ao Ribatejo viemos hoje para travar conhecimento com o Syrah da casa Paciência. Um Syrah que até hoje conheceu duas safras. Apesar de praticamente impossíveis de encontrar, conseguimos arranjar uma garrafa da safra de 2003 e outra da safra de 2007. Infelizmente a garrafa que nos coube em sortes de 2007 estava avinagrada, completamente intragável, mesmo estando a rolha aparentemente em bom estado. Logo o nosso comentário recai totalmente sobre a safra de 2003. Teoricamente o mais natural teria sido a garrafa de 2003 a dar sinais  clara degenerescência e não a de 2007. Mas o que aconteceu foi exactamente o contrário. Adiante.

As notas de prova falam de “média concentração na cor, vegetal seco e resina, falta mais fruta no aroma. Balsâmico na boca, rebuçado, fruto doce, falta alguma elegância, simples no conjunto.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5%. O enólogo foi Leonel Cruz.

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A Casa Paciência é uma empresa vitivinícola, em Alpiarça, produtora de vinhos ribatejanos há mais de 100 anos. De cariz familiar, tem sede em Alpiarça, no Ribatejo, onde conta já quatro gerações de lavradores ligados à vinha e ao vinho, portanto com mais de 100 anos de história, sendo o seu fundador Manoel Paciência Gaspar.

A adega actual que serve a Casa foi construída em 1962; mantém os moldes tradicionais de produção de vinho com equipamentos e depósitos originais a funcionarem em pleno. Em paralelo foram implementados novas tecnologias como o sistema de frio para arrefecimento dos mostos em fermentação. Em alguns casos ainda se faz a “pisa-a-pés” quando a qualidade da matéria-prima assim o justifica.

Nos últimos anos, a Casa Paciência assumiu também uma vertente de enoturismo, abrindo as portas da adega ao público em geral, com visitas às caves e prova de vinhos.

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A adega encontra-se instalada num pátio rodeada de limoeiros. As vinhas estendem-se por 16 hectares. As castas dividem-se em brancas Fernão Pires e Tálias e as pretas como Periquita e Cabernet Sauvignon.

O papa João XXIII, de boa memória, disse um dia que: “Os homens são como o Syrah – alguns viram vinagre, mas outros melhoram com a idade.” Das mulheres o mesmo se pode dizer, acrescentamos nós.

O Syrah Paciência 2007 virou vinagre bem antes do tempo. O de 2003 é um Syrah ignavo, sem garra, de aromas pouco presentes, e por isso tem a nota mais baixa que o Blogue do Syrah pode dar a um monocasta Syrah!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,00€


 

Planura, Unicer Vinhos S.A., 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Hoje apresentamos o Syrah Planura, produzido pela Unicer Vinhos, que é simplesmente a maior empresa portuguesa de bebidas, com uma estratégia multimarca e multimercado, cuja actividade assenta sobretudo nos negócios das Cervejas e das Águas engarrafadas. Estão, igualmente, presentes nos segmentos dos refrigerantes, dos vinhos, e bem, como aqui se vai perceber, na produção e comercialização de malte e no negócio do turismo, detendo dois activos de referência na região de Trás-os-Montes: os Parques Lúdico-Termais de Vidago e Pedras Salgadas.

A Unicer está presente de Norte a Sul do país, conta com 1350 colaboradores, possui 13 estabelecimentos que incluem centros de produção de cerveja, de sumos e refrigerantes, e de vinhos, assim como centros de captação e engarrafamento de água, além de vendas e operações. A Unicer exporta 150 milhões de litros, tem 90.000 camiões de transporte para 50 países.

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Planura é um vinho Regional Alentejano que resulta de um rigoroso controlo de qualidade vitícola e enológico, dando origem a vinhos harmoniosos e equilibrados. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5%. As notas de prova dizem que tem “aroma frutos negros maduros e notas ligeiras de especiarias. Madeira ligeira. Na boca alguma acidez e taninos ainda presentes. Fruta negra madura, quase em compota. Especiarias ligeiras e madeira intensa de sabor mas equilibrada em proporção. Enche meia boca. Final médio.”

O Syrah veio encontrar no clima quente e seco da região alentejana, condições óptimas para o desenvolvimento de vinhos de perfil ímpar, simultaneamente maduros e frescos, muito diferentes nas suas características dos obtidos desta mesma casta noutros locais como na região francesa do Ródano, onde inicialmente teve maior expansão. Apresenta cor intensa, grande distinção aromática, com predominância de aromas a chocolate, compotas e algumas notas fumadas. A sua estrutura de taninos confere uma prova cheia, frutada e elegante.

Região de ondulantes planícies, o Alentejo apresenta uma paisagem relativamente suave e plana que se estende por quase um terço de Portugal continental.

Só a Serra de São Mamede, a norte da denominação, se diferencia do padrão. Os solos alternam entre o xisto, argila, mármore, granito e calcário, numa diversidade pouco comum. O clima é claramente mediterrânico, quente e seco, com forte influência continental.

O Alentejo encontra-se dividido em oito sub-regiões, Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira, agrupadas em três grupos distintos. Portalegre é a sub-região mais original, com solos predominantemente graníticos, influenciada pela frescura da Serra de São Mamede. A paisagem oferece inúmeras parcelas de vinhas velhas, plantadas nas encostas íngremes da serra, beneficiando de um microclima único que confere frescura e complexidade.

Borba, Évora, Redondo e Reguengos personificam a identidade alentejana, terra de equilíbrio e harmonia, na proporção certa entre frescura e fruta, energia e suavidade. As sub-regiões de Granja-Amareleja, Moura e Vidigueira, no Sul da denominação, oferecem vinhos mais quentes e suaves, com terras pobres e secas, onde a vinha sofre com a dureza do clima e a pobreza dos solos.

Terminamos citando o grande poeta, dramaturgo, novelista, cientista, homem de estado e encenador, considerado a maior figura literária da cultura alemã, Johann Wolfgang von Goethe:
“O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes.”

O Syrah nomeado Planura pode muito bem conduzir por esse alegre caminho de probidade!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,99€

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Vale dos Barris, Adega Cooperativa de Palmela, 100% Syrah, Setúbal, 2011

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Estamos em Setúbal uma vez mais para conhecer o Syrah da Adega Cooperativa de Palmela, denominado Vale dos Barris.

Vamos ser claros e objectivos: durante muito tempo o Blogue do Syrah considerou este Syrah como o mais fraco Syrah feito em terras lusitanas! No entanto ganhou uma medalha de ouro no concurso internacional Syrah du Monde, onde apenas são avaliados vinhos feitos a partir da casta Syrah. É claro que podíamos avançar com várias teses para justificar esta medalha de ouro. O júri não estava nos seus melhores dias quando atribui esta medalha, ou isto é prova de que os Syrah portugueses são de facto espectaculares, pois basta ir um Syrah “fraquinho” a um concurso internacional para ganhar logo uma medalha de ouro. E outras teses se poderiam aqui apresentar. Mas isso não é o mais importante. O que é importante dizer é que apesar da qualidade de gama mais baixa, em nosso entender, deste Syrah, assim mesmo tem uma boa relação qualidade-preço. Infelizmente depois de o Blogue do Syrah considerar durante algum tempo este Syrah como o menos conseguido dos Syrah portugueses, descobrimos outros bem mais fracos que o Vale dos Barris, alguns dos quais mesmo intragáveis, que não merecem a designação de “monovarietal Syrah”. Falaremos deles a seu tempo.

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Regressando ao Barris, as notas de prova referem que “Apresenta uma cor granada intenso, um aroma a frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira. O sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados, termina com um final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” Assim seja.

Situado em plena área metropolitana de Lisboa, o concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, ficando uma parte do território concelhio inserido na Reserva Natural do Estuário do Sado e, uma outra, no Parque Natural da Arrábida.

O concelho de Palmela está situado numa zona de clima temperado, embora com influências mediterrânicas e atlânticas. As temperaturas médias oscilam entre os 11º, em Janeiro, e os 30º, em Agosto. Fundada em 1955 com a designação de Adega Cooperativa da Região do Moscatel de Setúbal, iniciou a sua actividade em 1958.

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A Adega Cooperativa de Palmela é um dos principais pólos de desenvolvimento do Concelho que é marcadamente agrícola e onde a vinha e o vinho têm por razões históricas um peso bastante grande. A principal zona vitícola situa-se na planície arenosa que constitui grande parte do Concelho de Palmela.

A Adega Cooperativa de Palmela iniciou a sua actividade com 50 associados e com uma produção que não excedia os 1,5 milhões de litros. Nos dias de hoje a produção ultrapassa os 8 milhões de litros, e a Adega dispõe de capacidade para atingir os 10 milhões , sendo 75% Vinho Tinto, 15% Vinho Branco e 10% Moscatel de Setúbal.

Tem actualmente 300 associados que possuem uma área combinada de 1000 hectares. Uma parte substancial da sua produção é engarrafada através de 5 linhas automáticas com capacidade para 10.000 garrafas/hora. A Adega Cooperativa de Palmela tem vindo ao longo dos anos a actualizar a sua tecnologia, quer de fabrico quer de engarrafamento e hoje é uma unidade certificada desde 2003.

A história deixou-nos esta máxima de um anónimo – só podia ser- que diz: “Vinho é a vingança masculina em relação ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!“

Essa garrafa pode bem ser ciclicamente o Syrah do Vale dos Barris, apesar de tudo!

 

Classificação: 14/20                                                  Preço: 3,84€

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QP., Marcolino Sebo, 100% Syrah, Alentejo, 2011

De regresso ao Alentejo, zona onde a nossa casta preferida brota em toda a sua pujança, para ir ao encontro da casa Marcolino Sebo, que produz um Syrah de classe, como se vai ler, o Quinta da Pinheira.

O grande enólogo francês Émile Peynaud, autor do clássico livro sobre a arte da degustação Le Goût du Vin, que já morreu neste século em que estamos, dizia “beber vinho não é um prazer solitário, mas comunicativo.”

O Syrah da Quinta da Pinheira pode muito bem fazer as honras de apresentação da casta Syrah, entre outros, naturalmente, na defesa da qualidade da casta em Portugal.

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A casa Marcolino Sebo é uma empresa familiar que está ligada à área da viticultura há mais de 30 anos, sendo a sua constituição oficial datada de 1975.

Ao longo deste tempo e espaço houve uma dedicação em pleno à viticultura, sendo as uvas entregues na Adega Cooperativa de Borba, mas com o crescente aumento da área de vinha e o sonho do proprietário da empresa – Marcolino Sebo – de produzir o seu próprio vinho surgiu o projecto de criar uma adega própria.

Foi no virar do século XX, no ano 2000, que Marcolino Sebo, contando com 130 hectares divididos por sete parcelas de vinha situadas entre Borba e Estremoz, caracterizadas pelos solos argilo-calcários e argilo-xistosos, começou a vinificação das suas uvas, tendo o engarrafamento e comercialização do seu vinho ocorrido no ano de 2001. A área encontra-se dividida por cinco parcelas, entre as quais: a Quinta da Pinheira, Monte da Vaqueira, Monte do Estevalinho, Herdade da Cerca e Herdade do Olival.

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E é precisamente na Quinta da Pinheira, como já se percebeu, que encontramos este nosso bem amado Syrah, sendo a partir daí que todas as acções são coordenadas. A freguesia é Arcos e o concelho é Estremoz. Esta quinta para além de Syrah tem também Verdelho.

As notas de prova dizem-nos que se trata dum vinho “de cor vermelha púrpura e aroma complexo de frutos pretos madutos, especiarias, cacau e baunilha. Após um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês, sobressai um vinho denso com forte estrutura e taninos suaves, com final de prova prolongado.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.

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De referir ainda que o Syrah da Quinta da Pinheira é exportado para a China com o nome de   Infinitae Syrah, nome eloquente de que gostamos, mas ao contrário do que inicialmente chegamos a pensar, trata-se do mesmo Syrah numa outra garrafa e com outro rótulo.

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A adega Marcolino Sebo conta com um edifício moderno com traça Alentejana bem marcada, onde se utiliza a tecnologia moderna baseada em métodos tradicionais antigos, onde se produz o vinho. Em termos materiais tem cerca de 60 cubas das mais diversas capacidades, perfazendo uma capacidade total de 1.400.000 litros. Em termos humanos conta com uma vasta equipa de trabalho, desde o trabalho de campo até à comercialização do produto final, passando pela enologia com o apoio do enólogo: Engenheiro Jorge Santos. A cave da adega encontra-se semi-soterrada, o que lhe confere uma temperatura ambiente e humidade constantes durante todo o ano e proporcionando um ambiente ideal para o envelhecimento de vinhos.

Estamos pois conversados sobre o Syrah Quinta da Pinheira, que é pouco conhecido mas com uma grande garra e uma qualidade de se lhe tirar o chapéu, para nosso comunicativo prazer… é para isso que cá estamos!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 12,90€