O Blogue do Syrah na rota dos Syrah do Alto Alentejo!

Foi uma sortida muito proveitosa, esta que o Blogue do Syrah realizou ao Alto Alentejo, na demanda de alguns Syrah que daqui saíram durante 2015!

De Lisboa, fomos directamente para Estremoz, onde o Syrah tem grande presença e onde existe um número considerável de monovarietais da casta que nos interessa e encanta.

Mas antes disso uma paragem pelo castelo de Évora-Monte para olharmos a imensidão quase infinita do Alto Alentejo.

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Já em Estremoz as vinhas por onde passámos estavam lindas, viçosas de se ver.

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Na hora de almoço… onde deveríamos almoçar? Obviamente no restaurante “São Rosas” da produtora e cozinheira afamada Margarida Cabaço. Duplamente afamada! Pela cozinha e pelos Syrah.

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E aqui destacamos o topo de gama Margarida Syrah 2008, do qual já demos conta aqui. Pela cozinha, reparem o que foi o almoço: Sopa de tomate alentejana, bochechas de porco preto acompanhadas por migas de espargos e lombo de porco com ameixas e puré de maçã. O vinho tinha que ser da casa até por simpatia, naturalmente um Monte dos Cabaços. Uma nota curiosa a realçar: O Blogue do Syrah não conhecia o Monte dos Cabaços, nem tinha que conhecer até porque se trata de um blend, mas ao primeiro golo dissemos: este blend tem Syrah! Perguntamos ao empregado dos vinhos quais eram as castas que compunham este vinho e ele limitou-se a dizer o que estava escrito no rótulo: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet!, mas também dizia no rótulo “e outras castas”. Quando perguntei à Margarida, confirmou efectivamente que o Blend Monte dos Cabaços tinha uma percentagem, que não quis partilhar, de Syrah!

Syrah, tu já não me enganas!!

Deixando Estremoz para trás, zarpámos para Elvas, onde pernoitamos, não sem antes termos admirado as inúmeras vinhas que pontuam o caminho.

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No dia seguinte a portuguesa Olivença era o destino.

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Após a visita cultural que se impunha ao único baluarte não resgatado ao Império Castelhano, o regresso a Elvas onde a preparação psicológica para o outro dia se fez com Bacalhau dourado à moda de Elvas e plumas de porco preto, no restaurante “O Lagar”. Blends típicos alentejanos, a acompanhar, para contento de todos os participantes.

No dia seguinte após a visita demorada ao centro histórico saímos rapidamente de Elvas pois o destino era Ebora Liberalitas Júlia hoje em dia com o nome de Évora, o grande destino que suscitou toda esta movimentação e ao fim e ao cabo a escrita deste texto. O Blogue do Syrah faz aqui uma pausa para fazer uma premonição:

Atenção aos tambores!…

Aqui vai: Évora poderá muito bem tornar-se num futuro próximo a grande capital do Syrah português. O número de Syrah classificados pelo Blogue do Syrah com notas de nível superior no concelho de Évora é o mais elevado do país, comparativamente a outras zonas.

Quando estes pergaminhos estiverem bem firmados, Évora como capital do Syrah poderá lançar-se para ao mundo, com gravidade rejubilante o dizemos!

O restaurante Mr. Pickwick recebeu-nos pois de braços abertos e presenteou-nos com Borrego assado no forno com Batata assada. A acompanhar mais Blends típicos alentejanos, sempre com toques de Syrah aqui e ali. Que não passe pela cabeça de ninguém tentar listar analiticamente os blends alentejanos que contenham uma percentagem de Syrah. Se alguém pouco ajuizado tentar a façanha não terá hipótese de fazer mais nada o resto da vida, e temos muitas dúvidas que consiga concluir o empreendimento. É que são milhares! Mas adiante.

O momento alto desta visita, na perspectiva do Blogue do Syrah, era a visita à Quinta de Nossa Senhora da Conceição, mesmo à saída de Évora, no caminho de Arraiolos, logo a seguir à Herdade da Cartuxa.

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O grande objectivo era conhecer o espaço físico, social e mental da Quinta, sem mais rodeios, até porque os franceses há muito tempo que numa só palavra explicaram tudo isto e chamaram-lhe “terroir”, do território que produz um Syrah a 100%, o Dona Dorinda, que obteve a mais alta classificação atribuída pelo Blogue do Syrah, como se pode confirmar aqui.

Na ausência de Victor Conceição, a passar umas merecidas férias em ilhas portuguesas, fomos recebidos por Luís Caeiro, que não deixou por mãos alheias os pergaminhos da Quinta. Foi uma visita de luxo, com um anfitrião sabedor, que respondeu a todas as questões sobre Syrah, sobre a quinta e até sobre energias positivas, como já antes tínhamos contado. A Quinta de Nossa Senhora da Conceição tem no total 27 hectares e uma produção de raiz orgânica e com bastante água, aqui indispensável.

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Um pomar, um olival, uma horta onde se produz um pouco de tudo, até beldroegas, que no final trouxemos para Lisboa, com as quais fizemos uma sopa com esse mesmo nome, mais um queijo de cabra curado, e a acompanhar, Syrah, obviamente. A vinha tem 2,2 hectares em forma de meia lua e foi plantada em Abril deste ano uma nova vinha que será enxertada para syrah no próximo ano com 1,8 hectares.

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Daqui a 3 anos teremos um total de 4 hectares a produzir em pleno e aí a produção já poderá alcançar valores ainda hoje distantes.

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Tivemos oportunidade de provar vários bagos de uva Syrah em sítios diferentes da vinha e o nosso espanto foi total porque estando nos princípios de Agosto a uva estava doce como nunca pensámos que pudesse estar, quando ainda faltavam várias semanas para o tempo nobre das vindimas.

A seguir seguiu-se uma prova do Dona Dorinda Syrah 2012 que apesar de o conhecermos bastante bem é sempre “um momento alto” bebermos uma nova garrafa, cuja safra, ainda por cima está quase a acabar.

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A visita ao Alto Alentejo estava na sua ponta final. Faltava o regresso a casa e a convicção de que o concelho de Évora tem um futuro glorioso como produtor de Syrah de altíssima estirpe!…

O enólogo americano Robert Noecker escreveu:
“O meu único arrependimento na vida é não ter bebido champanhe suficiente.”
Parafraseando poderíamos dizer que a vida será excepcional se no fim pudermos dizer:
“O meu único arrependimento na vida é não ter bebido Syrah suficiente.”
Mas estamos a fazer um esforço para contrariar esta afirmação, todos os dias da nossa vida!


 

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