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Quinta do Caldeireiro, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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É com alguma emoção que falamos hoje de um Syrah que foi dos primeiros que bebemos, e foi igualmente o primeiro a que demos a nota de muito bom. Andávamos ainda a tactear o terreno e na altura pensámos: “Tem que ser pelo menos um 18”. Não sabemos, com toda a sinceridade, hoje que conhecemos 98% dos Syrah portugueses, se essa nota não seria superior!

Também não vale a pena estar a insistir muito nesta questão, principalmente porque é um Syrah que esgotou em 2013 e podemos dizer que ajudámos a acabar com as últimas garrafas, nós mais e uns noivos que no seu casamento encomendaram 50 caixas deste Syrah. Safra única portanto, infelizmente, do qual se produziram aproximadamente 3 mil garrafas!

O Quinta do Caldeireiro Syrah é um néctar bastante rico e forte, sem perder o toque clássico. Tem um teor alcoólico de 14,5% e o enólogo foi Manuel Ferreira. As notas de prova, em termos de aroma e paladar, dizem que tem “um sabor apimentado, apresenta notas aromáticas silvestres, como a cereja preta, a groselha, a amora preta, a ameixa e o damasco.” Syrah da região de Évora, com pouca produção e por isso mesmo pouco conhecido, frutado e muito agradável de beber!

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Sobre a herdade propriamente dita, sabe-se que a área plantada se resume a 3 hectares. A colheita e selecção foram manuais. É pois um Syrah artesanal feito com fermentação tradicional e maturação passando por carvalho.

Dizia Richelieu, o todo poderoso cardeal da França setecentista:
“Se Deus proibisse a bebida, teria ele feito o vinho tão bom?”

Em conversa na altura com o produtor, Sr. António, fomos de lhe perguntar para quando uma nova safra, ao que nos confidenciou: “Fiz este Syrah por dois motivos. Primeiro, porque o ano de 2009 foi excepcional para a casta e segundo queria ver se conseguia fazer um monocasta Syrah. Estou na casa dos setenta. Será muito difícil surgir um ano tão excepcional como o de 2009 por estes tempos mais próximos!”

Talvez seja difícil mas não impossível! Tenhamos paciência e esperemos o porvir!

Parafraseando Thomas Jefferson, na segunda citação do dia:
“O bom Syrah é uma necessidade diária para mim!”

 

 

Classificação: 18/20                                                    Preço: 10,00€


 

Já este texto estava concluído e publicado e eis-nos  a receber esta notícia de última hora.

Tivemos oportunidade de falar hoje de manhã com o enólogo Manuel Ferreira, que nos confidenciou ter sido acabado de confeccionar um novo Syrah, que deu cerca de 3000 litros, o que dará origem a 4000 garrafas de nova safra Quinta do Caldeireiro!
A colocação no mercado, salvo mudança de planos, está prevista para o final de 2016, entre Novembro e Dezembro. Nessa altura daremos conta de todos os pormenores!


 

Comenda Grande, Monte da Comenda Grande, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Do concelho de Évora surgiu este enorme Syrah, Comenda Grande, que só é pena termos usufruído apenas de duas garrafas, já na altura muito difícil de encontrar. Hoje podemos dizer com precisão e tristeza que está esgotado. O nome “Comenda” significa um antigo benefício honorífico concedido a eclesiásticos ou a cavaleiros de ordens militares. Este Syrah é uma grande comenda para quem teve a oportunidade de o degustar.

As notas de prova dizem que tem uma “cor granada densa e viva, aroma intenso e complexo onde sobressai a fruta madura e passas de ameixa, mas também um ligeiro floral e a sensação das madeiras de estágio. Ao sabor, revela-se macio, com grande estrutura, onde se destacam os taninos marcantes, sendo contudo fresco num final de boca prolongado e persistente.”

Tem uma graduação alcoólica de 15%, e o enólogo foi o engenheiro Francisco Pimenta. Foram feitas 4100 garrafas de 0,75 litros. Teve um estágio de 12 meses em barricas novas de 225 litros de carvalho Allier e de 8 meses em garrafa.

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O Monte da Comenda Grande é constituído por 43 hectares de vinha entre brancos, tintos, rosés e espumantes. A exploração agrícola da Comenda Grande foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugénio de Almeida (hoje Fundação Eugénio de Almeida) e filha de Gertrudes de Almeida Margiochi e de Francisco Simões Margiochi.

Herdada por Maria Madalena de Noronha e seu marido João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes de Noronha Lopes, pelo seu marido António Lopes e pelos filhos. Compreendendo uma área de 750 hectares, a exploração tem vindo a acompanhar a reconversão da agricultura alentejana, tendo realizado diversos investimentos de vulto nesse sentido. Assim, a par da reconversão de parte do sequeiro em regadio, não só reforçou as áreas de floresta, privilegiando o sobreiro (Quercus Suber), como plantou um moderno olival em cerca de 30 hectares para além de 43 hectares de vinha já referidos.

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Na vinha instalada, em que cerca de 36 hectares existem castas tintas e em 7 hectares castas brancas. São privilegiadas as castas mais marcantes do Alentejo – Trincadeira e Aragonez nas tintas e Arinto e Antão Vaz nos brancos – a par de outras em menor proporção mas que se consideraram poder constituir uma mais-valia em termos diferenciadores: Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah e Baga nas tintas, bem como Verdelho, Sauvignon Blanc e Roupeiro nas brancas.

Já dizia Fleming, Nobel da Medicina: “A penicilina curas os homens, mas é o Syrah que os torna felizes!”

Então imagine-se que o Syrah de Fleming seja este grande Comenda Grande e logo teremos a medida na nossa felicidade, e mais ainda com esta boa notícia que guardamos para o fim, acabando em beleza: é que ainda durante o ano presente, o novo Syrah Comenda Grande verá a luz do dia. Quando isso acontecer aqui estaremos para o apresentar com emoção multiplicada por sabe-se lá por quanto!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 18,00€

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Herdade das Mouras, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2014

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No Alentejo mais uma vez, e sempre com todo o prazer, para conhecer este novíssimo Syrah de 2014, da Herdade das Mouras, vila de Arraiolos.

As notas de prova dizem que é “um Syrah de cor vermelho rubi. O aroma é de compota de frutas silvestres e especiarias. O paladar é encorpado e com final de boca elegante.” O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 5 anos. A graduação alcoólica é de 13,5% e o enólogo de serviço é Jaime Quendera, homem com vasta experiência no mundo dos vinhos e muito especificamente no mundo dos Syrah.

O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000, com a compra das terras por parte de um empresário de Lisboa.

A herdade tem na totalidade mais de 300 hectares, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226 hectares, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras , de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas.

A casta Trincadeira, a nossa Alentejaninha representa 45% da vinha, mas há ainda Aragonez, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah naturalmente, Tinta Caiada, Pinot Noir, Tinta Caiada, Tempranillo e Alicante Bouschet como castas tintas. Como castas brancas foram escolhidas 4 exclusivamente Portuguesas: Verdelho, Perrum, Antão Vaz e Arinto.

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A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições.

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O enólogo desta casa é Jaime Quendera, responsável por fenómenos de popularidade como os vinhos da Adega de Pegões e da Casa Ermelinda Freitas, que aliam a qualidade a um preço muito competitivo. Apesar de ser uma empresa ainda pouco conhecida no mercado, inclui as referências Castelo de Arraiolos, Conde de Arraiolos, Mouras de Arraiolos, Moira´s, Monte das Parreiras, Maria da Penha, Talha Real, Vinha da Mouras, Adegas das Mouras, entre outras. A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

Como dizia o cantor de Les Copains D’Abord, Georges Brassens, o homem de Sète:
“O melhor vinho não é necessariamente o mais caro, mas o que nós compartilhamos”

O Syrah da Herdade das Mouras é um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito apreciável. Está aprovado!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,70€

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Castas D´Ervideira, Ervideira, 100% Syrah, Alentejo, 2006

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Apesar da Ervideira ser uma empresa com algum impacto não só em termos de Alentejo mas também de toda a região sul, somente fez uma safra de Syrah, no já longínquo ano de 2006. O produtor, Duarte Leal da Costa, homem de grande simpatia e boa disposição, quando em 2013 o abordamos por causa da impossibilidade de encontrar o Syrah Ervideira no mercado, rapidamente se disponibilizou para nos conseguir umas quantas garrafas.

É um Syrah diferente, a nosso ver, em termos do que consideramos o paradigma para o Alentejo. As notas de prova escritas pelo produtor no contra rótulo da garrafa dizem-nos que é “de cor intensa e aromas de compota de frutas negras, especiarias e algum fumo. Na boca é aveludado e bem estruturado, elegante e persistente, deixando uma agradável sensação de prazer.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. No entanto, a nossa opinião é que é ligeiro de cor, o aroma é bastante neutro, com muito pouca expressão, e é bastante diluído na boca, o que faz sobressair os taninos e certa acidez que não apreciámos.

Apesar de ser um Syrah correcto, está longe de expressar o que a casta pode dar, embora mostre alguma personalidade. Nos tempos que correm, isso é uma característica a ter em conta. Como já foi dito é safra única de 2006, o produtor tem ainda algumas caixas, mas em termos práticos podemos considerar que se trata de um Syrah esgotado, pois já foi retirado do mercado.

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As propriedades de Monte da Ribeira e Herdadinha ambos pertencem à família Leal da Costa, que pode ser rastreada até ao Conde de Ervideira, um fazendeiro bem sucedido que viveu entre séculos 19 e 20. O conde, que recebeu seu título do Rei D. Carlos, em reconhecimento por seu trabalho social na região, começou a produzir vinho em 1880, como se pode ver nas garrafas que a empresa exibe com orgulho na sua sala de degustação de vinhos. Com 160 hectares de vinhedos, divididos entre as fazendas Vidigueira e Reguengos, a administração da Ervideira é realizada pela matriarca da família D. Maria Isabel e seus seis filhos, sendo Duarte Leal da Costa o director executivo. A enologia está sob direcção de Nelson Rolo.

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A nossa citação de hoje é do actor e escritor americano W.C. Fields, que dizia com característica graça “Eu cozinho com Syrah, às vezes até o adiciono à comida.”

Apesar de tudo este Castas não chegou a tanto!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50


 

Alfaraz, Herdade da Mingorra, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Alfaraz é nome de um cavalo de batalha vindo das arábias. É por onde começamos hoje, para falar de um Syrah com um nome de origem árabe, logo, muito provavelmente, só poderia ser do Alentejo!

As notas de prova dizem-nos que “apresenta cor intensa, aroma acentuado a compotas de frutos vermelhos, acidez equilibrada, taninos firmes e persistentes.” Teve doze meses de estágio em madeira de carvalho francês. Tem uma graduação alcoólica de 14%.

Nas terras quentes do Baixo Alentejo, a escassos quilómetros da cidade de Beja, há uma das mais antigas culturas vitícolas da região. São vinhas com décadas de história, que Henrique Uva preserva e rentabiliza há anos, e as quais sempre quis valorizar como produtor independente.

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Em 2004 concretizou-se o sonho, com o projecto a dar pelo nome de Henrique Uva / Herdade da Mingorra. A Adega está devidamente enquadrada nos 1.400 hectares de uma paisagem que chega a ser exuberante, tal é a diversidade de culturas e fauna, com várias bacias hidrográficas a funcionarem como autênticos oásis. A Adega assume-se como um autêntico lugar de culto. Um espaço onde a modernidade e a funcionalidade convivem, de forma indelével, com as técnicas mais tradicionais.

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O resultado só podia ser vinho de qualidade, consistente, profundo, algum inovador até, e com uma boa relação qualidade/preço, fruto do trabalho de uma equipa dinâmica e empreendedora, liderada pelo enólogo Pedro Hipólito. A excelência da cultura vitícola, bem como as condições estruturais e humanas do projecto, têm constituído o segredo do sucesso. Os vinhos têm sido alvo das considerações dos críticos no que toca à qualidade, e as vendas, tanto a nível nacional como nos mercados de exportação, têm vindo a aumentar.

No total são 1.400 hectares de área, referente a três propriedades: Herdade da Mingorra, Sociedade Agrícola do Barrinho e Herdade dos Pelados. Para além dos 135 hectares relativos à vinha, 200 hectares são de olival com rega, 125 hectares de regadio por “pivot” e os restantes de cultura tradicional e floresta.

Situada em plena Herdade da Mingorra, a Adega tem uma área de 2.000 m2, apenas vinifica uvas próprias e trabalha processos de vinificação de vários níveis. No total, o investimento foi superior a dois milhões e meio de euros, com o condão de ter sido estudado de modo a preservar as técnicas tradicionais, ainda que em perfeita consonância com a mais alta tecnologia.

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Os registos comprovam que na propriedade há vinhas plantadas há quase 30 anos, uma salutar raridade na região. Em termos vitícolas, a área está distribuída da seguinte forma: 60 hectares de vinha velha, com cerca de 30 anos, das mais antigas de que há registo no Alentejo e das primeiras a serem plantadas e organizadas em talhões, aramadas e separadas por castas. Tudo com arte e rigor.

O compositor austríaco Gustav Mahler disse que:
Uma taça de Syrah vale mais que todas as riquezas da terra.
Essa taça de vinho pode bem ser, para começar, um Syrah denominado Alfaraz!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,00€

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Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Estamos em Évora, ao lado da Quinta da Cartuxa, um terroir abençoado por Deus e bonito por natureza, que nos trouxe o fantástico “Scala Coeli” já por nós analisado, para apresentar ao mundo português um Syrah a 100%, e ainda por cima biológico, que nos deixou em completo êxtase, pela maravilha do conjunto que representa: aroma, cor, e aquela simplicidade complexa de paladar, que nos leva para além do mensurável. Mas atenção: é preciso algum tempo e pelo menos duas garrafas bebidas com amigos, para chegarmos à conclusão de que estamos perante o culminar da perfeição em termos de um vinho tinto.

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E agora, antes de contarmos a história do Dona Dorinda, deixem-nos cumprir um desabafo: estamos prestes a concluir que o concelho de Évora poderá muito bem ser o lugar cimeiro dos Syrah portugueses. Vejam bem: Grande Comenda, de que falaremos brevemente, Scala Coeli, que já referimos, Humanitas, que sairá brevemente e agora este transcendente e elegante Dona Dorinda. Muitos Syrah topo de gama num único concelho, é obra!

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Continuemos. Tudo começa quando um casal constituído por um holandês, Winkelman, e uma norte-americana, Dorinda, nome de origem indígena, decidem há mais ou menos uma década vir passar férias à nossa Lusitânia. Conhecem, entre outros lugares, Évora, e ele, já com uma grande paixão pelos vinhos do Vale du Rhône, decide comprar um terreno, que liga com a cidade, para plantar uma vinha. Conhecem um alentejano de quatro costados, Vítor Conceição de seu nome, “um bom moço” como só os alentejanos costumam dizer, que mete mãos à obra e realiza o sonho do ecléctico par: dar vida a uma vinha com 85% de Syrah e 15% de Viognier, como manda a tradição francesa.

A primeira safra ainda se consegue encontrar por aí, já na sua ponta final, pois quase toda ela, à excepção da cidade de Évora, foi para o mercado externo principalmente para a cidade de Nova York para abastecer dois restaurantes de luxo em que a Dona Dorinda é vendido a 90 dólares a garrafa. Agora, e durante sabe-se lá quanto tempo, também se vende na garrafeira Estado de Alma. Quem ficar com água na boca de nos ler, pode correr para lá em busca de um néctar para lá do imaginável.

E agora alguns dados sobre a vinificação. Vindima manual nocturna. Maceração carbónica a frio cerca de 12 meses. O envelhecimento esse foi feito em carvalho francês, pois claro, durante 12 meses. As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.”

As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um todo sustentável. Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, (embora entretanto mais hectares tenham sido plantados) encontra-se instalada em forma de “meia-lua”, chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer. Notável!

O produtor indica na ficha técnica que o prazo de evolução do Dona Dorinda é de 10 anos. Neste momento não conseguimos imaginar o que será por essa altura, mas há uma coisa que por experiência sabemos: este Syrah vai ter seguramente uma longevidade muito superior a 10 anos. Não temos dúvidas sobre isso!

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Com uma tiragem maior, este Syrah poderia tornar-se um verdadeiro ícone nos Syrah do mundo. Para nós é já uma referência que não podemos dispensar!

Umas palavras também para o design da garrafa, de um cuidado extremo, que, segundo os produtores, demorou muitos meses a conceber, até chegar a este requinte de graça e estilo muito próprios. Gostamos imensamente.

Duas pequenas notas são necessárias ainda.
A primeira, um agradecimento público ao José Pombinho, de Évora, leitor assíduo do Blogue do Syrah, que nos alertou em primeira mão para a excelência do Dona Dorinda, um muito obrigado.
A segunda para dizer que a Quinta de Nossa Senhora da Conceição não se vai ficar por aqui. A segunda metade do ano promete ser de bom augúrio! É que está previsto a saída de duas safras do Dona Dorinda: a de 2011,ou seja, a anterior a esta que analisamos e a novíssima de 2013. A concretizar-se esta intenção, podemos ter de concluir que este pode ficar para a história como o “ano Dorinda”!

Este é de facto um texto pleno de pontos de exclamação, pelos melhores motivos.
E mais um: reparem na relação qualidade-preço!

Habitualmente o Blogue do Syrah apresenta uma citação dum autor minimamente consagrado para acompanhar o Syrah analisado. Hoje apresentamos a nossa própria reflexão pessoal, influenciada pela degustação de um Dona Dorinda celestial, que deixa marca indelével e sagrada:

“O Syrah é o único objecto religioso!”

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 16,95€

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