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Herdade do Esporão, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Estamos em Reguengos de Monsaraz: terra de vinhos mas sobretudo uma terra de Syrah. E são vários os Syrah que nasceram aqui. Hoje falaremos de um deles, associado a uma marca bem conhecida: a Herdade do Esporão.

2011 é um ano reconhecido como memorável para todas as regiões vinícolas Portuguesas. A Primavera e o Verão com temperaturas mais amenas que o habitual trouxeram intensidade, equilíbrio e frescura aos vinhos.

O Syrah da Herdade do Esporão é feito com vinhas de 13 anos. Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho americano, seguidos de mais 18 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Fez-se uma pequena produção de cinco mil litros, o que deu qualquer coisa como 6600 garrafas. As notas de prova dizem-nos: “Nariz compacto, com notas evidentes de tosta, e ligeiras notas de café torrado. Revela fruta negra madura com taninos musculados e acidez que conduz a um final bastante persistente.” Várias foram as safras deste syrah anteriores: houve a de 2010, 2009, 2008.Conhece-se igualmente a de 2004.

A Herdade do Esporão começa uma nova vida a partir de 1973, como vamos explicar. Tem actualmente uma produção global de 9 milhões de litros de vinho anual. Vende-se por todo o mundo. É um dos empórios do vinho português. A herdade possui um total de 194 castas, embora só 37 estejam em plena produção. Estas 37 variedades fundamentais correspondem às castas que melhor se adaptaram à região do Alentejo, muita das quais se encontram na região desde tempos longínquos.

A Herdade do Esporão alberga um terroir único, fruto da aliança entre um clima muito particular, regulado e amenizado pelo grande lago central, com os diferentes tipos de solo, e um vasto património vitícola constituído por castas autóctones, castas oriundas de outras regiões e castas internacionais. A paisagem tipicamente mediterrânica é composta por suaves planícies ondulantes que ocupam um pouco mais de 1.800 hectares de área total, 450 hectares dos quais ocupados com vinha e cerca de 80 hectares ocupados com olivais. O clima é particularizado pelas grandes amplitudes térmicas anuais características dos climas mediterrânico-continentais, suavizados pela grande massa de água do lago central. Beneficiando de muitas horas de sol, os solos muito pobres dividem-se em derivados de xistos argilosos e granitos derivados de rochas eruptivas. A Herdade do Esporão decidiu inovar, ensaiando um número elevado de castas pouco conhecidas em Portugal. A lista é extensa, e inclui nomes como Uva Salsa, Tinta do Bragão, Arinto do Interior, Larião, Amor-não-me-deixes, Carrasquenho ou Rabigato Francês, bem como castas internacionais de nome pouco vulgar como Ahmeur bou Ahmeur, Chasselas, Feteasca Alba ou Müller-Thurgau.

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Desde a sua fundação em 1267, os limites geográficos da Herdade do Esporão têm-se mantido praticamente inalterados, apesar de este ter sido um lugar de sangrentas batalhas e de feitos heróicos, ao longo de quase nove séculos de existência. Soeiro Rodrigues, juiz da cidade de Évora, terá sido o primeiro dos muitos proprietários, entre os quais se incluem o mestre de Santiago Rodrigues de Vasconcelos, o Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos, que terá erigido a Torre do Esporão, e dos condes de Alcáçovas, que mantiveram a propriedade na família até 1973, ano em que venderam a Herdade do Esporão a José Roquette e Joaquim Bandeira. No centro da Herdade do Esporão erguem-se os três monumentos históricos da propriedade: a Torre do Esporão, o Arco do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, esta última ligada a um intenso e devoto culto popular na região que leva as gentes da terra em procissão sempre que a chuva tarda em chegar. A Torre do Esporão, símbolo de afirmação na sociedade e exibição de poder militar, é uma das torres mais importantes na ilustração da transição da Idade Medieval para a Idade Moderna em Portugal. Terá sido edificada pelo Morgado já referido antes, entre os anos 1457 e 1490, datas que correspondem, respectivamente, ao momento da posse do morgado e ao seu falecimento. Esta atribuição é do historiador José Pires Gonçalves, que teve em conta o projecto arquitectónico de implantação da Torre. Álvaro Mendes de Vasconcelos vinha de uma família nobre em ascensão ligada à poderosa Casa de Bragança – era cavaleiro da casa do Duque de Bragança e regedor da cidade de Évora. Entende-se, assim, a construção da Torre do Esporão como um sinal visível de erupção da pretensão aristocrática. Esta era uma necessidade de afirmação da nova linhagem que, entre outros sinais, tinha por hábito erguer uma torre ou casa forte como verdadeiros símbolos da sua afirmação na sociedade. A função primeira deste tipo de torres era a de habitação, mas nos finais do século XV as torres que existiam em Portugal dificilmente serviriam de morada permanente, uma vez que as suas dimensões eram muito reduzidas. Podiam também ter sido refúgios seguros para pessoas e bens, em caso de extrema necessidade. Mas, antes de tudo, eram um símbolo de senhorio e poder militar. A importância que as torres medievais voltaram a adquirir no final da Idade Média verifica-se essencialmente na existência da referida Ermida de Nossa Senhora dos Remédios: a sua presença indica não só que os seus possuidores tinham começado a fazer mais uso das torres espaçosas, mas também que existia uma certa sacralização do espaço em que se erguiam. Desenhando um quadrilátero de 14,40m por 10,9m, a planta da Torre do Esporão apresenta dimensões pouco usuais – é relativamente mais larga, quando comparada com construções antecedentes ou mesmo contemporâneas. No entanto, mais tarde, acabou por servir de modelo a outras torres, o que demonstra bem a influência que teve em posteriores construções de torres no Alentejo.

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Devido ao passar do tempo, a Torre do Esporão perdeu o seu esplendor. Tratando-se de um monumento marcante do património português, o Esporão tomou a iniciativa de lhe restituir a dignidade perdida. A autorização do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) para a sua reabilitação foi obtida, e o Esporão, por sua conta e risco, iniciou o processo de reabilitação deste monumento nacional em 2003, tendo recuperado a sua antiga grandeza e importância. É o edifício mais importante e representativo de todo o conjunto que compõe a Herdade. No rés-do-chão da Torre pode visitar-se um Museu Arqueológico, onde estão expostos diversos achados arqueológicos da região.

Isto tudo se conta também porque no logotipo da Herdade a torre aparece com todo o destaque, servindo com toda a relevância a divulgação da marca.

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A Herdade do Esporão beneficia de um clima mediterrânico-continental, com exposição solar intensa, com uma média anual de 300 dias de sol. O clima é também caracterizado por grandes amplitudes térmicas anuais, com Verões muito quentes e secos e Invernos curtos e chuvosos, com consideráveis amplitudes térmicas diárias. Estas características definem profundamente, a fauna, a flora, a paisagem, a arquitectura e as gentes do Alentejo. A Herdade do Esporão apresenta todas as características de uma paisagem tipicamente mediterrânica. São vários os hectares de montado de azinho que aqui estão presentes. A azinheira, espécie com distribuição mais alargada na zona mediterrânica, domina a paisagem do Esporão, fazendo parte de um ecossistema que alberga espécies tão importantes como a cegonha-negra ou a lontra que vagueia pela ribeira da Caridade, uma ribeira importantíssima para anfíbios e mamíferos desta Herdade. A albufeira existente na propriedade, com 120 hectares, construída para servir as necessidades típicas de um clima deste tipo, é hoje em dia, um ecossistema totalmente natural, já visitada por cerca de 90% das aves de todo o Alentejo e a “casa” de patos, mergulhões, galinhas-de-água, lontras, entre muitas outras espécies. É aqui, entre montados, olivais e vinhas que se podem encontrar todas as características de uma paisagem mediterrânica.

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Se as vinhas são o pulmão da Herdade do Esporão, a adega é o coração que palpita ao ritmo da vindima e da sequência dos trabalhos definidos pelo calendário e pela equipa de enologia. A equipa de enologia do Esporão é liderada pelo Luso-Australiano David Baverstock, uma referência na enologia portuguesa, que tem dado um contributo decisivo para a afirmação nacional e internacional dos vinhos do Alentejo. A equipa de enologia completa-se com os enólogos Luis Patrão, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos tintos, e a Sandra Alves, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos brancos e rosés. A mesma equipa é responsável pelos vinhos da Quinta dos Murças no Douro, a que se junta o Australiano Michael Wren durante os meses de Julho a Outubro.

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O grande túnel de barricas do Esporão, por si só uma das atracções turísticas da Herdade do Esporão, ao assemelhar-se na sua estrutura a um túnel de metro com os seus quinze metros de largura, está firmemente enterrado a doze metros de profundidade, permitindo assim que se mantenham as melhores condições de temperatura e humidade de forma natural, sem necessidade de regulação de temperatura de forma artificial e sem custos energéticos e ambientais. Neste longo túnel de descanso repousam aproximadamente 1.500 barricas bordalesas de 225 litros cada, das quais cerca de 70% são de carvalho americano e as restantes de carvalho francês. Cerca de 30% do parque de barricas é renovado periodicamente a cada três ou quatro anos. Para além do grande túnel de barricas existem ainda nichos laterais onde se guarda e estagia o vinho já depois de engarrafado, para além de uma garrafeira onde se guarda um acervo o histórico das nossas melhores colheitas.

Nada melhor para acabar esta digressão do que citar o filósofo grego Heráclito quando dizia: “É melhor esconder a ignorância, mas é difícil fazê-lo quando nos descontraímos em redor do Syrah!”

Classificação: 18/20                                           Preço: 24,50€

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Companhia das Lezírias, 100% Syrah, Tejo, 2008

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Do Tejo, mais um syrah, desta vez da Companhia da Lezírias. Tínhamos de chegar aqui algum dia!  A Companhia das Lezírias, fundada em 1836, sendo a maior exploração agroflorestal do País teria que ter o seu syrah!

Com 18 mil hectares não tem comparação com nenhum nenhuma empresa do ramo, herdade ou quinta. A Companhia das Lezírias é a maior exploração agro-pecuária e florestal existente em Portugal, compreendendo a Lezíria de Vila Franca de Xira, a Charneca do Infantado, o Catapereiro e os Pauis (Magos, Belmonte e Lavouras).

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A Lezíria está compreendida entre os rios Tejo e Sorraia e é dividida pela Recta do Cabo (E.N. 10 entre Vila Franca de Xira e Porto Alto) em Lezíria Norte e Lezíria Sul.

A Lezíria Norte é constituída por cerca de 1.300 hectares explorados indirectamente (rendeiros). A Lezíria Sul ocupa perto de 5.000 hectares, dos quais cerca de 2600 ha estão arrendados e 2.200 ha são explorados directamente pela CL, sendo quase 1900 ha para pastagens e cerca de 320 ha de arroz.

No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz, em Catapereiro, uma média de 330 ha de milho, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. O arroz cultiva-se igualmente nos Pauis de Magos, Belmonte e Lavouras, mas só este último, com uma área de 240 ha, é explorado directamente. No total, a área destinada ao cultivo de arroz em solo da CL ronda os 1500 ha. No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz ainda, em Catapereiro, uma média de 250 ha de milho, 140 ha de vinha e 70 de olival, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. A Charneca do Infantado e os Pauis perfazem uma área de cerca de 11.500 hectares.

A Companhia das Lezírias passou por várias transformações ao longo da sua existência, sendo nacionalizada em 1975 e tendo passado, em 1989, a Sociedade Anónima de capitais exclusivamente públicos. Desde 1997, a Companhia das Lezírias vem consolidando a sua situação, quer sob o ponto de vista tecnológico, quer financeiro, baseada numa filosofia de desenvolvimento sustentado. A partir do dia 2 de Agosto de 2013, a Companhia das Lezírias passou a gerir a Coudelaria de Alter e a Coudelaria Nacional.

O início da actividade vitícola da Companhia das Lezírias remonta ao ano de 1881, ano em que se instalou a vinha na charneca de Catapereiro. Essa área foi crescendo até 1934, ano em que a vinha atingiu o seu máximo expoente – cerca de 400 ha. As castas dominantes na altura eram o Periquita (Castelão) e o Bastardo.

Com o passar dos anos, a vinha foi sendo reestruturada, tendo a Companhia das Lezírias actualmente cerca de 130 ha de vinha, dos quais 65% da área é composta por castas tintas e os restantes 35% por castas brancas.

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Entre as castas tintas, a variedade Alicante-Bouschet é maioritária, seguida pelas castas Castelão, Trincadeira, Aragonez, Touriga-Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Touriga-Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão. As castas brancas instaladas são o Fernão Pires, Trincadeira das Pratas, Arinto, Roupeiro, Tália, Verdelho e Vital.

Na vinha, tem-se vindo a efectuar uma grande reestruturação, sem menosprezar as castas nacionais, mas instalando também outras castas que tão bem se adaptam na região vitícola.

Quanto aos vinhos, a gama está organizada da seguinte forma: os vinhos com a denominação “Companhia das Lezírias” são englobados na Denominação Do Tejo e elaborados essencialmente a partir das castas Castelão, no caso do tinto, e Fernão Pires, no caso do vinho branco. Os vinhos tintos desta gama são estagiados em madeira nova de carvalho americano e francês, reunindo um conjunto único de tipicidade dentro da região Tejo em que se insere.

Os vinhos regionais possuem a designação “Catapereiro”, sendo um lote das várias castas regionais instaladas na nossa vinha. No caso do regional tinto, e em anos em que tal se justifique, é seleccionado um pequeno lote de vinho que vai estagiar em pequenas barricas de carvalho francês, sendo depois engarrafado à parte, dando origem ao “Catapereiro Escolha”. Estes vinhos são mais encorpados possuindo um potencial de guarda superior aos outros tintos produzidos na Companhia das Lezírias.

Os vinhos de mesa são vendidos sob a denominação “Senhora de Alcamé” sendo elaborados a partir de lotes de vinhos produzidos pela CL que não entram nas restantes marcas comerciais.

A Companhia das Lezírias, membro fundador da Rota da Vinha e do Vinho do Ribatejo, goza de uma localização excelente, que se repercute na qualidade dos vinhos.

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Este syrah vindo directamente da safra de 2008 com 7000 garrafas produzidas e com uma graduação alcoólica de 14,5%, visualmente  tem um aspecto límpido e cor grenada escuro. ”Possui um aroma muito intenso e complexo, com notas de café e chocolate bem combinadas com a fruta madura da casta. O sabor é rico, frutado, encorpado e com grande final.”

O escritor Hubrecht Duijker, e grande especialista em vinhos, escreveu:
“A vida é curta demais para se beber maus vinhos!”

O syrah da Companhia das Lezírias vale a pena ser bebido!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 12,50€

 

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Quantos copos de syrah se deve beber para parecer mais atraente?

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Parece uma pergunta despropositada, mas não é. Segundo um estudo desenvolvido pela Escola de Psicologia da Universidade de Bristol, e publicado no Science Daily, basta beber um copo de syrah para o sexo oposto nos achar mais atraente.

A investigação, citada pelo site da revista Time, teve como base a observação de 40 homens e mulher heterossexuais. Os voluntários tinham que observar três imagens da mesma pessoa – uma tirada enquanto estava sóbria, outra após ter ingerido 250 mililitros de vinho (o equivalente a um copo grande) e uma outra depois de beber 500 mililitros de vinho (dois terços de uma garrafa).

A fotografia que mostrava o indivíduo após ter bebido 250 ml de vinho foi considerada a mais atraente. Em segundo lugar ficou a imagem do mesmo indivíduo sóbrio.

Os investigadores afirmam que em causa está a cor rosada que surge no rosto após termos bebido um pouco de álcool, bem como o relaxamento dos músculos e os sorrisos espontâneos – que mostram uma atitude positiva.

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A conclusão deste estudo pode gerar alguma discussão entre os leitores, assim esperamos, mas uma coisa é certa: os investigadores concordam que se deve beber um copo por dia, e apenas um, pois além do assunto principal deste nosso texto, o consumo de álcool deve ser feito de uma forma moderada!


 

Quinta das Hortênsias, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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Desta vez estamos na região vinícola de Lisboa, para visitarmos o syrah da Quinta das Hortências. É uma quinta situada em Castanheira do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira. Tem como um dos seus objectos mais importantes o ramo vitivinícola. É uma zona onde foram encontrados os mais remotos vestígios do cultivo da vinha na Península Ibérica, cerca do século III depois de Cristo.

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Com cerca de 70 hectares, dedicou-se no início da sua actividade, principalmente, à produção de uva de mesa. Contudo, há mais de 9 anos que fez a reconversão e reestruturação das suas vinhas para produção de uva para vinhos de alta qualidade.

A exploração vitivinícola comporta actualmente cerca de 45 hectares de vinhas, situadas em encostas soalheiras acima dos 200 metros de altitude, que separam a bacia do Tejo das colinas da região de Lisboa. Como é uma zona de transição os solos são especialmente heterogéneos, apresentando composições que variam entre as areias e os solos argilosos.

Falamos o ano passado com o seu proprietário e produtor, Rogério Simões, e ficamos a conhecer as duas safras deste syrah, a de 2008 já esgotado e a de 2009 ainda disponível e a que está em análise e classificação nesta análise.

As castas da Quinta das Hortências são tintas a Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca, Tinta Barroca, Castelão, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Caladoc. Nas castas brancas existe o Verdelho, Arinto e Alvarinho.

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A Quinta das Hortências exporta os seus vinhos para a Alemanha, Reino Unido e Suíça.

O poeta Charles Baudelaire certamente assim falaria perante um syrah como o da Quinta das Hortências:

A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
“Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um cântico em que há só fraternidade e luz!

Bem sei quanto custa, na colina incendiada,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,

Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À conta do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.

Não ouves retinir a domingueira toada
E esperanças chalrear em meu seio, febris?
Cotovelos na mesa e manga arregaçada,
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz.

Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão tenro atleta da vida
Como o óleo que os tendões enrija ao lutador.

Sobre ti tombarei, vegetal ambrósia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!”

É um syrah que se distingue sensorialmente, sendo encorpado e redondo, com taninos presentes, final de boca prolongado e agradável. Boa concentração aromática em que sobressai os aromas da fruta vermelha madura, especiarias e algumas notas minerais. As notas de prova do syrah da Quinta das Hortências dizem-nos ainda que “os frutos vermelhos silvestres estão presentes no aroma, assim como notas gulosas de cacau. Continua frutado no paladar, apresenta boa firmeza, é muito agradável, volumoso e envolvente. Muito consistente, termina com agradável e razoável persistência”.

Vale a pena experimentá-lo!

Classificação: 16/20                                           Preço: 10,00€

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Humus, Quinta do Paço, 90% Syrah, Lisboa, 2010, 2011

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Estamos hoje na região vinícola de Lisboa para apresentar um syrah biológico. O Humus, Herdade do Paço, do produtor Rodrigo Filipe.

Já conhecíamos o Rodrigo, mais precisamente da última Feira de Vinhos do Campo Pequeno, que se disponibilizou a prestar-nos várias informações, agora que decidimos falar de uma criação sua.

O Humus de 2010 é um reserva, feito com syrah e tinta barroca na proporção de 80% e de 20%, logo não é um monocasta syrah, e isso à partida sempre nos coloca algumas objecções, pois estamos aqui para defender acima de tudo os 100% Syrah, que são a nossa predilecção. E apenas soubemos desta “anomalia” quando conversámos com o produtor. Estávamos convencidos depois de o ter degustado que a percentagem seria de 85% – 15%.

No entanto, o syrah presente na garrafa é de qualidade superior, e “abafa” completamente a tinta barroca, como geralmente acontece. Esta safra que está esgotada e será brevemente substituída pela safra de 2011, e tem uma percentagem diferente de syrah e tinta barroca: 90% de syrah contra somente 10% de tinta barroca. Daí no nosso título estar o Humus de 2011 e não o anterior. Prevê-se um melhor desempenho, logo uma melhor classificação.

De cada safra foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. As notas de prova dizem-nos que possui ”toques de amora e groselha, complementadas por fumados e mineral. O paladar tem uma boa estrutura, frescura e vigor. Taninos firmes e integrados.”

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A Quinta do Paço é uma propriedade familiar, com um total de vinte hectares, dez dos quais dedicados à vinha. Situada na região demarcada de Óbidos, entre o Oceano Atlântico e a Serra dos Candeeiros, a Quinta do Paço desfruta de condições de solo e clima especiais que dão aos seus vinhos carácter e personalidade.

Trata-se de uma pequena propriedade. Por isso as vinhas não se estendem a perder de vista. São pequenas, delicadas e recebem toda a atenção devida. Cada garrafa resulta do esforço conjunto de pessoas que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas a estas terras. São os laços afectivos e familiares que as unem no desejo de produzir um syrah cada vez melhor!

Os vinhos da Quinta do Paço são de agricultura biológica. Sem adubos, sem químicos, o que obriga a trabalho redobrado na lide diária, com enormes compensações a todos os níveis. Por isso há a vontade sempre presente de produzir vinhos autênticos, da forma o mais natural possível, respeitando sempre a Natureza e o Meio Ambiente.

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A principal preocupação do produtor é a vinha e a qualidade das suas uvas. Para tal escolheram-se as castas que melhor se adaptam às condições de solo e clima, apostando-se em rendimentos inferiores aos normalmente praticados. Deu-se especial atenção ao solo, pois acredita-se que só um solo vivo é capaz de potenciar ao máximo a  expressão do ‘terroir’.

Na adega a intervenção é reduzida ao mínimo, de forma a preservar e respeitar a identidade de cada vinho. A Quinta do Paço está inserida na Rota do Vinho do Oeste e recebe, sob marcação, quem quiser conhecer as vinhas, a adega ou provar o syrah.

O Humus Reserva é um tinto de nome pouco vulgar que exterioriza uma personalidade forte, exposta num estilo francamente original que entrelaça dois mundos que se encontram profundamente divididos entre nariz e boca. O estilo é discretamente atordoante, entrecruzando um nariz floral e perfumado altamente apelativo, com uma boca muito mais masculina e dura, férrea nos taninos e tensa no final de boca. Um tinto de qualidade que merece ser conhecido em toda a sua extensão.

Num artigo intitulado “A diferença como uma virtude”, o jornalista Rui Falcão referia o Humus Reserva como um dos exemplos de “vinhos diferentes, de castas raras, regiões esquecidas ou produtores menos mediáticos”. Nós também estamos de acordo. É um syrah com grandes capacidades de evolução, tanto que nos trouxe até este poema, que aqui deixamos em versão bilingue.

CANÇÃO AO VINHO
Juan Ponçe

Ave, color vini clari,
Ave, sapor sine pari,
Tua nos inebriari,
Digneris potencia.

O quam felix creatura!
Quam perduxi vitis pura.
Omnis mensa sit secura.
In tua prescencia

O quam placens in colore,
O quam fragans in odore,
O quam sapidum in ore,
Dulce linguis vinculum.

Felix venter quem intrabis
Felix gutur quod rigabis.
O felix os quod lababis
O beata labia!

Ergo vinum colaudemus
Non potantes confundemos
In eterna sécula
Amen.

(TRADUÇÃO)

Ave, cor do claro vinho.
Ave, sabor sem igual.
Seu poder nos embriaga!
Digne-se esse poder.

Ó quão feliz criação,
produzido pela pura vinha.
Toda mesa está segura
em sua presença.

Ó quão agradável em cor,
quão fragrante em odor,
quão gostoso na boca,
a doce prisão da língua!

Feliz a barriga na que você entra,
feliz a garganta que você humedece,
feliz a boca que você lava.
Ó lábios santificados!

Louvemos o vinho
e que os abstémios sejam confundidos
pela eternidade dos séculos.
Amém!

Assim nos vamos!

Classificação: 16/20                                           Preço: 10,00€

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Bento dos Santos, o prolífero do Syrah!

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Bento dos Santos é simplesmente um dos grandes senhores do Syrah em Portugal.

Para além da enorme qualidade que se percebe em cada Syrah que sai da sua Quinta, o que o distingue sobremaneira é a diversidade que, nestes vinte anos de Syrah, já lhe conhecemos. Trouxe a casta directamente de França, do Vale du Rhône, para Alenquer, para a sua Quinta do Monte d´Oiro. A importância deste enólogo é de tal ordem que ainda hoje é demasiado cedo para sabermos com precisão o alcance de toda a sua influência nos demais produtores de Syrah em Portugal.

São seis os Syrah da sua responsabilidade que foram criados na Quinta de Alenquer:

Homenagem a António Carqueijeiro, Syrah (94%) e Viognier (6%) (esgotado)

Reserva d´Oiro,  Syrah (94%) e Viognier (6%)

Lybra, Syrah (100%)

Vinha da Nora, Syrah (100%) (esgotado)

Syrah 24, Syrah (100%)

Syrah Rosé, Syrah (100%)

Claro que preferimos os Syrah a 100%, como sempre dizemos, e é nessa direcção que nos batemos, mas nenhum deles pode, ou deve, ser ignorado. Na devida altura falaremos mais em pormenor destes Syrah e da Quinta que os produz.

José Manuel Bento dos Santos é engenheiro Químico Industrial pelo Instituto Superior Técnico desde 1970. Iniciou a sua carreira profissional no Barreiro, como quadro da CUF, essa grande escola de engenharia e gestão. De Chefe de Produção da Metalurgia do Cobre passou, ao fim de poucos anos, para Director do Marketing de Metais tendo, nessas funções, corrido mundo. Foi docente universitário regendo as cadeiras de Metalurgia e de Gestão de Empresas. Fez parte do Conselho de Administração de várias empresas e, em 1981, fundou a Quimibro, uma empresa broker de metais única no género em Portugal e líder de mercado.

A partir de 1990, deu início ao ambicioso projecto vitivinícola da sua Quinta do Monte d’Oiro, em Alenquer, de onde, logo desde a primeira colheita (1997), têm saído vinhos de grande gabarito e prestígio não só nacional como internacional.

Desde muito cedo que foi notório o seu profundo interesse pelo sentido do gosto, dedicando toda a vida ao culto da gastronomia na sua forma mais pura, e da própria culinária, onde aplicou os seus conhecimentos à descoberta das harmonias perfeitas entre vinho e comida. Nas suas contínuas viagens teve a oportunidade de frequentar os mais famosos restaurantes e de contactar e praticar com grandes cozinheiros de todo o mundo. Ao mesmo tempo teve o privilégio de conhecer e provar os vinhos mais requintados. Iniciou a sua colecção de vinhos há mais de 30 anos, participando activamente nos leilões do Christhie’s ou da Sotheby’s e ainda através do contacto directo com alguns dos mais reconhecidos produtores mundiais.

É Vice-Presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Conselheiro Gastronómico da Chaîne des Rôtisseurs, Cavaleiro da Confraria do Vinho Porto, membro da Académie des Psycologues du Goût , Chevalier des Entonneurs Rabelaisiens e Chevalier du Tastevin. Recebeu da Presidência da República Portuguesa o grau de Comendador da Ordem de Mérito Agrícola (2006) e foi condecorado pelo Ministro francês para a Agricultura e Pescas (2007). Em 2008, recebe o mais elevado reconhecimento da Chaîne des Rôtisseurs (a Medaille d’Or ) e ainda, do Ministério da Economia e Inovação, a Medalha de Mérito Turístico.

É autor dos livros “Subtilezas Gastronómicas – receitas à volta de um vinho” (Assírio & Alvim, 2005) – inspirado no primeiro vinho branco da Quinta do Monte d’Oiro –, “O Sentido do Gosto” (Livros d’Hoje, 2008) e “Allgarve Gourmet ” (Prime Books, 2008), publicando ainda artigos regulares sobre gastronomia e vinhos em revistas da especial idade e outros meios de comunicação. Profere diversas conferências sobre estas temáticas no país e no estrangeiro e foi o docente responsável pelo seminário “O Sentido do Gosto” destinado aos alunos do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST.

É igualmente autor e apresentador de duas séries televisivas, de larga audiência, em vários episódios sobre os temas do vinho e da gastronomia: “Segredos do Vinho” (SIC, 2004) e “O Sentido do Gosto” (RTP, 2007-2009).

Voltamos ao ponto de partida: no que diz respeito ao Syrah, José Manuel Bento dos Santos conjuga qualidade e diversidade. É um dos maiores especialistas (a par de António Saramago, de que já falámos anteriormente) a fazer Syrah em Portugal!

Não é a primeira vez que dizemos isso e não será certamente a última: se o Syrah português é tão bom e de reconhecida qualidade superior, isso deve-se em primeiro lugar aos homens que o fizeram e depois, naturalmente ao “terroir” onde ele é feito! Exactamente e por esta ordem!