Monthly Archives: November 2015

Syrahs no Pátio – Syrahs de Lisboa e Setúbal

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Mais uma vez o Blogue do Syrah foi de passeio gustativo por mais uma mostra de Syrah, desta vez regiões de Lisboa e Setúbal. Três euros custo de entrada, com direito a copo, achámos bem, e como se pode ver, inclui além de prova livre, master classes e workshops. Da nossa parte fomos mais pelas provas…

O Pátio da Galé, em pleno Terreiro do Paço, que paços é que já lá não existem, sim os gabinetes de alguns dos que nos governam, se for o caso, é uma referência iluminista maior entre as congéneres europeias do século XVIII. Desenhado por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, o projecto foi aprovado pelo Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755, como é sabido.

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O Pátio da Galé ocupa a área onde se situavam o Paço Real e a Casa da Índia. A intervenção efectuada reflecte, em simultâneo, a imagem inovadora e vanguardista associada a Lisboa, respeitando a componente patrimonial e histórica do edificado. O novo espaço, agora reabilitado, disponibiliza a Sala do Risco – galeria para exposições e eventos -, dois restaurantes, uma geladaria, a Lisbon Shop,  loja de produtos de merchandising de Lisboa, e um Posto de Turismo. O Restaurante Terreiro do Paço apresenta confort food de inspiração portuguesa e mediterrânica e o Aura Restaurante + lounge café aposta na cozinha portuguesa contemporânea, enquanto a Geladaria Paço d´Água oferece gelados confeccionados artesanalmente. Para além da sede do Turismo de Lisboa, no Pátio da Galé encontram-se ainda o Canal Lisboa e a sede da Modalisboa. O Peixe em Lisboa, actividades do Festival dos Oceanos e a Modalisboa são alguns dos eventos que decorrerão no novo Pátio da Galé.

E desta vez foi pois o Syrah, como sempre, que nos levou até lá, para um convívio sempre agradável e prazenteiro com quem sabe fazer e comunicar da sua arte, falando das suas paixões pelo nosso abençoado néctar.

Aqui ficam os momentos mais relevantes.

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Por esta Quinta de Hortências, selecta e sofisticada, foi por onde começámos o périplo, conhecendo e degustando a nova safra, e conversando amavelmente sobre o que nos levou ao local: o mundo maravilhoso do Syrah!
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Mesmo ao lado estava igualmente mais uma casa de Syrah, mas para nossa infelicidade, apesar da simpatia e empenho, este nosso dito cujo não estava entre os presentes, por questões de logística. Imperdoável! Mas os revezes da vida são de aceitar com estoicismo. Para não irmos de paladar a abanar, provámos um Reserva que nos foi sugerido… e por aqui nos fomos.
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Aqui a história agigantou-se e fomos de tirar o assunto a limpo e inquirir de motivos, falando em directo com quem pode tomar as decisões que nos importam. A casa Vidigal é mãe não de um, mas de TRÊS Syrah! Todos esgotados, diga-se, e por aí se ficou, não mais produziu do que nos interessa. Porquê? Pois porque sim, foi basicamente a resposta. Insistimos e tentámos que a porta se abra de novo para o nosso lado… quem sabe, foi a promessa! Fomos dali com alguma esperança.
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A história em eterno retorno, havia, mas já não há, e como tal não estava presente, logo a pergunta, voltará a haver?…. quem sabe, foi a resposta. Anima, mas não é suficiente, para nossa inquietação.
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Mais do mesmo e não nos vamos repetir. Foi o Syrah que catapultou para a fama a nossa Ermelinda, mas entretanto os ânimos para os lados do Syrah esfriaram por ali… é pena!
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Para terminar em alta, aqui sim, a simpatia converteu-se em certezas, há Syrah, estava presente, provou-se, sentiu-se a paixão, é para continuar. Enólogo à fala em directo, prometendo continuidade e mais qualidade. Conte com o nosso apoio. Ainda houve tempo de ouvir contar estórias da região de Setúbal, lugar de grandes vinhas e famílias interligadas que se dedicam de alma e coração a uma arte genealógica de Syrahs enraizada naquelas férteis planícies de parentescos gustativos!

Terminámos por entre as bancas de produtos complementares, com expositores de queijo tradicional, pão e bolinhos, azeites e outros vinagres, alguns de ideia bem original. Passem por lá e confirmem!


 

Velharia Reserva, Adega Cooperativa da Labrugeira CRL, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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aqui tínhamos apresentado um outro Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira, que foi descoberto em Torres Vedras, e nos espantou pela positiva.

Logo na altura quando consultamos o site da Adega reparamos neste Velharia hoje em destaque, mas fomos de o ignorar porque segundo o site da Adega Cooperativa da Labrugeira não se tratava de um monocasta Syrah, que é o que nos interessa, mas sim de um vinho constituído por cinco castas: Castelão, Tinta Miúda, Camarate, Tinta Roriz e Syrah. Mas a realidade é diferente. Trata-se de um erro crasso, inadmissível num site dos próprios produtores, não se aperceberem que estão a veicular informação incorrecta. Portanto o nosso Velharia é apresentado no site da ACL como sendo tudo menos um monocasta Syrah!

Na realidade é um Syrah dos nossos, e é por isso que estamos aqui a falar dele. Indo pelo que é dito no site da cooperativa, passaríamos ao lado!

Feito o reparo, e tanto quando sabemos, é já a terceira safra deste Syrah, imagine-se. A primeira foi a de 2006 e a segunda a de 2008. Tem uma óptima relação qualidade preço e apresenta uma graduação alcoólica de 14%. As notas de prova na ficha técnica falam de um “Vinho tinto cor granada clara, ligeiramente complexo entre fruta e especiarias e com alguma persistência. Acompanha pratos bem confeccionados de carne e peixe, fumados e queijos.” O enólogo responsável é Vasco Miguel, coadjuvado pelo enólogo residente Nuno Pimentel.

A Adega Cooperativa da Labrugeira, situada no concelho de Alenquer, é actualmente a única adega cooperativa deste concelho, representando assim todos os viticultores cooperantes desta área, congregando desde 1973 as produções de mais de 400 sócios-cooperantes, produtores da zona norte do concelho. Com uma forte tradição na produção de vinhos de qualidade, a adega tem vindo a melhorar gradualmente as suas estruturas, sendo neste momento uma das adegas com melhor resposta às exigências enológicas.

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A Adega tem vindo, desde 1992, a melhorar as suas estruturas de produção nomeadamente na vertente da qualidade e infraestruturas, dando resposta às actuais exigências enológicas e dos mercados consumidores. A sua produção média anual de mais de 4 milhões de litros permite-lhe engarrafamentos de escala, com bons binómios preço-qualidade, e tem vindo a alargar a sua oferta, que se estende actualmente a diversos vinhos certificados “DOC Alenquer” e “Regional Lisboa”, tendo como objectivo oferecer ao consumidor o que de melhor se produz na região de Alenquer e levando esses néctares aos quatro cantos do Mundo.

Escreveu um autor desconhecido que “Sondar a História do Syrah é conhecer uma civilização velha de milénios que continua viva”.
É isso que o Blogue do Syrah tem estado a fazer desde o início do seu percurso, trazer ao conhecimento de todos aqueles que nos quiserem acompanhar as histórias e os temas de uma casta cuja origem se perde nos milénios de antigas civilizações, e ao mesmo tempo está implantada com garra num território que a acolheu de braços abertos!

 

Classificação: 15/20                                                   Preço: 3,00€

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A arte de provar um Syrah!

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Hoje estamos na área sofisticada da prova de Syrah, plena de requinte e subtileza.

Antes de mais, existem três condições fundamentais a cumprir para que nada atrapalhe o prazer de provar um bom Syrah:

  • um local isento de cheiros
  • um local bem iluminado, de preferência, sem luz fluorescente
  • um bom copo, transparente e bem limpo de odores e manchas

Estando reunidas estas condições, é hora de servir o nosso Syrah.
A quantidade ideal a verter será sempre no máximo um terço do copo. Mesmo que esteja numa tasca! Porquê? Simples: liberta espaço para o agitar o vinho sem entornar, permite que o aroma se concentre no copo, e é mais civilizado, e civilidade fica sempre bem, qualquer que seja o lugar.

A partir destas premissas, siga agora os passos que lhe sugerimos:

  • Comece por observar a limpidez do vinho: é brilhante e límpido ou, por contrário, turvo? A segunda hipótese aponta para um vinho com mais depósito, resultado da precipitação de matérias ao longo do tempo, por sua vez, típico de um vinho que não sofreu muitos tratamentos de estabilização ou filtração. Neste caso tratar-se-á de um vinho mais encorpado e com mais volume de boca.
  • Atente agora na cor do vinho. No caso dos tintos é avermelhado ou acastanhado? A segunda hipótese indica geralmente mais idade e sabedoria.
  • Apure a seguir o seu olfacto. Agite cuidadosamente o copo em movimentos circulares para que liberte os seus aromas mais escondidos. Provavelmente reparará na lágrima que escorre pelas paredes do copo. Essa presença relaciona-se com o maior teor de álcool e de açúcar presente no vinho. Aproxime-se e cheire. Sente os aromas naturais de frutas vermelhas, de frutas de caroço, flores, madeira ou especiarias? No caso de um vinho mais evoluído (com mais anos de garrafa), poderá encontrar cheiros de evolução (mel, couro, carne, por exemplo). Procure incentivar-se a descobri-lo!
  • Por último, chega então a altura de provar. Procure espalhar o vinho por toda a boca, de modo a que consiga atingir todos os sabores nele presentes. Inspire novamente os aromas do vinho. Desfrute do momento e da harmonia dos sabores e dos aromas!

Terminamos com uma tradução nossa de um pequeno parágrafo de Joanne Harris, a grande autora de novelas gastronómicas, do livro “Blackberry Wine”:

‘Um Syrah fala. Todos sabem isso. Olhem à volta. Perguntem ao oráculo que está na esquina; ao que não foi convidado para o banquete de casamento; ao louco sagrado. Fala. É um ventríloquo.  Tem um milhão de vozes. Solta a língua, brincando com os segredos que nunca deveriam ter sido revelados, segredos que nem sabias que existiam. Grita, rasga, sussurra. Fala das coisas grandes, esplêndidos planos, amores trágicos e terríveis traições. Grita no meio de gargalhadas. Fala suavemente para si próprio. Chora em frente da sua própria reflexão.  Abre-se no verão longínquo e nas memórias que melhor se esqueceram. Cada garrafa traz o sopro de outros tempos, outros lugares… a matéria base transforma-se na matéria dos sonhos, em alquimia!’

À nossa, com um Syrah, sempre!


 

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Já antes tínhamos aqui apresentado o outro Syrah da Herdade Monte do Outeiro, Pinhel, por acaso do mesmo ano, 2009. Hoje viemos para falar do seu irmão gémeo, com o epíteto de Reserva. E com esta palavra aposta no rótulo, o conteúdo da garrafa muda, e muito. Qual a diferença entre os dois Syrah Monte Cruz? Esta é uma questão decisiva!

Estamos a falar de um Syrah mais graduado em termos alcoólicos, tem 14,5%, enquanto que o Monte Cruz sem ser reserva tinha 14%! As notas de prova na garrafa dizem-nos que possui “fruto maduro, notas ligeiras balsâmicas e tostadas. Na boca o fruto surge acompanhado de bons e firmes taninos. Mostrando um final longo e persistente.”

Quando este Syrah Reserva chegou até nós, foi recebido de certa forma com pouco entusiasmo, devemos de o confessar, porque francamente não estávamos à espera de grande diferença em relação ao outro que não era Reserva, mesmo sendo a diferença de preço muito apreciável!

Este é um assunto importante e vamos falar dele como merece. São dois vinhos da mesma vinha, portanto são as mesmas uvas, o mesmo terroir, mas a intervenção humana é completamente distinto, nomeadamente em todo o processo que dá origem ao estágio, quer em barrica, quer em garrafa, e isso vai fazer toda a diferença no resultado final. Desde o princípio, esta nossa aventura pelo mundo dos Syrah portugueses rapidamente nos fez concluir que o trabalho humano na confecção desta bebida tem uma percentagem de importância de pelo menos 70%. Hoje temos essa convicção mais forte do que nunca. O terroir é importante, sem dúvida, a qualidade das uvas é importante, seguramente, o clima, a localização, as características meteorológicas desse ano, etc, são importantes, mas a intervenção na adega e o que se segue depois é seguramente o mais importante. O Monte Cruz Reserva 2009 é a prova disso mesmo.

É um vinho excepcional, ao contrário do outro Syrah seu irmão, que não era mais do que um bom Syrah. Este Reserva Monte Cruz é extraordinário logo ao primeiro trago e é isso que imediatamente impressiona. Um só trago deste Syrah faz-nos automaticamente perceber que se trata de um Syrah topo de gama!

Eis pois que nas proximidades da Vila de Portel, Herdade Monte do Outeiro, se produzem vinhos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente. Quem os conhece diz que são vinhos de colheita seleccionada, de aroma perfumado, complexidade elegante e persistente, tudo por nós corroborado e confirmado com sumo deleite.

Infelizmente terminamos com um parágrafo menos abonatório sobre um tema lateral a isto tudo, porque mais uma vez somos de repetir o que já foi dito anteriormente sobre a Sociedade Agrícola Monte Cruz, Lda, a proprietária da Herdade Monte do Outeiro, que não pratica qualquer tipo divulgação a nível de marketing e partilha de informação nas novas tecnologias, em relação quer à propriedade quer em relação aos seus vinhos. E quando dizemos que não pratica qualquer tipo divulgação, isto quer dizer, mesmo nenhuma! A empresa, pela mão de Maria Cruz, veio, num comentário ao nosso artigo anterior sobre o respectivo Syrah, dizer que o mais importante é fazer bons vinhos, que eles próprios fazem o seu próprio marketing e não há melhor publicidade do que a “boca a boca” e o agrado dos clientes, e que o código QR na garrafa, que os smartphones podem ler, dá acesso à ficha técnica. Disse e está dito, mesmo assim continuamos a achar que uma presença na Internet, com informações sobre a quinta, as vinhas, os Syrah, é importante, quanto mais não seja para podermos retirar algumas imagens de um lugar onde se faz tamanho néctar. Assim como está, vai a garrafa, fotografada por nós, e apenas texto a seguir. Pobre de iconografia, mas é o que há! Fomos convidados pelo muito amável dono da Quinta a fazer-lhe uma visita, quem sabe um dia destes aceitamos o convite e fazemos nós próprios as fotografias que tanto apreciaríamos já hoje.

O poeta persa Rumi dizia “Ou me dão mais Syrah ou deixem-me em paz”. Se o Syrah não for este Reserva Monte Cruz, mais vale mesmo arranjar uma boa alternativa… Perfeitamente!

 

Classificação: 20/20                                                    Preço: 29,50€


 

Dicas de etiqueta para servir e apreciar devidamente um Syrah!

Muitas vezes elevado ao estatuto de “néctar dos deuses”, não é de estranhar que, por isso, o mundo dos vinhos seja um do que apresenta mais regras de etiqueta com características muito próprias. Desde a abertura da garrafa, passando pela sua degustação,até aos próprios brindes, estas dicas têm um simples propósito: garantir um maior prazer em todo o maravilhoso ritual que compõe a apreciação de um copo de Syrah, no nosso caso.

Aqui vão algumas dessas regras.

  • Sempre que puser a mesa, certifique-se que o copo do vinho é colocado à direita do copo da água – esta é a sua posição correcta em qualquer mesa.
  • Quando servir vinho a alguém, saiba que a quantidade que deita no copo depende sempre do vinho que está a ser servido: 1/3 do copo no caso do vinho tinto, ½ copo no caso do vinho branco e ¾ do copo no caso do vinho espumante.
  • Ao terminar de servir um copo de vinho, deve rodar ligeiramente a garrafa enquanto a afasta desse copo – não só fica bem, como vai evitar que o vinho pingue para a mesa.
  • Sempre que beber vinho do seu copo, deve olhar para o mesmo, ou seja, para o próprio copo, em vez de olhar para a pessoa com quem está a conversar, por exemplo.
  • Pegue sempre no copo de vinho pelo seu pé: para além de evitar sujar o copo com dedadas, mantém o vinho fresco (no caso do vinho branco ou vinho espumante) e permite observar a cor e a claridade do vinho (nomeadamente no caso do vinho tinto).
  • Quer seja o seu aniversário, casamento ou outra festa qualquer, se alguém lhe estiver a fazer um brinde, não beba o seu vinho até o brinde terminar – sorria e erga ligeiramente o seu copo de vinho enquanto ouve.
  • Quando estiver efectivamente a brindar com outras pessoas, deve olhar cada pessoa nos olhos enquanto faz tchim-tchim (os franceses são da opinião que quem não o fizer, estará sujeito a sete anos de azar!) e, claro, deve tocar individualmente com o seu copo de vinho no copo de vinho de cada pessoa que estiver a participar no brinde, mas sem cruzar os seus braços sobre os braços de outra pessoa. Conhecia esta regra de etiqueta do mundo dos vinhos?
  • Esta dica vai um pouco contra e a favor da etiqueta para o consumo correcto de um copo de vinho: se estiver a usar batom e quer evitar que o mesmo não marque o seu copo de vinho (já sabemos que esteticamente isso não fica nada bem!), passe a língua rapidamente pela zona do copo por onde vai beber antes de saborear o vinho… mas faço-o sem ninguém ver!

É da responsabilidade do anfitrião da festa ou do jantar, manter os copos sempre com a quantidade correcta de Syrah – ninguém quer ter na mão um copo de vazio… de Syrah!

Bom proveito…e bons Syrah!