Pois é verdade… depois de anunciarmos hoje o Salira, da Adega Cooperativa de Lagoa, 2005, a lista oficial dos Syrah da nossa terra atingiu este número redondo de 150!
Quando, a 1 de Outubro de 2014, começámos esta aventura de vir aqui contar a história dos Syrah portugueses, tínhamos conhecimento de um número deles que não chegava aos 100. A seguir, fruto da nossa investigação incansável, o total rapidamente ultrapassou esse limite, e continuou a aumentar.
Fomos tendo conhecimento de Syrah que existiu mas entretanto esgotou-se, de outros que existindo viemos a conhecer e, claro, durante este período apareceram mesmo novos Syrah em novidade absoluta. Para nós a descoberta de um novo Syrah, seja em que circunstâncias for, é sempre uma suprema alegria, para não dizer mesmo uma festa… que venham mais, sempre mais e melhor, se tal for possível!
O nosso agradecimento vai como sempre de forma desmedida para todos aqueles que, como paixão, sapiência e total entrega, produzem este néctar do qual alguém disse, “Bebei Syrah… ele é a vida eterna!”
Uma nova colheita do Syrah mais ao sul do Alentejo!
Já tínhamos apresentado a colheita de 2011, mas consideramos esta que hoje aqui nos trás de qualidade superior! O concelho de Mértola tem também o seu Syrah e está desta forma muito bem representado!
O projecto tem tido sucesso devido ao interesse constante dos clientes pelos vinhos da Herdade da Bombeira, que se situa no Concelho de Mértola, na margem direita do Rio Guadiana, a 3 quilómetros a sul dessa linda vila alentejana, estendendo-se ao longo de 2 quilómetros da sua margem.
Um grupo de amigos, amantes da natureza, os proprietários da Herdade da Bombeira, entenderam em 1999 plantar 18 hectares de castas tintas, numa zona com solos privilegiados, onde logo se adivinhou um terroir de altíssimo potencial. Em 2000 conclui-se a plantação, em 2003 produziu-se os primeiros vinhos, em 2005 o primeiro rosé, entre 2009 a 2011 é concluída a plantação de 3,5 hectares de uva branca e em 2012 é produzido o primeiro vinho branco.
A Herdade da Bombeira, com os seus 700 hectares, possui uma várzea ao longo do rio com cerca de 20 hectares onde os solos de características xistosas se misturam com os aluviões do Rio Guadiana proporcionando as condições ideais para a implantação da Vinha. O Clima desta zona não sendo continental também não é de características marítimas. O mar fica a 50 quilómetros a Sul e a 100 quilómetros a Oeste mas a proximidade da Serra do Caldeirão e do Rio Guadiana tornam o clima mais ameno do que na generalidade das terras vinícolas do Alentejo. A influência do rio Guadiana é fundamental, provocando um microclima que influencia a humidade relativa, evita as geadas e faculta água de qualidade ímpar devido à corrente ecológica com origem na barragem do Alqueva.
Após análise do comportamento das castas na zona e a conselho do enólogo residente Bernardo Cabral, decidiu-se em 2002 substituir, e muito bem na opinião do Blogue do Syrah,(não é por acaso que gostamos das qualidades técnicas deste enólogo!) cerca de 2,5 hectares de casta Aragonês por Syrah, e em 2006 o restante por Alicante Bouchet cerca de 3,5 hectares.
As notas de prova que escolhemos falam de um Syrah“especiado e bem maduro, algum chocolate, fruto intenso, boca com volume algum calor num final longo e picante. Um tinto com franqueza e generosidade de formas. Taninos sedosos e redondos, termina prolongado e medianamente persistente.”
Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.
“No banquete da vida a amizade é o pão, e o amor é o vinho. “ já dizia Paolo Mantegazza.
Aqui estaremos fiéis para acompanhar a sua evolução com todo o rigor!
Regressados do Vale do Rhône onde estivemos nos últimos dias e do qual iremos brevemente dar mais notícias para todos os apreciadores da casta Syrah, vamos recordar esta história em que o protagonista é Phillippe de Rothschild, a propósito da questão sempre presente da importância do Terroir. Isto por causa das diferenças entre O Hermitage e o Crozes Hermitage, duas das sub regiões que integram o Vale do Rhône ou entre a sub região de Cornas e de St. Peray e isto só para dar um exemplo.
Consta que, certa noite, anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de “Mouton Rothschild”, safra 1928. O empregado de mesa, em vez de trazer a garrafa para mostrar ao cliente, traz o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar. O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir o aroma, fecha os olhos e cheira o vinho. Inesperadamente, franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente:
– Isto aqui não é um Mouton de 1928!
O empregado de mesa assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é. Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chefe de mesa e o gerente do hotel, que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928. De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.
– O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente modestamente, e fui eu que fiz esse vinho.
Consternação geral.
O empregado de mesa então, de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:
– Desculpe, mas não consegui suportar a ideia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante. Afinal, o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma e o esmagamento das uvas faz-se na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.
Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o empregado de mesa pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:
– Quando voltar para casa esta noite peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha dois orifícios do corpo dela muito próximos um do outro e faça um teste de olfacto. Você perceberá a subtil diferença que pode haver numa pequeníssima distância geográfica!
Este Syrah é a gama de entrada dos Syrah míticos de Cortes de Cima!
Depois de o provar, e se não conhecer os outros dois Syrah de Cortes de Cima, ou seja, o Homenagem a Hans Christian Andersen e o célebre Incógnito, não irá acreditar que se trata de um Syrah neste lugar da tabela.
Isto porque é um Syrah exuberante! De uma complexidade aromática altiva e sublime. Um Syrah denso!
Quando apresentamos este mesmo Syrah da colheita de 2012 dissemos que “dos três é o menos empolgante mas nem por isso desce do patamar electivo.” Menos empolgante é coisa que este agora não tem! Os nossos parabéns à dupla Hans e Carrie e, naturalmente, ao enólogo que já aqui apresentámos, Hamilton Reis, pela excelência deste produto! O que será deste Syrah daqui a dois ou três anos? Como irá evoluir? Profetizamos uma vida exuberante!
Há aqui sim um aspecto que queremos enfatizar: o preço elevado para a gama que representa. Respondem os representantes da propriedade com a história, com a procura e com as vendas que esgotam os stocks. Outros Syrah de qualidade têm preços bem mais simpáticos porque não se chamam “Cortes de Cima” e não carregam o fardo de terem sido o motor da implementação da casta Syrah no Alentejo e daí a projecção que ganhou no resto do país. Temos de aceitar a argumentação. Este Syrah de 2013 é a 18º vindima e tem uma graduação alcoólica de 14%.
As uvas foram rigorosamente seleccionadas, e estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês (90%) e americano (10%) até altura do engarrafamento em Julho de 2014. As notas de prova falam de um modo geral de “aromas a frutos de bago escuro, cereja e ameixa, com complexas notas de terra e especiarias. Palato rico e firme, cheio de fruta madura.” Colheita, produção e engarrafamento na propriedade familiar. Engarrafado com filtração sem colagem em Julho de 2014. Produção total: 5.500 garrafas (37cl), 48.900 garrafas (75cl).
O rótulo foi renovado. Está melhor sem perder a traça original. A palavra “Syrah” está mais visível. Ainda bem! É uma equipa de gente feliz a sorrir que está de parabéns.
Ao beber este Syrah fomos de nos lembrar do que disse o filósofo Ortega y Gasset, desta forma: “O vinho engrandece as companhias, exalta os corações, dá brilho aos olhos e ensina os pés a dançar.” No caminho certo para se tornar um topo de gama. Impressionante!
Estamos na Praço de Giraldo, em Ebora Liberalitas Iulia, a nossa Évora, assim denominada pelos Romanos quando aqui chegaram. Cidade desta forma vetusta, no coração do Alentejo, herdeira de rico e variado património histórico e cultural, erguido ao longo dos séculos. A cidade foi praça-forte que alicerçou, no Além-Tejo, a formação do novo reino de Portugal durante a reconquista cristã do século XII. Após consolidação das fronteiras com Castela, vários Reis aqui fixaram a sua corte. O património histórico e artístico que hoje se preserva na cidade resultou de certa forma dessas longas permanências da monarquia portuguesa por estas terra. O conjunto monumental que é o legado da cidade está na base da classificação de Évora como Património Cultural da Humanidade, que lhe foi atribuído em 1986.
Mas o que hoje nos trouxe aqui, mais uma vez, e sempre com enorme prazer, foi o encontro anual na cidade dos produtores de vinho do Alto Alentejo, onde, todos sabemos, se produz algum do melhor Syrah do mundo.
Provar, degustar, falar com quem sabe, inquirir de novidades, elogiar, e claro, como sempre, rogar por mais, sempre mais e melhor Syrah! Uma festa… assim começamos, mais as nossas apoiantes, neste espaço de absoluto encanto.
Quase todos os produtores por nós anunciados anteriormente estavam presentes, ficando por comparecer a Carmim, por falta de comerciais, foi o que nos disseram.
Podiam estar muitos mais presentes, mas não estiveram, e foi pena. Quem sabe para o ano… não faltem!
O Blogue do Syrah pronto para o embate… vamos a isso!
Começar em grande… Dona Dorinda, com o nosso amigo Vítor Conceição… orgânico e superlativo!
Há Syrah por aqui, mas não compareceu na amostragem… mas nós sim!
Adega Herdade das Aldeias, uma das grande novidades da encontro… Aldeias de Juromenha 2012!
A festa continua, na melhor companhia possível… outra novidade: Senses Syrah 2013! Em frente, sempre.
Mais um havia mas já não há, logo nunca poderia estar presente… o divino Scala Coeli de infinita memória… para quando mais?
Nem Tiago nem Syrah… mas há, só que não havia! Adiante…
Este Syrah e esta garrafa que nós tanto amamos… e a simpatia do costume… terapia!
Há?… bem, haver há, mas neste momento só em papel… não chega, mas já é alguma coisa… promessas, promessas!
Haveria de haver, mas havia?… não… entendido!
Ficam ainda algumas imagens do ambiente que se vive aqui por Évora este dias, onde a Queima das Fitas pelos alunos da famosa Universidade local ainda veio dar mais colorido, embora negro, a todo o espaço urbano.
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Ainda houve tempo de participar na aprendizagem da gastronomia local, com o chef Rui Fialho, do célebre restaurante local com o mesmo nome, as nossas apoiantes em pleno requinte sápido!