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Grand´Arte, 100% Shiraz, DFJ Vinhos, Lisboa, 2011

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E temos, como não podia deixar de ser, um Syrah de Lisboa!
De um enólogo sobejamente conhecido da “afición” vinícola, o engenheiro José Neiva Correia, proprietário da DFJ Vinhos, casa que produz uma média anual de seis milhões de garrafas, distribuídas por 33 marcas e 77 vinhos diferentes, oriundos de quase todas as regiões vinícolas portuguesas.
Tendo em conta o panorama português, poderíamos chamar à empresa do Eng.º Neiva um potentado vinícola.

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Mas vamos concentrar-nos no que interessa, que é este “Grand`Arte”.

Primeira nota: desde logo salientamos que se trata do único syrah português que se apresenta com a grafia antiga, ou moderna, se quisermos, sem isto ser contraditório…
Expliquemo-nos! Shiraz foi o nome com que esta casta – que faz as nossas delícias – foi baptizada no mundo antigo, acerca de 3.000 anos. Ainda hoje existe no Irão, antiga Pérsia, uma cidade chamada Shiraz, a qual, segundo o antigo embaixador português em Teerão, Dr. José Manuel Arsénio (1998- 2005), que visitou essa cidade, ainda hoje produz uvas, exclusivamente para exportação, devido à religião  Islâmica que proíbe o consumo do álcool.

Portanto, segundo uma das fontes históricas disponíveis, há grandes probabilidades de esta ser a origem da casta syrah.

Com as cruzadas, no século XII, conta a história que um cruzado de volta à sua terra natal, em França, trouxe da Palestina, onde a casta Shiraz estava amplamente divulgada, umas quantas videiras, com o intuito de deixar de vez o mundo das armas e dedicar-se ao mundo dos vinhos.

Fixou-se no Vale du Rhône e plantou a Shiraz, cuja grafia foi afrancesada para Syrah. Mais tarde, a partir de França, espalhou-se por outros países europeus, como Itália e Espanha, potências vinícolas que introduziram a syrah francesa.
Até que chegamos a Portugal, em finais dos anos 80, muitos séculos depois!
Mas essa história extraordinária, a chegada da casta Syrah a Portugal, fica para outra altura!

A partir da Europa, a Syrah saltou para o Novo Mundo, assim como para a Austrália e também para a África do Sul, onde voltou às origens em termos de grafia, voltando a chamar-se de Shiraz. Daí a especificidade da grafia do nosso syrah em análise.

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Mas, vamos agora falar deste Shiraz “Grand D’Arte”, da Quinta Fonte Bela em Vila Chã de Ourique, no concelho de Santarém, ou seja, um regional de Lisboa, que possui uma graduação alcoólica de 13,5% e teve um estágio de três meses em barricas de carvalho francês.

Diz-nos o produtor que se trata dum Shiraz “…equilibrado, com taninos macios e um toque de baunilha e especiarias. Muito suave, fácil de beber e ao mesmo tempo, intenso, persistente e saboroso.” As várias garrafas que bebemos, ao longo deste último ano, vêm confirmar estas palavras! Já Ernest Hemingway dizia que: “Uma pessoa com o aumento do conhecimento e da educação sensorial pode obter prazer infinito no vinho.

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Em conversa com o Director Comercial e de Marketing da DFJ Vinhos, o Dr. Luís Gouveia, homem simpático e muito disponível para prestar todos os esclarecimentos, ficámos a saber que esta safra era a quarta, tendo as colheitas anteriores sido em 2005, 2007 e 2009.
Foram engarrafadas um total de vinte e quatro mil garrafas, embora a grande maioria tenha sido destinada ao mercado externo. Aqui, na Lusitânia, ficou apenas um décimo de toda a produção.

A grande novidade – que gostamos sempre de dar – é que a próxima safra, de 2012, está a caminho e sairá até ao final do ano, com uma produção superior à actual!
O Shiraz “Grand`Arte” tem a sua continuidade garantida! É uma alegria para nós!

Classificação: 16/20                            Preço: 7,95€

Ficha técnica


 

QC, 100% Syrah, Quinta da Caldeirinha, Beira Interior, 2009

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Desenganem-se aqueles que pensam que os grandes Syrah portugueses obrigatoriamente estariam para lá ou para cá do Tejo. Este Syrah Quinta da Caldeirinha 2009 está bem longe do grande rio do sul pois provém das terras altas da Beira Interior, do parque natural do Douro Internacional!

Primeira safra de Syrah desta quinta localizada nos confins do mundo, onde nem o Google Maps a reconhece, e por vezes nem  o contacto por telemóvel é possível, tão remota é a sua localização no Douro superior…

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Aroma a amora e compota. Vinho com cor granada, bem estruturado e equilibrado”. Saiu um Syrah com um teor alcoólico de 13,5%, aromático, denso e complexo no sabor. Uma bebida superior! E quem é que fez este néctar? Foi feito a seis mãos. Jorge Roda o produtor, Aida Roda a responsável pela vinha e finalmente Jenny Silva, mestre em Enologia!

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Uma característica muito peculiar desde Syrah é que se trata dum vinho biológico, o que significa que é isento de pesticidas e químicos. Por lei o ácido sórbico e a dessulfuração não são autorizados e o teor de sulfitos no vinho biológico tem de ser inferior, no mínimo, em 30-50 mg por litro ao do seu equivalente convencional.

A primeira safra deu um total de 2200 garrafas e já está quase no final, mas a boa notícia é que está em preparação a segunda, neste momento a estagiar nas barricas de madeira, a sair lá para os fins da primavera de 2015. Quando sair terá a menção do ano de 2011.

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Em tudo na vida há um senão. E o senão aqui é que se trata de um Syrah relativamente difícil de encontrar. Quem vive em Lisboa e nos arredores pode adquiri-lo na casa Stevia, que fica localizada em Benfica na Rua José da Purificação Chaves, nº 2 – A, e que vende produtos de agricultura biológica e onde se encontra o nosso Syrah assim como outros vinhos da Quinta, e também nos Supermercados de produtos biológicos BRIO, com várias lojas na zona da grande Lisboa.

Durante a sua apreciação, veio-nos à memória Emile Peynaud: “Aos amantes do vinho. Vocês são o elo mais importante da corrente. Se há maus vinhos, é porque há maus bebedores. Cabe ao consumidor desencorajar os produtores de vinhos ruins.” Nada mais certo! E no caso do Syrah da Quinta da Caldeirinha esta verdade tem ainda mais consistência. Trata-se de um grande Syrah!!!

Classificação: 19/20                            Preço: 15,79€

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HT, 100% Syrah, Tiago Cabaço Wines, Alentejo, 2013

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Este é, manifestamente, um caso de coragem! Tiago Cabaço é um produtor de vinhos de Estremoz, desde há uma década, tendo agora lançado o seu primeiro monovarietal, e precisamente da casta que nos interessa: Syrah!

Produtor

Fomos surpreendidos, a semana passada, por este lançamento numa cadeia de supermercados – Pingo Doce – que nunca tivera nas suas prateleiras um vinho de monocasta Syrah! Em conversa com o Tiago, este confidenciou-nos que tinha insistido, desde o ano passado, com os responsáveis por estes supermercados na forte possibilidade de haver um público interessado no Syrah. A este nível a aposta foi ganha!

Ao contrário do que algumas pessoas do meio vinícola nos dizem não tenho, de modo algum, a percepção de que o Syrah seja neste momento uma casta apelativa para o consumidor médio português. É verdade que devido às suas qualidades intrínsecas, o consumidor que nunca ouviu falar da casta, apesar de já ter bebido um blend com uma percentagem de Syrah, nomeadamente do Alentejo, quando degusta apropriadamente este néctar consegue aderir a este gosto com algum entusiasmo. Esta é a minha experiência de um ano e meio de investigação e degustação de algumas dezenas de Syrah de Trás-Os-Montes ao Algarve.

Herdade Trocaleite

Mas vamos debruçar-nos um pouco sobre o HT! Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata duma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de syrah cujo resultado está à vista. Um syrah novíssimo de 2013 com 14% de graduação alcoólica de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem possibilidade de evoluir com o tempo devido, em garrafa. Lembremo-nos da máxima de Cícero: “Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons”. Daí o nosso conselho: comprar para degustar já e ao mesmo tempo reservar umas quantas garrafas para guardar na garrafeira.

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Já o ano passado, Tiago Cabaço tinha realizado uma experiência com o lançamento de pouco mais de seis mil garrafas que se eclipsaram em poucas semanas. Agora, o HT arranca com trinta e cinco mil garrafas, número nada habitual num syrah no panorama vinícola português. Esta é a segunda aposta que é preciso, também, ganhar!

Sala de Provas

Em todo o texto argumentativo, é nossa opinião que no final deve ser deixado um argumento forte. E este é mesmo muito forte! Trata-se do preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em supermercado.
É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada. Quem disse que não é possível comprar um syrah de baixo custo e simultaneamente poderoso?

Classificação: 15/20                            Preço: 3,74€


 

Syrah do Alentejo (52)

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Hoje apresentamos a lista dos Syrah do Alentejo, a região de Portugal com o maior número de edições desta monocasta. É um lugar particularmente propício à criação deste néctar. São quarenta e quatro no total até agora, e como é possível verificar, estão já vários esgotados. Alguns deles ainda puderam ser por nós apreciados, e no caso de outros sabemos que brevemente poderá haver novidades. Noutros casos, infelizmente, o ano indicado é mesmo o último, pelo menos para já…

Nos Syrah onde estiver mencionado mais do que um ano significa que os conhecemos, o que não quer dizer que não haja outros anos. Por exemplo, o célebre Incógnito está mencionado nos anos de 2001, de 2009 e de 2011 o último. Mas houve outros anos de Incógnito tais como o de 1998 (o primeiro, o mítico – no produtor já só há 4 garrafas) e os de 1999, 2002, 2004, 2005 e 2008.

 

 Adega Cooperativa da Vidigueira, 2014

Aldeia de Juromenha, Reserva, 2009, 2010, 2011

Alfaraz, 2009

Artefacto, 2010

Bombeira do Guadiana, 2011, 2013

Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 2007, 2009, 2012

Carmim Syrah, 2011

Castas D´Ervideira Syrah, 2006 (esgotado)

Castelo de Arraiolos, 2014

Cem Reis, 2010, 2011, 2012

Cortes de Cima Syrah, 2011, 2012

Dona Dorinda, 2012, 2013

Fidúcia, 2005 (esgotado)

Grande Comenda, Syrah, 2009 (esgotado)

Hans C. Andersen Homenagem, 2011

Herdade da Figueirinha Syrah, 2006

Herdade do Esporão 2004, 2011

Herdade da Fonte Coberta, 2013

Herdade do Meio, 2004  (esgotado)

Herdade das Mouras, 2014

Herdade dos Lagos Reserva, 2006, 2012

HT, Syrah, Tiago Cabaço, 2013

Humanitas Tinto Reserva, 2013

Incógnito, 2001, 2009, 2011

Lapa dos Gaivões, 2005 (esgotado)

Margarida, 2008

Mil Réis, 2013

Monsaraz Syrah, 2011

Monte Cruz, 2009

Monte Cruz Reserva, 2009

Monte da Cal Syrah, 2007

Monte da Colónia, 2012

Monte da Colónia Rosé, 2013

Monte do João Martins, Syrah, 2011

Monte da Ravasqueira, 2012

Monte Seis Reis Syrah, 2003, 2004, 2008, 2013

Pedra Basta, 2014

Planura, 2010

Pontual, 2011, 2012

Pulo do Lobo, 2013

Quinta da Pinheira, Marcolino Sebo, 2011

Quinta do Caldeireiro, 2009  (esgotado)

Santa Vitória, 2012

São Miguel Syrah, 2010

Scala Coeli, Cartuxa, fundação EA 2010

Senses Syrah, 2010

Solar dos Lobos, 2011

Syrah da Peceguina, 2010

Tapada dos Coelheiros, 2007

Telhas, Terras D´Alter, 2009

Terra D´Alter Syrah, 2006  (esgotado)

Vila Santa, João Ramos Portugal, 2008, 2011


 

Sobre nós!

Isto é Syrah...

Somos, somente, dois consumidores de monocasta syrah.

Exigentes e conhecedores…

Francisco Trindade, professor de Filosofia e Psicologia, Proudhoniano, Hammilliano e Zappiano, e Raúl Pires Coelho, arquitecto, professor de Educação Visual e fotógrafo,  Zappiano, ex-aviador e ex-novelista.

Propomo-nos fazer um blogue onde se fale de syrah.

Onde só se fale de syrah!

De tudo o que possa ter a ver com esta casta extraordinária. Desde a sua história até ao processo de degustação. Por isso é que este blogue não é sobre vinho, mas sim, sobre syrah.

Pretendemos falar sobre a verdade do syrah.

Só nos interessa os monocasta syrah. Todos os vinhos que têm syrah –  e são milhares – ficam alterados pela mistura com outras castas, nobres sem dúvida, mas que não têm o mesmo significado para nós!

Os blend são o tipo preferido pela maioria dos consumidores portugueses. Os monocasta são depreciados, preconceituosamente, do nosso ponto de vista.

A monocasta syrah é por excelência a bebida de Dioniso e o seu currículo conta já com cerca de 3000 anos, vindo do Médio Oriente e estendendo-se até ao ponto mais ocidental da Europa. Nasceu na cidade iraniana de Shiraz.

Pretendemos que todos os que conhecem esta casta comunguem connosco as suas impressões sobre o que pensam e sentem quando o bebem. Em relação aos que não a conhecem, pretendemos suscitar a curiosidade intelectual e sensorial, de modo a se aperceberem do que têm perdido…

Uma declaração de interesse é fundamental ser feita e desde a primeira hora: não somos produtores de vinho, não somos vendedores, não somos comerciantes, não somos armazenistas nem revendedores, nem distribuidores, nem do que quer que seja que esteja associado à fermentação do sumo de uva.

Somos, somente, dois consumidores de syrah e é nessa perspectiva que nos colocamos, sempre.

A escrita dos posts estará a cargo de Francisco Trindade, o design e a criatividade gráfica estarão a cargo de Raúl Pires Coelho, o que não quer dizer que este último não possa, eventualmente, escrever.

Iremos valorizar na sua esmagadora maioria os syrah portugueses. São esses que nos importam! E porquê? Porque são os melhores do mundo! Esta é uma tese polémica, mas é a nossa tese. Isto não quer dizer que não haja syrah franceses, australianos, californianos ou mesmo chilenos de qualidade, mas não chegam ao nível dos syrah que se produzem em Portugal, desde há 16 anos.

Foi nesse ano, de 1998, que saiu para o mercado o primeiro syrah português. Alentejano de sua cepa. Foi, na altura, uma grande incógnita porque, como de costume nestas situações, os poderes estabelecidos à época não permitiam o cultivo do syrah no Alentejo. De incógnito a dar-se a conhecer ao mundo foi um ímpeto que transformou o panorama do mundo vinícola em Portugal.

Iremos narrar essa História…

Queremos participar dessa História. Já estamos nela!