Monthly Archives: January 2016

O Significado da Palavra Reserva

Vamos hoje variar a divagação e reflectir, ao sabor de aromas, métodos e conceitos, sobre o significado de uma sublime palavra, Reserva!

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Que, como se pode ver desde já neste eloquente exemplo, encontramos em muitos rótulos de Syrah.

Um SyrahReserva” será sempre melhor do que um “normal”? As palavras Reserva, Colheita Seleccionada ou Garrafeira são uma garantia de qualidade? É por esta vereda inquisitiva que vamos seguir.

Infelizmente, a realidade não confirma esta presunção, fica desde já marcada a nossa posição. Na verdade, este tipo de adjectivação não tem qualquer relacionamento directo com a qualidade de um Syrah. Os designativos Reserva e Garrafeira são normativos legais que em cada região determinam o período mínimo de estágio em barricas e, posteriormente, em garrafa. Não caracterizam mais nada e não existe qualquer correlação com a qualidade real. Indicações como Colheita dos Sócios, Colheita Seleccionada, Selecção Especial, Reserva Pessoal, ou outras referências, são opções de marketing sem qualquer conexão com a qualidade da bebida.

Alguns Syrah triviais, como se isso fosse possível, e de fraca qualidade, é um supor, ostentam estas palavras nos rótulos, da mesma forma que alguns dos melhores Syrah nacionais não lhe fazem referência. Por si só, estas palavras nada dizem sobre o conteúdo.

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Vejamos um exemplo recente, aqui ilustrado pelas duas partes. Acabou de sair para o mercado, como já foi noticiado pelo Blogue do Syrah, a última safra do Syrah Ermelinda de Freitas de 2013. Não está em causa a qualidade deste Syrah que mereceu pelo Blogue do Syrah a classificação de 16 em relação à safra de 2012. Mas pela primeira vez a actual safra mereceu o epíteto de “Reserva”. Ora este Syrah é produzido pela casa Ermelinda Freitas desde 2004 com safras anuais e nenhuma das anteriores safras tinha recebido este designativo. Conclusão: É somente uma questão de marketing! Fica melhor, é mais bonito, e pode levar a que as vendas sejam superiores. Contrapartidas? Nenhumas! Felizmente o preço não aumentou, pelo menos para já! Acharíamos interessante que pelo menos o produtor de alguma forma explicasse das suas opções.

O termo reserva pode significar um tudo ou pode significar um nada. Alguns países têm regras bem específicas, como Espanha e Itália, sendo a principal o envelhecimento de pelo menos 3 anos com um mínimo de 6 meses em barrica de carvalho francês. Em Portugal a palavra “Reserva” nada significa tecnicamente. É um truque utilizado no rótulo que faz um vinho comum subir de valor.
As palavras acrescentadas aos rótulos tais como “Old vine”, “Fine” e “Special”, às vezes não significa nada daquilo que se pode imaginar pela semântica.

De onde vem então o conceito de Syrah Reserva?
A ideia por trás dos Reserva muito provavelmente começou numa adega quando os produtores de vinho acharam que determinada colheita deu um Syrah que merecia ser colocado à parte por determinada características peculiares de qualidade acima da média  ou com um bom sabor vintage. Portanto fala-se de algo que foi reservado, fica em espera, merece um tempo resguardado, não é para sair já, vamos esperar, e por aí adiante.

Hoje a sugestão de Reserva significa que o Syrah tem uma qualidade maior por ter sido envelhecido. De facto é possível encontrar na maioria das casas Syrah “Reserva” lado a lado com outros mais valiosos. Infelizmente ainda há produtores que utilizam esse termo incorrectamente apenas para ganhar dinheiro ou até mesmo uma maneira airosa de criar marketing para os seus produtos.

Qual a solução? No caso dos Syrah portugueses não há problema pois o consumidor não precisa de se preocupar com reservas e afins: o Blogue do Syrah nunca valorizou em termos classificativos o facto de um Syrah possuir os ditos epítetos ou não! São outros critérios que fazem com que o Syrah tenha a avaliação que lhe damos e não somos minimamente influenciáveis pela presença do termo “Reserva”!

Terminamos em modo Hamlet: Reserva ou não Reserva, eis a questão!


 

Resultados da Campanha para angariação de Subscriptores!

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Estamos finalmente a anunciar de forma oficial os vencedores da campanha para angariação de subscriptores que decorreu aqui no Blogue do Syrah durante o mês de Dezembro. Campanha esta que consideramos um sucesso, pois conseguimos atingir, e ultrapassar, o objectivo de chegar aos 100 subscriptores.

Colocámos a concurso duas garrafas de Syrah. Uma delas, a sortear entre os nossos actuais subscriptores que indicassem novos subscriptores do Blogue, é  um Dona Dorinda de 2012, ao qual atribuímos a classificação máxima, 20 valores, e que se encontra já esgotado. E o vencedor é Francisco Bastos, de Leça da Palmeira, a quem desde já damos os parabéns, e que continue a acompanhar-nos nesta aventura prazerosa!

Infelizmente em relação ao segundo prémio a atribuir aos novos subscriptores, independentemente de terem sido ou não recomendados, uma garrafa de Quinta da Caldeirinha, 2009, outro Syrah de excelência, biológico, classificação 19 valores, safra que neste momento está quase em fim de carreira, ainda não conseguimos obter resposta do premiado, do qual apenas possuímos o endereço de correio electrónico e que já foi por nós contactado com insistência por esse meio. Iremos aguardar mais um mês antes de dar o prémio como não reclamado.

Damos assim por encerrada temporariamente a campanha, e se por acaso recebermos notícias do segundo contemplado, aqui estaremos para o comunicar.

Um sentido agradecimento a todos os que participaram!


 

Herdade da Fonte Coberta, Sociedade Agrícola Fonte Coberta, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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O Syrah da Herdade da Fonte Coberta acabou de chegar às mãos do Blogue do Syrah!

E que Syrah que é!
Também não é de admirar, visto que nos chega da zona mais emblemática do país na produção de Syrah de alta qualidade, o distrito de Évora, e o Syrah da Herdade da Fonte Coberta vem confirmar esta convicção já consolidada.

Estávamos em 2013, e foram produzidas 13000 garrafas. O enólogo é José Fonseca, de Bombarral, e tanto quanto sabemos é a primeira vez que faz um Syrah. E logo à primeira mostrou que é mestre nesta arte egrégia que nos ilumina o paladar e demais sentidos!

A fermentação foi feita em lagar de inox com temperatura controlada e maceração prolongada. Estagiou durante 9 meses em barricas de madeira de carvalho francês.
As notas de prova que escolhemos dizem-nos que “apresenta cor granada intensa e aroma frutado típico da casta. Na boca é vigoroso mas elegante com belos taninos moldados pela madeira das barricas de carvalho onde estagiou.” Tem um teor alcoólico de 14,5%.

O projecto da Herdade da Fonte Coberta surgiu pelo empenho e capacidade empreendedora da família Santos que, com uma longa tradição vinícola, resolveu investir todo o seu conhecimento, na produção de vinhos na concretização de um novo desafio numa região de excelência. Com este objectivo adquiriu uma herdade no Alentejo que, anteriormente, se dedicava à cultura de girassóis e produção de cereais.
A partir das primeiras plantações vitícolas, em 2003, têm sido feitos grandes investimentos nas vinhas (com completo e eficiente equipamento de rega gota a gota) e numa moderna adega dotada da mais avançada tecnologia. Em 2007 foi lançado no mercado o primeiros vinho produzido na Herdade da Fonte Coberta: Ouro do Monte, da colheita de 2006.

A Herdade da Fonte Coberta localizada, cerca de, 5km a sul da cidade de Évora, tem uma área total de 190 hectares, sendo que, actualmente a plantação de vinha representa, aproximadamente, 150ha que se encontra dividida por vários talhões onde estão plantadas diversas castas, a partir das quais produz vinho de excelente qualidade. As castas tintas mais representativas da nossa produção são a Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet mas para além destas existem ainda Alfrocheiro, Castelão, Cabernet Sauvignon, Touriga Franca e Syrah naturalmente. Na produção de vinho branco usamos uvas das castas Antão Vaz, Fernão Pires, Arinto, Chardonnay e Roupeiro.
A produção média anual prevista será de cerca de 150.000 litros de vinho branco e de 800.000 litros de vinho tinto.

Estando basicamente vocacionada para a produção vitivinícola, a Herdade da fonte Coberta tem também uma actividade pecuária importante com a criação e comercialização de bovinos da raça Limousine.

Os solos de origem essencialmente graníticas e xistosa, são solos de média e baixa fertilidade mas com muito boa drenagem natural. Embora, de um modo geral, todo o Alentejo seja bem dotado para a produção de vinhos de qualidade, estes conseguem atingir o seu expoente máximo em solos xistosos com a rocha muito superficial. É o caso da Herdade da Fonte Coberta!

Na Herdade da Fonte Coberta, apesar do clima quente e seco na época estival, a existência de uma barragem e várias charcos circundantes permitem fornecer às plantas a água necessária para que não cheguem a atingir o “stress” hídrico.

A Herdade da Fonte Coberta tem reunido esforços, investindo na expansão da internacionalização dos seus vinhos. Tendo como principal objectivo o alargamento aos mercados externos, já será possível encontrar os vinhos da Herdade da Fonte Coberta em alguns países da Europa, China, Brasil, Costa do Marfim e Angola.

Martim Lutero dizia que: “A cerveja é obra do homem; o vinho, de Deus.”
E nós acrescentamos que este Syrah só podia ser de Évora!

Para terminar queremos chamar a atenção para a relação qualidade/preço! Não é habitual um Syrah desta qualidade custar pouco mais de doze euros! Não estamos com isso a incentivar o produtor a vender este Syrah a um preço mais elevado mas somente a chamar a atenção que é um forte candidato, e apesar de estarmos ainda muito no princípio do ano, a ganhar o prémio de melhor Syrah de 2016 na relação qualidade/preço para além de poder também ganhar na categoria de melhor Syrah do ano!

Vale a pena… mesmo!

Classificação: 18/20                                                                 Preço: 12,50€

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O Vinho pode ajudar a prevenir Alzheimer!

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Um estudo que levou três anos a concretizar indica que o consumo de vinho pode diminuir em 77% o risco de morte por demência. O estudo foi realizado por cientistas dinamarqueses da Universidade da Dinamarca do Sul, em Odense. O estudo foi publicado no jornal online BMJ Open e analisou o consumo de álcool num conjunto de 321 pessoas que sofriam da doença de Alzheimer, numa fase inicial. Os dados do estudo indicam que quem bebe moderadamente tem menor taxa de mortalidade que os outros grupos: os abstémios, os que bebem pouco e os que bebem muito.

O que é beber moderadamente? O estudo indica que são os que bebem duas ou três unidades de álcool por dia, o equivalente a uma quantidade que varia entre o copo de vinho cheio (0,22 litros) e quase meia garrafa (0,33 litros). A diminuição do risco atinge o seu valor máximo se comparamos os consumidores moderados com os dois grupos com maior mortalidade: os abstémios e os que bebem muito. O espantoso é o valor: quem bebe moderadamente tem cerca de 77% menos risco de morrer desta doença neuro degenerativa que provoca a chamada demência.

Curioso nesta ‘conclusão’ é que sempre se pensou que o álcool é neurotóxico, ou seja actua negativamente com as células cerebrais. Ora, o estudo indica que pode não ser (sempre) assim. Aliás, o professor Frans Boch Waldorff, um dos cientistas, afirmou que “os resultados do nosso estudo apontam para associação potencial e positiva do consumo moderado de álcool e a mortalidade de pacientes com a doença de Alzheimer”. No entanto, e como é costume nestes casos, o cientista não aconselha a que os pacientes desta doença desatem a beber vinho: “não podemos aconselhar ou desaconselhar a estes pacientes, só com base neste estudo, o consumo moderado de álcool”.

(Fonte: Revista de Vinhos / BMJ Open)


Nota do Blogue do Syrah
Em adenda a este texto feito pela Revista de Vinhos a partir do estudo publicado pelo jornal online BMJ Open queríamos só acrescentar que o Blogue do Syrah já antes tinha publicado vários textos, de que apresentamos as ligações, onde este tema tinha sido apresentado e desenvolvido.

Por exemplo no texto “Porque é que o Vinho dá Sono?” a dado passo diz-se que: “Não é a primeira vez que o vinho tinto – e as uvas que lhe dão origem – são apontados como benéficos para a saúde. Estudos anteriores já tinham indicado que o consumo moderado de vinho tinto poderia diminuir a taxa de “mau colesterol” no organismo e até ajudar a prevenir a doença de Alzheimer.”

Ou no texto “Syrah e cognição” onde se pode ler que “Contudo, sabe-se que o resveratrol é um alimento funcional, ou seja, é um ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta habitual, produz efeitos benéficos à saúde.”

Ou ainda no texto “Os benefícios do Syrah” onde se lê: “A uva Syrah contém grande quantidade de antioxidantes que trabalham para eliminar a oxidação através da eliminação de eventuais intermediários de radicais livres. Isto previne o aparecimento de doenças e ajuda a reparar os danos celulares. A oxidação é ligada a várias doenças, como fadiga crónica, aterosclerose, insuficiência cardíaca e doença de Parkinson.”

Também aqui o Blogue do Syrah na vanguarda da divulgação do conhecimento e de temas que ao dizer respeito ao especificamente ao Syrah também tem uma relação directa com o mundo dos vinhos.

Segue-se os textos já publicados e que dizem respeito ao tema aqui tratado.
Este tema de um modo geral ainda foi por nós tratado em mais dois textos, Os antioxidantes e o Syrah e O Syrah e o Resveratrol.


 

Susana Esteban, a enóloga do Syrah!

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Syrah, como nós o conhecemos, não é só feito por homens!

Dito isto, eis então hoje a nossa estrela, Susana Esteban, a única mulher em Portugal a fazer Syrah. E falamos dela com especial destaque porque já fez vários Syrah, e ainda por cima todos de qualidade!

Para além disso é a única enóloga a ter recebido, até agora, o prémio “Enólogo do Ano” pela Revista de Vinhos. Este prémio vale o que vale mas não deixa de ser importante!

Vejamos os Syrah que nos apresentou até agora:

Margarida, Margarida Cabaço, 96% Syrah, 4% Viognier, Alentejo, 2008

Solar dos Lobos, Silveira e Outro, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2011

HT, 100% Syrah, Tiago Cabaço Wines, Alentejo, 2013

Biografando sucintamente a nossa eleita, começamos por dizer que nasceu em Tui, Espanha, é licenciada em Ciências Químicas pela Universidade de Santiago de Compostela. Tirou mestrado em Viticultura e Enologia na Universidade de La Rioja. Na sua passagem pelo Douro, trabalhou como enóloga não só na Quinta do Côtto, mas também na Quinta do Castro . Tem a sua própria adega, a Quinta Seca da Boavista, em Mora. Os seus vinhos são distribuídos em vários países, como Alemanha, Reino Unido, Bélgica, USA, Espanha, Macau ou Brasil.

Mas vamos ver e analisar o trajecto desta enóloga ímpar!

Começou a interessar-se por vinhos aos 18 anos, quando teve algumas aulas sobre vinhos e descobriu o seu amor pelo néctar de Baco! “Apaixonei-me de tal maneira que comecei a trabalhar em adegas durante as vindimas quando era muito nova!” Ganhou uma bolsa de estudo para fazer um estágio num país da União Europeia, e foi aí que escolheu Portugal e o Vale do Douro, especificamente.

Em 2007, trocou o Douro pelo Alentejo porque se casou e passou a viver em Lisboa.
Tem trabalhado desde então como consultora de diferentes produtores do Alentejo, nomeadamente Tiago Cabaço Wines, Herdade do Barrocal, Monte dos Cabaços e Monte da Raposinha.

Durante este percurso o seu trabalho tem sido reconhecido tanto a nível nacional como internacional. No final do ano 2009 Susana Esteban decidiu dar início ao seu projecto pessoal com o objectivo de fazer vinhos com um carácter diferente do Alentejo tradicional. Durante dois anos Susana Esteban andou à Procura em todo o Alentejo pelas vinhas óptimas para fazer os seus vinhos. Só em 2011 conseguiu finalmente encontrar duas parcelas de vinhas diferentes e de personalidades bem distintas: numa das parcelas encontrou uma vinha de Alicante Bouschet de baixíssima produção plantado em solos xistosos, situada perto de Évora e com um clima óptimo para a boa maturação da casta.

Em Portalegre encontrou uma vinha tradicional plantada numa zona muito mais fresca que o resto do território do Alentejo. Uma vinha misturada que reúne um conjunto alargado de castas tradicionais de produção baixíssima que acrescenta uma frescura e complexidade pouco habituais. Da combinação destas duas parcelas nasceu um vinho o “Procura”.

Em 2012, depois de encontrar várias outras parcelas de vinha com características ideais para o seu projecto, decidiu elaborar o “Aventura”, um vinho sem madeira e com uma frescura e carácter acentuados.

Em 2013 decidiu avançar com a elaboração de dois brancos. As uvas do “Procura branco” provêem de uma vinha velha de 80 anos com mistura de castas, uma vinha única e excepcional situada na Serra de São Mamede, em Portalegre.

Para o “Aventura branco” utilizou uvas procedentes de uma vinha tradicional de Portalegre, com castas misturadas, loteadas com uma vinha de Estremoz cuja variedade principal é a casta Arinto.

Além dos vinhos Alentejanos elaborados na sua adega situada na vila de Mora Susana Esteban estabeleceu em 2011 uma sociedade com a sua amiga e igualmente enóloga, Sandra Tavares, para elaborarem vinho em parceria. O primeiro fruto desta parceria tomou o nome “Crochet”, um vinho do Douro que é elaborado no Pinhão. Com início na colheita 2014 este foi acompanhado por um irmão alentejano, igualmente tinto, que se chama “Tricot”, produzido em Mora.

Esperamos que a Susana volte a fazer Syrah!
Nós agradecemos e ela já mostrou que trata o Syrah por tu!


 

O vinho tem melhor gosto se nos disserem antecipadamente que é um vinho caro!

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As questões de ordem psicológica, quer queiramos quer não, têm uma influência decisiva na nossa maneira de ver e de sentir as coisas e o mundo.

Segundo um estudo alemão, o vinho sabe melhor se nos disserem antecipadamente que é um vinho caro. Vamos esmiuçar um pouco mais este conceito.

Num estudo recente efectuado pela Universidade de Bona, na Alemanha, consumidores avaliaram vinhos baratos com pontuações mais altas quando eram levados a pensar que esses vinhos tinham um preço mais elevado do que tinham na realidade.

Especialistas deste estudo intitulado “Individual Differences in Marketing Placebo Effects: Evidence from Brain Imaging and Behavioral Experiments” descobriram que as crenças preconcebidas criam um efeito placebo tão forte que pode mudar a química do cérebro.

Bernd Webber, da Universidade de Bona, e co-autor deste relatório, escreveu: “Vários estudos mostraram que entre produtos idênticos, os consumidores desfrutam mais intensamente se eles pensarem que o preço é mais elevado, no entanto, até ao momento, nenhuma pesquisa examinou os processos neurais e psicológicos necessários para tais efeitos em marketing”.

Os participantes no estudo, publicado no Journal of Marketing, disseram consumir cinco vinhos a um preço de 55, 28, 22, 6 e 3 libras, respectivamente, enquanto os cérebros eram mapeados para medir a resposta às técnicas de marketing. Na verdade, os voluntários no estudo apenas consumiram três vinhos diferentes, com dois preços diferentes.
Os participantes mostraram preconceitos significativos, tanto na forma como manifestaram o gosto, bem como a sua actividade cerebral mensurável. O estudo concluiu que as crenças preconcebidas podem criar tal efeito placebo que pode produzir mudanças químicas reais no cérebro.

Isto poderá ter alguma relação com o resultado extraordinário que o Syrah da Adega de Pegões obteve na prova cega que decorreu em Lisboa em Novembro último. Este Syrah ficou em sétimo lugar num conjunto de vinte e seis Syrah, todos eles mais caros. Se o preço de cada Syrah em prova tivesse sido revelado previamente e sabendo que o Syrah da Adega de Pegões custa quatro euros e noventa e nove cêntimos será que ficaria na posição final em que ficou?

O estudo referido termina com algumas informações muito interessantes que afectam o campo do marketing , o que indica que a compreensão dos mecanismos subjacentes ao efeito placebo observados no inquérito dá aos vendedores ferramentas poderosas , que eles chamam de “placebo marketing“.

Compreender os mecanismos subjacentes a este efeito placebo oferece aos produtores e empresas poderosas ferramentas de marketing“, escreveu Weber.

Fonte: Journal of Marketing