Monthly Archives: August 2016

Menos vinho na campanha de 2016 em relação a 2015

O Instituto da Vinha e do Vinho estima que a produção de vinho na campanha 2016/2017 atinja um volume de 5,6 milhões de hectolitros, o que se traduz numa diminuição de 20% relativamente à campanha 2015/2016.

O decréscimo global de produção, em relação à campanha anterior, é sustentado por todas as regiões vitivinícolas, à excepção da região do Algarve onde não se prevê variação.
É nas regiões de Lisboa, de Trás-os-Montes, do Douro e dos Açores, onde se antecipam as maiores quebras de produção, superiores a 25%, face à campanha anterior.

É claro que a campanha de 2015 foi extraordinária em quantidade assim como em qualidade. Também se sabe que estatisticamente, é muito difícil que um ano fantástico se repita imediatamente no ano seguinte.
Mas não é só em Portugal que a produção de vinho na campanha 2016/2017 decresce face à campanha do ano anterior. Segundo a Idealwine, ver aqui, em muitos outros pontos do mundo haverá uma baixa significativa na produção da bebida de Baco.

O Hemisfério sul e os países do Novo Mundo acusam igualmente uma baixa de recolhas. O Chile, por exemplo, sofrerá uma baixa de 25% em relação à produção de 2015 com um volume estimado entre as 8 e 9 milhões de hectolitros, devido nomeadamente por causa das chuvas torrenciais provocadas pelo El Nino. Igualmente na Argentina a produção diminuiu 30% em relação ao ano passado e de 35% em relação à média do decénio. Mas se nos concentrarmos no Malbec (a casta principal na Argentina) a diminuição será de 50% sendo a responsabilidade, de novo, atribuída ao El Nino. Na África do Sul, a baixa de produção é menor limitando-se a 7% com 10,7 milhões de hectolitros. Na Califórnia a colheita é superior a 2015, mas, apesar disso, inferior à média dos últimos anos.
Na Oceânia pelo contrário, as colheitas foram superiores ao ano precedente sobretudo na Nova Zelândia com mais 34%.

Na Europa, em geral, as previsões da colheita estão para baixo, embora isso não seja geral.
Em Espanha, por exemplo, existe a previsão de mais ou menos45 milhões de hectolitros. Um número que se deve principalmente a um aumento constante das taxas de rendibilidade ao longo dos últimos quinze anos, o que compensou em grande parte a redução na área da vinha (passando de 1,2 mil milhões de hectares para 958 777 hectares entre 2000 e 2015). Em França, de acordo com as primeiras estimativas do Ministério da Agricultura, a colheita do vinho em 2016 seria de 44 milhões de hectolitros , uma queda de 8% em relação a 2015 e 4% inferior à média do últimos cinco anos.E quem é o responsável? O clima de novo, com a geada de Primavera e granizo em Charentes, Borgonha e Beaujolais.

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Nós aqui no Blogue do Syrah, a única coisa que pedimos é que o Syrah, quer no mundo e sobretudo em Portugal, consiga escapar por entre “os pingos da chuva” como se costuma dizer, embora não temos dúvidas que o ano de 2016 vai ser tendencialmente pior em quantidade e também muito provavelmente em qualidade do que o ano de 2015, que se está a revelar excepcional a todos os níveis, embora nichos de qualidade possam sempre surgir onde menos se espera… cá estaremos para contar como foi e será!


 

Feitores, Vinhos Feitores, 100% Syrah, Lisboa, 2015

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Ter o Syrah Feitores chegado ao nosso conhecimento é da inteira responsabilidade do nosso amigo Jorge Cipriano do Clube dos Vinhos Portugueses. Foi ele que nos alertou para a existência deste Syrah da região de Lisboa, mais precisamente do Bombarral, região que conhecíamos bem, mas pelos vistos não tão bem quanto seria devido!

A marca de vinhos Feitores foi lançada em 2012 pelos empresários João Pedro Duarte e Carlos Duarte em embalagem “bag in box”, situando-se a sua adega na aldeia de Famões.

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A quinta é constituída por oito hectares, mais um hectare que foi plantado este ano. Dos oito hectares, quatro são Syrah e o novo que foi plantado este ano também é Syrah. Temos portanto uma quinta que tem maioria de produção Syrah o que para nós é sempre de regozijo. As outras castas presentes são, nas tintas o Castelão e Touriga Nacional. Nas castas brancas temos arinto, fernão pires, moscatel e algum chardonnay do qual sai um lote monovarietal.

Trata-se de uma empresa familiar gerida pelos dois já citados irmãos, que foram muito simpáticos no contacto que estabelecemos. A empresa é recente mas a vontade de vencer é grande. Tivemos conhecimento do Syrah de 2013 embora o que estamos a analisar é o Syrah de 2015, por sinal de qualidade superior! Em 2014 não houve monovarietal. Segundo os seus produtores trata-se de um vinho “de cor granada, com aroma a frutos silvestres e especiarias, notas de baunilha e madeira que lhe confere um sabor aveludado e persistente”. Tem uma graduação alcoólica de 13,5%.

Segundo João Filipe Clemente “você não pediu para nascer e, salvo raríssimas excepções, morrerá contra a sua vontade. Então, trate de aproveitar o intervalo entre esses dois momentos da melhor maneira possível; beba bons vinhos e coma bons pratos compartilhando-os com bons amigos”.
O caminho que o Syrah Feitores tem pela frente é enorme e como tal é aproveitar esse desígnio da melhor maneira porque com experiência e vontade o caminho a partir de agora é sempre a subir!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 3,80€


 

JP Azeitão Rosé, Bacalhoa, 85% Syrah/15% de Moscatel Roxo, Setúbal, 2015

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Este é o outro Syrah Rosé da Bacalhoa, a 85% e com 15% de Moscatel Roxo.
O primeiro, superior a este, foi apresentado aqui.

Vamos então apreciar este Rosé.
O produtor fala “de cor rosada pálida, o JP Azeitão Rosé 2015 é muito marcado por aromas florais, como rosas e cravos, provenientes da casta Moscatel Roxo; na boca estas sensações aromáticas são ainda mais intensas, que em conjunto com uma boa acidez, originam um vinho com um final seco, cheio, muito mineral e fresco”. Tem 12% de graduação alcoólica. Não teve estágio em madeira e a temperatura ideal situa-se entre os 10 e os 12 ºC. A enóloga de serviço é Filipa Tomaz da Costa.

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Como já foi dito é produzido a partir das castas Syrah e Moscatel Roxo, provenientes de vinhas localizadas na Península de Setúbal. Após uma cuidadosa amostragem da uva na vinha as datas de vindima são marcadas para cada casta. Estas variedades foram vinificadas separadamente, usando-se métodos suaves na prensagem, fermentações do mosto a baixa temperatura visando a conservação dos aromas primários da uva. A uva entra na adega é refrigerada e suavemente prensada; o mosto obtido, depois de defecado fermenta a baixas temperaturas (10–12ºC) conseguindo-se assim uma fermentação muito lenta visando a preservação dos aromas das castas. Os vinhos varietais são então loteados, contribuindo aqui o Moscatel Roxo para os aromas florais como o de rosas. Após o loteamento, procede-se à estabilização proteica e tartárica, seguida de filtração. Acompanha bem sopas e pratos de peixe, e mesmo pratos leves de carne ou de cozinhas mais condimentadas dado o seu corpo e complexidade aromática. Recomenda-se também queijo nomeadamente o queijo de Azeitão. Culinária Vegetariana então nem se fala: combinação perfeita!

O poeta francês Pierre Duryer escreveu: “Prefiro os beijos de um bom copo, aos das mulheres mais bonitas.”
Boa deixa para quem gosta de Rosé poder aproveitar o tempo quente que atravessamos com este Syrah da Bacalhoa!

 

Classificação: 14/20                                                      Preço: 2,29€

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La Chapelle HERMITAGE 1961

Trata-se de mergulhar no coração do universo de um dos maiores vinhos do mundo,
o La Chapelle Hermitage 1961!

Numa prova cega, que ficou lendária e que aconteceu nesse mesmo ano de 1961, entre os grandes Bordeaux ficou em primeiro lugar ex-aequo com o prestigiado Petrus. Isto também explica porque é que em 2007, num leilão promovido pela Christie`s, 12 garrafas deste Hermitage foram vendidas pela módica quantia de 180.000 euros.

Sem esquecer naturalmente a nota 100 atribuída por Robert Parker!

Trata-se do melhor vinho do mundo, ou seja, o melhor vinho do mundo é um Syrah?
Em todo o caso quem o bebeu, entre os especialistas, há concordância em o colocar entre os dez maiores crus do Século XX!
Nós aqui no Blogue do Syrah, como já dissemos antes, ainda não tivemos a oportunidade de o degustar! Haverá entre os nossos leitores uma alma caridosa com alguma garrafa esquecida do La Chapelle Hermitage 1961 e que não se importe de a partilhar connosco?

Enquanto esperamos por tal ensejo, aqui fica mais uma achega, esta reportagem fantástica do canal France 3, a não perder!


 

Qual é no mercado o vinho mais caro do mundo?

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Durante algum tempo o vinho mais caro do mundo foi o Domaine Romanée-Conti.
Mas o Blogue do Syrah está em condições de anunciar a todos os seus leitores e enófilos que segundo o site especializado em leilões de vinhos raros Idealwine, houve uma mudança importante no ranking dos vinhos mais caros do mundo “vendidos em leilões”.

Assim, o Hermitage La Chapelle 1961, da casa Jaboulet Ainé, ultrapassou o Domaine de La Romanée-Conti.

O leilão deste Hermitage foi muito disputado e atingiu o valor final de 13.320€, isso mesmo, Treze mil trezentos e vinte Euros, e foi arrematado por um enófilo austríaco.

O blogue do Syrah não está porém em condições de dar uma classificação a este Syrah Hermitage, porque ainda não teve a oportunidade de o degustar.
Se algum leitor fizer o obséquio de presentar estes vossos humildes escribas, ficaríamos obviamente agradecidos… eternamente!

Aqui vai a lista com os dez vinhos mais caros do mundo em leilão
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Eis a imagem de uma parte da propriedade da Casa Jaboulet Ainé, onde se produz o Hermitage La Chapelle.Hermitage 1961 1


 

Monte da Caçada, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Lisboa, 2014

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A Casa Santos Lima é o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, o que faz que seja o maior produtor de vinhos da região de Lisboa. Como tal a Casa Santos Lima teria que ter o seu Syrah, e ainda bem. Mas a partir de agora passa a ter dois Syrah. O Syrah da Casa Santos Lima, de que podemos encontrar no mercado a colheita 2012, e agora este Monte da Caçada 2014, que saiu há relativamente pouco tempo para nossa satisfação!

Isso acontece porque apesar do preço ser relativamente superior ao do seu “irmão”, a qualidade supera, e muito, a diferença de preço. As notas de prova falam de um vinho “de cor rubi, bem definida, com intensos aromas a fruta madura como ameixas e frutos do bosque bem casados com suaves notas de carvalho. Combina na perfeição com comida e tem uma excelente capacidade de envelhecimento.” As uvas, previamente desengaçadas, passaram por uma maceração pré-fermentativa a baixas temperaturas durante 24 horas. A fermentação alcoólica foi feita em cubas de aço-inox com controlo de temperatura, não ultrapassando 27.ºC, durante 12 dias. Estágio de nove meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.
A Casa Santos Lima é uma empresa familiar, fundada por Joaquim Santos Lima, que, no final do século XIX, era já um grande produtor e exportador de vinhos. Maria João Santos Lima e José Luís Santos Lima Oliveira da Silva, neta e bisneto do fundador, gerem a empresa desde 1990, tendo procedido à replantação de grande parte das vinhas e modernizado toda a infra-estrutura produtiva.

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As vinhas  distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 390 hectares.

As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.
O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período do Jurássico Superior, tendo sido encontrados numerosos exemplos de fósseis de vida marinha. A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único e também, em menor escala, com as melhores castas internacionais. É possível encontrar na Casa Santos Lima cerca de 50 variedades de castas diferentes (algumas com carácter experimental).

“O vinho e a música sempre foram para mim um magnífico saca-rolhas.”
Dizia o escritor russo Anton Tchekhov!
Fica o nosso convite para, declamando este adágio, experimentarem o Syrah Monte da Caçada de que aqui vos falamos.

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 7,60€

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